De retardatárias a líderes: com melhora cíclica, estatais podem ter virada positiva na América Latina

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A fama negativa da gestão das estatais na América Latina não foi a única responsável pelo mau desempenho e pelo afastamento de investidores da região, aponta relatório do HSBC. De acordo com a instituição, o problema é que a maioria dessas empresas estava também ligada a setores de pior desempenho recente, como commodities, que sofreram com a retração das economias, especialmente a chinesa. Segundo o banco, um índice formado pelas empresas estatais rendeu metade do que de outro índice formado por empresas privadas do fim de 2005 para cá.

Além disso, há o fato de que as estatais têm peso grande nos índices dos países emergentes, o que influencia os mercados. O texto assinado pelos analistas Nicholas Smithie, André Carvalho, Jaime Aguilera e Francisco Schumacher mostra que, atualmente, as estatais representam apenas 18% do total de empresas presentes no MSCI Emergentes, o índice referencial do HSBC, mas pesam 64% em valor de mercado.

Apesar de aspectos reais como a má qualidade da administração pública, a ineficiência operacional, os investimentos fracos e o desrespeito aos acionistas minoritários, uma melhora no mercado de matérias-primas poderia dar início à uma guinada no desempenho das empresas estatais na região, especializadas principalmente em commodities e na prestação de serviços públicos, como energia, água e telefonia. Setores mais lucrativos, como consumo, saúde e tecnologia estão em geral com a iniciativa privada.

De olho nessa possibilidade, no mês passado, o HSBC incluiu Banco do Brasil e Sabesp na carteira de ações brasileiras recomendadas do banco. Possíveis reformas no Brasil e também na Argentina poderiam aumentar a eficiência e os retornos dessas companhias.

A partir disso, o HSBC alterou recentemente suas posições sobre ações emergentes, com mais peso para tema conjunturais, que foram considerados mais rentáveis e com potencial mais seguro de crescimento.

Em 31 de março, o HSBC mudou sua recomendação para as ações brasileiras, de manter para comprar, diante da perspectiva de ajuste macroeconômico por conta da possível mudança política no comando do país.

Acompanhe a carteira de Brasil do HSBC em março deste ano:

Companhia Recomendação Dividend Yield (2016)
Banco do Brasil Compra 5,30%
Itaú Unibanco Compra 3,90%
Cielo Manter 1,70%
AES Tietê Manter 10%
Sabesp Manter 1,60%
Hypermarcas Compra 0,60%
Via Varejo Compra 2,30%
Ultrapar Compra 2,50%
Fibria Compra 1,70%
Suzano Compra 3,70%

Fonte: HSBC

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