Fim do euro?

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A saída de uma das duas economias saudáveis que poderiam socorrer – como o fizeram – colegas de bloco em dificuldade preocupa pelo que reflete, pelo que pode causar às duas moedas mais fortes do mundo, pela sustentabilidade da União Europeia e agravamento da crise econômica e política iniciada em 2008.
O futuro da região é incerto, o que afetará por um longo período o comportamento dos mercados mundiais. Investimentos, que já não ocorriam por conta de incertezas, foram jogados para um futuro ainda mais distante, no qual se poderá encontrar tanto ânimos mais serenos quanto outros plebiscitos de saída sendo votados. A decisão inglesa levará a uma reestruturação do bloco no médio prazo. Num primeiro momento, os líderes das maiores economias mundiais precisam apagar os incêndios no mercado financeiro.
Apesar de os sistemas financeiros estarem mais fortalecidos, na comparação com a crise de 2008, os bancos centrais de diversos países declararam que estão prontos para realizarem intervenções. Podem, inclusive, ocorrerem intervenções cambiais coordenadas.
A União Europeia é uma união econômica e política composta por 27 países que promove o livre comércio e a livre circulação de pessoas. A Zona do Euro é uma união monetária dentro da União Europeia e, economicamente, a falta de autonomia quanto a essa política, é uma das razões para não se desejar adotar o euro como moeda.
A discussão sobre áreas monetárias ótimas (AMOs), levantada primeiramente por Robert Mundell, em 1961, influenciou o debate que levou às várias tentativas de unificação monetária da Europa, até culminar na Zona do Euro. A teoria afirmava que as áreas monetárias ótimas ampliariam a eficácia dos regimes cambiais, pois taxas flexíveis de câmbio seriam mais efetivas para ajustar desequilíbrios externos e domésticos se a base geográfica das moedas pudesse ser redefinida.
Na visão de Mundell, as taxas de câmbio flexíveis somente recuperariam sua eficácia para estabilizar o emprego e a inflação se as moedas nacionais pudessem ser adequadamente reorganizadas em moedas regionais. Ao mesmo tempo, era necessário que o trabalho tivesse mobilidade geográfica, o que seria capaz de substituir a taxa de câmbio como instrumento de ajuste de competitividade e, consequentemente, de geração de empregos.
Desde a ruptura do acordo de Bretton Woods, buscou-se a estabilidade cambial na Europa. Foi nesse contexto que, em 1970, o primeiro ministro de Luxemburgo, Pierre Werner, apresentou o Relatório Werner, primeira proposta concreta de integração monetária na Europa e, em certo sentido, precursora do Tratado de Maastricht. No entanto, somente décadas depois, em 1992 foi oficialmente ratificado o Tratado de Maastricht, que detalhou a transição para a moeda única, que ocorreu em 1999.
Influenciou a decisão dos países europeus os efeitos positivos de um processo de unificação das moedas, pois o poder político, econômico e estratégico da região aumentou. A unificação de moedas amplia a credibilidade da política monetária e reduz o viés inflacionário das políticas domésticas. Concomitante a isso, os custos de transação são reduzidos; a paridade do poder de compra com os parceiros é mantida; o poder discricionário das autoridades monetárias e fiscais torna-se acentuado e a incerteza cambial é reduzida. Soma-se a isso a redução dos efeitos de choques adversos nas economias, pois estes são distribuídos pelos participantes da união monetária.
Foi o que ocorreu com a Grécia e outros, como Portugal e Espanha, mas prejudicou economias como a alemã, gerando o início de uma crise no bloco. A decisão de não deixar o vizinho quebrar por ser um participante da zona gerou controvérsias. Por que emprestar bilhões para um país que descumpriu as regras? Ao final, concluiu-se que se a Grécia fosse a bancarrota poderia levar ao fim da unificação para os europeus, fato muito pior que um regresso ao tempo em que não havia o euro. Naquela época, não havia a hegemonia chinesa. Por menor que fosse o obstáculo, o monstro não tem mais nada que o impeça de engolir indústrias estrangeiras.

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