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O legado do Santo Padroeiro dos Investidores Amadores: John Bogle

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Aclamado por muitos, seguido por vários, esse é John C. Bogle, autor de diversas obras, entre elas O Investidor de Bom Senso, que você vai conhecer melhor nesta matéria. Porém, vale dizer, quando mencionamos que ele tem uma legião de fãs e seguidores ávidos, entram nessa lista também nomes como Warren Buffett, Gustavo Cerbasi e até mesmo do primeiro Prêmio Nobel de Economia norte-americano, Paul Samuelson, que inclusive creditou todo o sucesso de sua teoria a Bogle.

Mas de onde vem todo esse apreço de grandes investidores e até de pensadores da economia? Antes de responder isso, vale dizer que não são apenas figuras conhecidas do mercado que santificam Bogle quando o assunto é mercado financeiro. Em janeiro de 2019, quando Bogle morreu, a famosa revista The Economist trouxe em seu obituário: “Em memória de John Bogle, santo padroeiro do investidor amador”. Portanto, a representatividade de Bogle vai muito além das ferramentas luxuosas dos grandes investidores, também perpassa pelo home broker simples do pequeno e amador investidor.

Agora, janeiro de 2021, aí vai nossa homenagem a esse grande nome quando o assunto é justamente aquele que a gente adora: investimentos.

Valei-nos, Santo Bogle!

Segundo contam, Warren Buffett teria dito para sua atual esposa que, após ele morrer, ela deveria colocar todo o dinheiro dele em fundos indexados (fundos de índice) e deixar lá por anos a fio – ainda seguindo sua estratégia do buy and hold, ou seja, compra e mantém. E quem criou o primeiro fundo indexado do mundo? Exatamente, Bogle. Daí o apreço entre as duas figuras.

Lá na década de 1970, Bogle pegou carona na teoria de Paul Samuelson (o Prêmio Nobel de Economia que falamos anteriormente) de que seria interessante realizar um investimento baseado em um índice, um benchmark, ou seja, uma referência. Portanto, esse investimento iria refletir o desempenho de tudo o que incorporasse esse índice. Bogle transformou isso em realidade por meio de um fundo de índice para investidores individuais, por meio de cotas, e sua empresa criada para isso, a Vanguard, atualmente faz a gestão global de mais de 6 trilhões de dólares em ativos (dados de 2020). Apenas para se ter uma ideia, segundo o IBGE, em 2019 o PIB inteiro do Brasil ficou em 7,4 trilhões – mas isso em reais.

Ou seja, é muito dinheiro. Se até Buffett se apega a esse Santo que criou o investimento que vai garantir o futuro das gerações Buffettianas, quem somos nós? Bem, nós também somos pessoas que estamos de olho nos fundos, e isso é o que aponta um estudo realizado pela Economatica.

Segundo a pesquisa, aqui no Brasil, o número de cotistas em fundos aumentou 16% no encerramento de 2020, comparado ao acumulado do ano de 2019. Enquanto em 2019 eram 19,9 milhões de cotistas na indústria de fundos, em 2020 já somavam 23,1 milhões. E olha outro dado interessante: o tipo de fundo com o maior percentual de procura no Brasil é justamente o ETF (fundo de índice, como no caso de Bogle). Dentro do período estudado, esses fundos tiveram uma alta de 107% em número de cotistas.

É para comemorar? Sim, mas ainda com moderação. Isso porque, quando você olha para o gráfico de fundos que mais atraem os investidores, o ETF ainda é um patinho feio comparado aos fundos de renda fixa e de ações, por exemplo.

economatica

Fonte: Economatica (2021).

Do lado mais otimista, porém, isso também significa que há muito que crescer. É claro que a realidade dos EUA é outra, mas vale comparar: lá, cerca de 65% da população investe seu capital no mercado acionário em geral, enquanto aqui no Brasil não chega a 1%. Medo? Insegurança? Falta de conhecimento? Com certeza é tudo isso e mais um pouco, porém vale aprender com quem já faz isso e muito bem, nossos amigos da terra do Tio Sam.

E, se para eles Bogle é o santo dos investidores amadores, certamente nós também temos muito que aprender com essa figura estadunidense. Valei-nos, Santo Bogle!

O legado do santo

Bogle escreveu diversos livros sobre fundos, mas também sobre como ser um investidor de sucesso. Um deles é O Investidor de Bom Senso, publicado pela Editora Sextante em 2020, um ano após a morte de Bogle. Em 20 de janeiro de 2021, na Amazon, esse livro era o segundo mais vendido dentro da categoria “Financeiro”.

E, somado a isso, apenas para se ter uma ideia, a pessoa que escreve este artigo recebeu um exemplar da Editora e começou a anotar as partes mais importantes. Porém, o livro inteiro está grifado!

Portanto, ainda que as dicas que separamos como legado de Bogle possam ser interessantes e aplicáveis, é bom ficar avisado de que o livro inteiro é uma verdadeira obra de arte para os investidores de sucesso contemplarem e se inspirarem. Porém, diferentemente de uma pintura, que nem sempre entendemos, pode ter certeza de que este livro você vai compreender integralmente e tirar muitas dicas para usar no seu dia a dia.

Vale também ficar de olho nas referências, no fim deste artigo, porque há muitas outras obras de Bogle como sugestão de leitura caso deseje ampliar ainda mais seu conhecimento sobre esse grande nome dos investimentos.

  1. Não permita que um jogo vitorioso se torne um jogo fracassado

A dica é também o título da Introdução do livro, portanto é o princípio dos ensinamentos de Bogle nesta obra. Segundo ele: “A matemática simples sugere, e a história confirma, que a estratégia vitoriosa para investir em ações consiste em possuir todas as empresas de capital aberto da nação a um custo bem baixo”.

Portanto, como sugere o autor, por que ficar lutando contra o mercado, o comportamento especulativo dos investidores e a inconstância e o risco de papel por papel se você pode comprar um fundo com uma carteira completa e diversificada que já vai refletir tudo isso? Sem dúvidas é uma boa reflexão para aquele investidor que tem problema cardíaco e não aguenta ficar com o “coração na mão” na expectativa de alta ou baixa de uma única ação. Ao mesmo tempo, um ETF é um investimento acessível, que pessoas com muito ou pouco dinheiro podem realizar.

E ah, tem um complemento de Bogle: “compre um fundo que detenha essa carteira de todo o mercado e o mantenha para sempre” (sim, a frase está grifada no livro).

  1. Não entre em qualquer fundo

Vamos dar uma pausa para você poder rir do título dessa segunda dica… Pronto? Agora vamos em frente. Bogle sugere fundos que não sejam ativos, ou seja, que sejam passivos. Ok, vamos parar de novo para você fazer sua piadinha. Foco agora, certo? Fundos ativos se referem àqueles que, para superar o benchmark, ou seja, o índice, realiza muita modificação de ativos, o que, é claro, consome dinheiro com taxas de administração (ou de performance, em alguns casos) e reflete no bolso do investidor.

Já o fundo passivo é aquele que não se modifica constantemente. Só vai ser alterado se entrar ou sair um ativo do índice. No caso da Vanguard, a empresa de Bogle que realiza a gestão de fundos, é justamente essa a ideia, o custo atribuído ao investidor é o menor possível, afinal a intenção é comprar e manter, e não ficar movimentando aqui e ali.

De acordo com Bogle, no livro: “nós, investidores, como um grupo, obtemos exatamente aquilo pelo qual não pagamos. Se não pagamos nada, obtemos tudo”. Outra mensagem relevante é a de que, quanto aos retornos, com certeza o tempo é o melhor amigo do investidor, porém, quando se fala em custos, aí o tempo se torna o pior inimigo. Portanto, a dica é não cair na tentação de querer ter demais, porém acabar tendo de menos ao descontarem todas as taxas no fim.

Na B3, ao todo existem 24 ETFs disponíveis e ela ainda traz relatório do desempenho de cada um deles, ou de todos, conforme deseje visualizar. Há fundo que reflete o Índice Ibovespa (ETF BOVA11, BOVB11, BOVV11, XBOV11), o Índice Small Caps (SMAL11), o iBrX 100 (BRAX11) e até mesmo o S&P500 dos EUA (é o caso dos ETFs IVBB11 e SPXI11). Tem para todos os gostos. O importante é conhecer com calma qual é a estratégia de cada fundo, para saber se os custos não sobressaem sobre os retornos. De acordo com Bogle: “se os administradores não pegam nada, os investidores recebem tudo”.

Lembrando também que, no Brasil, ainda existe Imposto de Renda sobre o lucro. Não se esqueça do leãozinho. Aliás, o Capítulo 8 do livro de Bogle fala sobre isto: impostos são custos. Não pague ao governo mais do que deveria.

  1. Permaneça firme no propósito

Sabe aquela frase célebre “foco, força é fé”? Vale aqui também. O foco se refere a manter-se firme na estratégia de adquirir o fundo e permanecer no rumo por muitos anos. A força tem a ver com eliminar as emoções da equação, isto é, concentrar-se no longo prazo “fazendo o melhor para ignorar o ruído de curto prazo do mercado de ações e evitando os fundos quentes da moda. O fundo de índice pode ser mantido nos bons e nos maus momentos ao longo de toda uma vida de investimentos”, revela Bogle. Já a fé, bom, daí é se apegar com o santo protetor dos investidores amadores.

  1. Não acredite apenas em mim

No fim de cada capítulo, Bogle deixa bem claro: “não acredite apenas em mim”, e então ele traz nomes reconhecidos que usaram das estratégias e das ideias apresentadas no decorrer de cada parte. E, ao mesmo tempo, a dica fica para todos os leitores, afinal, conquistas passadas não são garantia de retorno futuro, portanto, como todo e qualquer investimento, um fundo também tem seu risco.

O mercado é variável e, como tal, merece seus créditos, mas também a cautela. Embora tenhamos falado tanto de fundos, e Bogle também apresenta esse assunto vastamente no livro, o que ele deixa claro é que, independente do investimento que você realiza, as dicas são para toda e qualquer natureza daquilo em que você investe: seja em fundos, em ações, em renda variável, no câmbio, em commodities. Porque, no fim das contas, tem sucesso aquele Investidor de Bom Senso.

=> BOGLE, J. C. O Investidor de Bom Senso. Trad. de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2020. 240 p.

=> Visite o fórum dos seguidores de Bogle, os “Bogleheads”: https://www.bogleheads.org/.

Outras obras do autor (em inglês):

  • BOGLE, J. C. Enough: True Measures of Money, Business and Life. 1. ed. EUA: Wiley, 2008. 292 p.
  • BOGLE, J. C. The Little Book of Common Sense Investing: The Only Way to Guarantee Your Fair Share of Stock Market Returns (Little Books. Big Profits). 2. ed. EUA: Wiley, 2017. 287 p.
  • BOGLE, J. C. The Clash of the Cultures: Investment vs. Speculation. 1. ed. EUA: Wiley, 2012. 408 p.

E aí, curtiu conhecer um pouco mais sobre fundos de índices e ainda sobre o santo padroeiro dos investidores amadores? Já conhecia Bogle? Comenta aqui embaixo e aproveite para compartilhar este conteúdo com seus amigos! E não se esqueça de ler todo o livro e nos marcar nas redes sociais: a ADVFN está no Facebook, Instagram, YouTube e Twitter! Boa leitura e ótimo$ investimento$!

Imagem de plano de fundo deste artigo: Vanguard.

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