Ibovespa abre instável, na expectativa do Fed; juros e dólar caem

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Os mercados abriram em compasso de espera, aguardando a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), que começa hoje e termina amanhã, e que pode formalizar o adiamento da alta dos juros nos EUA para o ano que vem. Na China, a reunião do Partido Comunista vai até quinta-feira, o que também deixa o mercado na expectativa. Já no Brasil, as incertezas são com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que sai na quinta-feira, e com os esforços do governo em reduzir o déficit fiscal deste ano e garantir o equilíbrio do ano que vem.  As previsões são de um déficit neste ano de mais de R$ 50 bilhões e poucas chances de aprovação da CPMF.

Outros destaques são o possível início da análise pela Câmara do projeto que anistia os valores não declarados no exterior e a emenda constitucional que garante a desvinculação de receitas da União (DRU), que começa a ser discutida hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Sem a desvinculação, o governo terá de aumentar gastos obrigatórios e o déficit fiscal se agravará.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem uma tendência única, com o Nikkei, do Japão, recuando 0,90% e o índice da Bolsa de Xangai subindo 0,10%. Além da reunião dos comunistas na China, o Banco do Japão terá reunião na sexta-feira e pode divulgar mais incentivos para a economia local.

Entre altas e baixas 

O Índice Bovespa abriu em baixa, acompanhando os mercados internacionais, mas depois se recuperou e, às 10h45, subia 0,20%, aos 47.305 pontos. O mercado segue fraco, como mostrou o baixo volume negociado ontem, abaixo de R$ 5 bilhões, com os investidores atentos aos movimentos do Fed e dos cenários político e econômico locais. Os bancos estão em ligeira alta e puxam a recuperação do índice. Itaú Unibanco preferencial (PN, sem voto) sobe 0,15%, Bradesco PN, 0,56% e Banco do Brasil ON (papel ordinário, com voto) ganha 0,49%. A unit (recibo de ações) do Santander, por sua vez, cai 0,28%.

Vale e Petrobras puxam o índice para baixo. A ação ON da mineradora cai 0,45% e a PNA, 0,70%, ainda refletindo as incertezas com a economia chinesa. Petrobras ON cai 0,5% e o papel PN, 0,89%, acompanhando a queda do petróleo no exterior. O barril do tipo Brent, negociado em Londres, cai 0,74%, para US$ 47,19, e o tipo WTI, negociado em Nova York, recua 1,48%, para US$ 43,33.

Maiores altas e baixas

As maiores quedas do Ibovespa são das ações ON da BR Properties, com -1,91%, seguidas das ON da CCR, com -1,44%, das PN da Gerdau Metalúrgica, com -1,44% também, e das ON da Localiza, com -1,24%.

As maiores altas são de Fibria ON, com 3,04%, Qualicorp ON, com 2,28%, Energias do Brasil ON, com 2% e Kroton ON, com 1,69%. Embraer ON, que hoje divulgou um prejuízo de R$ 388 milhões no terceiro trimestre, sobe 1,58%.

Europa e EUA, em queda

Na Europa, as bolsas seguem em ligeira queda, com o índice regional Stoxx 50 recuando 0,49%, o Financial Times, de Londres, 0,32%, o DAX, de Frankfurt, 0,36%, o CAC, de Paris, 0,63% e o Ibex, de Madri, 1,10%. Hoje, o Reino Unido divulgou o PIB do terceiro trimestre, com um crescimento de 0,5% no trimestre e 2,3% anualizados, abaixo dos 0,6% e 2,4% previstos pelo mercado.

Preços de imóveis sobem mais nos EUA

Nos Estados Unidos, enquanto começa a reunião do Fomc, as bolsas projetam quedas nos mercados futuros. O Índice Dow Jones recua 0,19% e o Standard & Poor’s 500, 0,18%. O mercado repercute os dados de preços de imóveis, que subiram 5,1% nos 12 meses encerrados em agosto nas 20 cidades pesquisadas pelo índice S&P Case Shiller, acima dos 4,9% acumulados até julho. O aumento ficou dentro das estimativas dos analistas e foi o maior do ano, segundo a Bloomberg.  

Juros futuros caem

No mercado de juros futuros, os contratos de DI na BM&FBovespa com vencimento em janeiro de 2016 projetam 14,24%, abaixo dos 14,26% de ontem, ajustados em relação à taxa básica Selic de 14,25% ao ano. Para janeiro de 2017, a projeção está em 15,30%, ante 15,35% de ontem. Para 2018, a estimativa caiu para 15,80%, ante 15,89% ontem. Para 2019, a previsão do mercado estava hoje em 15,97%, ante 16,02% ontem. Para 2021, a projeção está em 15,88%, ante 15,93% ontem.

O Tesouro Nacional divulgou ontem que vai limitar a venda de títulos corrigidos pela inflação, as NTN-B, com prazos muito longos. A medida é uma forma de evitar o aumento da dívida pública no longo prazo, já que os juros reais subiram bastante nos últimos meses. Ao mesmo tempo, novos sinais de inflação em alta reforçam a preocupação dos investidores.  Os preços ao produtor de setembro subiram 3,03%, segundo o IBGE. Já o IPC da Fipe da terceira quadrissemana de outubro veio com alta de 0,88%, praticamente estável em relação aos 0,89% do mesmo período do mês anterior.

Dólar abre em baixa

No mercado de dólar, a moeda americana recua para R$ 3,916 para venda, em baixa de 0,07%. Já o dólar turismo está em alta, de 0,48%, negociado a R$ 4,13 para venda.

 

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