Fed: em discurso, Yellen insiste num aumento gradual de juros nos EUA apesar da crise externa

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A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Janet Yellen afirmou em discurso hoje que a autoridade monetária americana deverá manter seus planos de aumentar os juros locais gradualmente, dando sequência ao ajuste iniciado em dezembro e que colocou fim a quase oito anos de taxa perto de zero. Ela deixou em aberto, porém, as chances de que isso ocorra em março, embora não tenha citado um cronograma específico, o que pode abrir espaço para um adiamento do processo. Em dezembro, a taxa básica americana passou de 0,25% ao ano para 0,50%.

O adiamento do aumento dos juros nos EUA seria benéfico para os países emergentes e para o Brasil, ao reduzir a concorrência dos papéis americanos com esses mercados e manter elevada a quantidade de recursos baratos para o investimento de maior risco.

Segundo sua fala ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, em Washington, as condições financeiras do país tornaram-se recentemente menos favoráveis à alta das taxas, com pressões sobre as perspectivas de crescimento da atividade econômica e o mercado de trabalho do país. Ainda assim, economistas ouvidos pela Bloomberg interpretaram as afirmações de Janet como quem fala de uma “tempestade que vai passar”, ou seja, um adiamento do avanço das taxas antes de um novo ajuste.

“O Fomc (Comitê de Mercado Aberto, na sigla em inglês) antecipa que as condições econômicas vão evoluir de maneira a garantir aumentos graduais das taxas dos fundos federais”, disse a chair do Fed, repetindo quase que literalmente a declaração do comitê de janeiro.

Ela reconheceu que o crescimento econômico dos EUA em 2015 foi amenizado especialmente pelo impacto de um dólar mais forte sobre os exportadores, mas, na contramão, também destacou que os gastos das famílias ganharam força com o preço da gasolina em baixa e o crescimento estável dos empregos, uma tendência que deve persistir, de acordo com ela.

A principal preocupação dos EUA agora passa pelo fato dos demais bancos centrais mundiais estarem reduzindo suas taxas de juros, diante da atual desaceleração econômica global, enquanto o americano planeja um aumento, o que deve tornar sua moeda mais cara e prejudicar o setor exportador do país.

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