PF indicia ex-presidente do fundo de pensão dos Correios e operador de mercado

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A Polícia Federal indiciou Alexej Predtechensky, ex-presidente do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, em uma ação que faz parte da investigação sobre fraudes em operações financeiras no fundo. A PF investiga um esquema que envolvia a compra de ações e pagamentos de taxas indevidas.

As investigações concluíram que haviam indícios suficientes de gestão fraudulenta, apropriação indébita no sistema financeiro e lavagem de dinheiro por parte do ex-presidente. A Polícia Federal também apurou supostos crimes por parte do operador do mercado financeiro Fabrizzio Dulcetti Neves.

No inquérito da PF afirma que no comando do Postalis, Predtechensky descumpriu o seu “dever de zelar pelo regular pagamento de operações”, e agiu de forma negligente, se beneficiando economicamente das fraudes.

Rombo de R$ 5 bilhões

O fundo de pensão dos Correios teve um rombo estimado em R$ 5 bilhões pela Polícia Federal nos últimos anos por conta de irregularidades. Um gestor, que criou um fundo para o Postalis que aplicou em papéis podres da Argentina e causou uma perda de R$ 300 milhões, é foragido da polícia e está sendo procurado no Brasil e no Exterior. O Postalis tenta na Justiça obter do administrador do fundo, o banco BNY Mellon, compensação pelas perdas provocadas pelo gestor.

Houve ainda problemas com a compra de cotas de fundos de crédito (Fidc) que se mostraram crédito podre e aquisição de papéis do Banco BVA, que quebrou.

O Postalis era reduto do PMDB, que indicava seus dirigentes, o que levantou a discussão sobre os critérios de escolha dos dirigentes e culminou com a aprovação no Senado na semana passada de uma proposta estabelecendo regras mais rígidas para a seleção desses executivos.

O Postalis teve de aumentar em 17,92% a contribuição calculada sobre o valor do benefício projetado dos funcionários dos Correios, aumento que terá de ser pago pelos próximos 23 anos, conforme decisão anunciada em 23 de março. O fundo teve um déficit atuarial de R$ 400 milhões no ano passado. O fundo já havia multiplicado por seis a contribuição para cobrir o rombo das aplicações irregulares.

Fundos de R$ 370 milhões

O inquérito identificou dois fundos de investimentos do Postalis, contendo mais de R$ 370 milhões em recursos aplicados que teriam sido geridos de forma fraudulenta. Segundo a PF, o esquema de fraude atuava na compra de títulos do mercado de capitais, por uma corretora americana, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais ligados aos investigados. Em seguida, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis com um aumento ainda maior no valor do título.

Entre as operações financeiras que causaram prejuízo está, por exemplo, uma em que a Postalis poderia ter pago R$ 11,8 milhões para ter 37,5% de um fundo de investimentos, foram pagos R$ 105 milhões por uma fatia menor, de 7,5%.

Com informações do G1.

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