Espetáculo de auto sabotagem

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O Brasil definitivamente não é um ambiente propício para negócio. Os graves problemas estruturais acumulados há várias décadas poderiam ser até resolvidos com uma administração milagrosamente inteligente, respaldada pelo Congresso, mas ainda assim os empresários temeriam investir com vontade num País com tantas oportunidades e recursos naturais.

O impressionante escândalo provocado pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal na última sexta-feira é a prova mais concreta de uma sociedade que parece repudiar o setor corporativo. Supostos pequenos incidentes se transformaram numa desnecessária tempestade em copo d’água, abatendo todo o segmento do agronegócio brasileiro.

As críticas partem desde a forma como a Polícia Federal atuou e divulgou suas informações ao excesso de sensacionalismo da imprensa. Fica difícil imaginar se o grande mal-entendido sobre a carne de papelão, por exemplo, como declara em nota a BRF, teria acontecido numa sociedade de cultura minimamente pró-mercado.

Mais impressionante é que a nível global, a fantasiosa carne de papelão brasileira parece ter ganhado mais repercussão negativa do que os recentes casos de gripe aviária, esses sim preocupantes. As ações da gigante americana Tyson Foods, que confirmou na semana passada o segundo caso de gripe aviária de alta patogenicidade, estão praticamente no mesmo valor de negócio do dia em que o anúncio foi feito. Pouco se fala, também, sobre o surto de gripe aviária no sudeste da França.

Já o Brasil está assistindo, neste exato momento, um grande tremor no seu agronegócio. O epicentro está na indústria da carne, mas inevitavelmente abala todo o setor. Quase duas décadas de trabalho árduo para agregar valor e elevada competitividade ao segmento (as exportações de carne subiram de 2 bilhões de dólares em 2000 para 14 bilhões de dólares em 2016) estão sendo destruídas em poucos dias por algo que pode ser qualificado como auto sabotagem.

As suspeitas de pequenos incidentes envolvendo uma insignificante parte de frigoríficos brasileiros (21 unidades supostamente envolvidas em eventuais irregularidades de um total de cerca de 4.850 plantas) não chegam nem perto dos números relacionados aos abates de aves sob risco de gripe aviária. A indústria de alimentos não está sobre ataque nos Estados Unidos, nem na França, mas no Brasil está sendo fuzilada.

O estardalhaço foi tão grande que os líderes de países importadores de carnes brasileiras estão sendo forçados a suspender seus negócios com o Brasil. A carne brasileira é comprovadamente uma das melhores e mais competitivas do mundo, atende os mercados mais rigorosos da União Europeia, Estados Unidos e Japão, mas diante de tanto escândalo os políticos precisaram tomar uma atitude para tranquilizar seus eleitores.

O poder da imagem para a indústria de alimentos é crucial. As empresas terão de investir pesado em propaganda, mas encontrarão dificuldade para reverter totalmente os impactos negativos. O trauma já foi criado. Os brasileiros conseguiram fazer em poucos dias um trabalho que os concorrentes do mercado externo não conseguiram em vários anos: destruir a imagem do nosso agronegócio, um dos poucos setores onde conseguimos ser competitivos no mercado global agregando valor.

No mercado de capitais, o Ibovespa (BOV:IBOV) voltou a encostar na importante linha de suporte localizada na região dos 64k. O alívio nesta segunda-feira ainda não é suficiente para destravar as vendas dominantes das últimas semanas. Mercado permanece vendido no curto prazo, com a linha de suporte fragilizada pela sequência de testes num curto espaço de tempo.

Ibovespa

No mercado de câmbio o dólar voltou a se aproximar da mínima do ano contra o real, ainda vendido, sem apresentar novidade. A estratégia de sucesso na comunicação do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) tem conseguido manter tanto o dólar (contra cesta de principais moedas globais), quanto os rendimentos das treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), comportados nos últimos dias.

USDBRL

Já o S&P500 marcou o terceiro pregão consecutivo de leve recuo, voltando a encostar na linha central de bollinger, principal ponto de apoio de curtíssimo prazo.

spx

Comentários

  1. Rafael simas diz:

    Isso tudo que ta acontecendo no Brasil nos últimos anos, tem nada de auto sabotagem, isso é sabotagem internacional mesmo, serviço de inteligência de outros países agindo aqui, eles aproveitaram a corrupção, para desmancharem nossas grandes empresas, e pegarem nossas fatia do mercado mundial, começaram com a “Petrobras”, depois os técnicos mentiram para Eike batista, falando para ele que os poços de petróleos dele era algo muito promissor, e o eike acabo caindo na lorota desses técnicos, agentes infiltrados com certeza que mentiram para ele. Depois disso foi a vez da “Vale e Samarco”, sabotagem também, pois moradores que sobreviveram ao desastre, relataram que escutam um estrondo, tipo dinamite explodindo, e a terra tremer, minutos antes do desastre, ou seja, colocaram bomba para romper a barragem. Depois veio a vez das empresas de construção, em seguida tentarão provocar uma revolta militar, começando no espírito santo e rio, só que não deu certo, graças a deus pois poderia ter se espalhado pelo Brasil inteiro. E agora foi a vez da indústria de pecuária que possui o maior rebanho comercial de gado bovino do mundo, agora esse mercado sera tomado pelos Estados Unidos, querem apostar? E ainda tem mais, isso tudo vai causa a privatização de empresa publicas e venda de empresas privadas para estrangeiros, o que adianta privatizar uma empresa ou vender por 1 bilhão e em menos de 5 anos eles retirarem do Brasil 10 bilhões. Se privatizarem dando preferência a empresários brasileiro, isso não iria acontecer. principalmente as empresas de transporte publico, pois elas não exporta serviço, sendo a assim, se esses tipo de empresas, forem todas privatizada para estrangeiros, eles vão investir um pouco, e em 5 anos já conseguirão recuperar o investimento, e em seguida só vão tirar e tirar dinheiro, sem nenhum retorno. O Brasil será infestado de empresários estrangeiros sugadores. As próximas empresa a serem atacadas vai ser AB InBev e Banco Safra Aguardem.

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