BNDES pode sair integralmente da Vale ainda em 2020

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BNDESPar, braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve concluir o processo desinvestimento na Vale (BOV:VALE3) ainda este ano.

A informação é da coluna do Broadcast deste domingo (13).

Segundo o jornal, o BNDES realizará a venda de suas debêntures participativas. Para isso, o banco de fomento listará suas debêntures em bolsa, como se fossem ações.

Depois disso, será executada uma oferta pública, parecido com um follow on de ações. O procedimento é aguardado para ser realizado ainda em neste ano.

Para o próximo mês, o banco poderá ainda vender o restante de suas ações na Vale, já que elas serão liberadas após o fim do acordo de acionistas da mineradora, o que ocorre no dia 9 de novembro.

Isso marcará a saída quase que integral do governo do capital da mineradora, privatizada em 1997 no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, ainda tem participação, mas também deverá vender sua fatia.

No dia 28 de agosto, o Banco Bradesco BBI foi contratado como coordenador líder nos trabalhos de potencial oferta pública secundária de até 214.329.063 debêntures participativas de emissão da Vale. Formarão também o consórcio de coordenação os banco Citibank, JP Morgan e Itaú BBA.

Desse montante, 141.727.784 são detidas pela União, e o restante detido pelo BNDES e pela BNDESPar, conforme consta no comunicado.

A BNDESPar ressaltou, no entanto, que a realização da potencial transação ainda se encontra em estudos e depende de deliberações dos órgãos societários do BNDES e da BNDESPAR, assim como das condições de mercado existentes no momento do lançamento.

De acordo com reportagem da revista Veja, as debêntures que o BNDES possuem da Vela tem um valor esperado de R$ 2,5 bilhões.

Neste ano, o BNDES já realizou um leilão bilionário em bolsa (block trade) de ações da Vale, no valor de R$ 7,2 bilhões.

Visão do mercado

Credit Suisse

O Credit Suisse disse que a Vale já atingiu sua meta de produção de 1 milhão de toneladas de minério de ferro por dia, o que deve ser suficiente para atingir o guidance anual de 310 milhões a 330 milhões de toneladas.

A empresa também informou que os preços atuais de minério de ferro são insustentáveis e que os preços devem ser pressionados no final do ano. Sobre os custos, a empresa prevê que chegarão a US$ 14,5 por tonelada no segundo semestre de 2020, ante US$ 17,1 por tonelada no segundo trimestre.

Segundo o banco, a retomada da política de dividendos da Vale anunciada na semana passada ocorreu devido à percepção de que a empresa já carregou volume suficiente de recursos para reparações relativas a Brumadinho, e que por isso teria obtido o direito de distribuir dinheiro aos acionistas. Além disso, a baixa alavancagem, de 0,3 vez dívida líquida/Ebitda e a dívida líquida abaixo da meta (US$ 10 bilhões) sustentaram a decisão.

O Credit manteve o rating Outperform para a companhia, e disse que a empresa está subavaliada (3,4 vezes EV/Ebitda) em relação às concorrentes, que operam na casa de 5,4 vezes. Segundo o banco, o dividend yield da mineradora pode chegar a pelo menos 6% em 2021.

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