Reunião do Fed em Pauta: O que muda no caso de uma alta nos juros dos EUA?

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O Federal Reserve (Fed) divulga nesta quarta-feira (15) a decisão do comitê do banco central, o FOMC, sobre a política monetária dos Estados Unidos. Uma alta de 0,25 ponto percentual está sendo esperada pelo mercado – mas nem sempre foi assim. Conheça as perspectivas do mercado para a decisão do Fed desta semana e entenda o que muda caso uma alta nos juros seja anunciada.

Perspectivas do mercado

A expectativa de um aperto monetário e incremento nas taxas de juros norte-americanas já na reunião desta semana ganhou força somente nos últimos dias, depois que a presidente do Fed, Janet Yellen sinalizou uma possível subida nas taxas para a reunião de março do comitê.  Em 21 de fevereiro, o Monitor das Taxas de Juros do Fed Funds apontava para uma chance de 19% para alta dos juros no mês de março; após o discurso de Yellen, em 3 de março, a probabilidade saltou para 77,5%. Nesta terça-feira (14), as chances de um aumento nas taxas de juros para quarta-feira estão em 90,8%.

 

Decisão do FOMC: Gráfico do CME Group mostra probabilidades de aumento das taxas de juros pelo Fed ao longo de 2017

Decisão do FOMC: Gráfico do CME Group mostra probabilidades de aumento das taxas de juros pelo Fed ao longo de 2017

 

A economista-chefe da Stifel Financial Corp, de Chicago, Lindsey Piegza, acredita que o mercado demorou demais para acreditar em uma alta nos juros para março, apesar de membros do FOMC indicarem, desde fevereiro, uma possível alta da taxa no curto prazo. “O mercado continuou a ignorar a possibilidade de um ajuste da taxa no final deste mês”, disse. Agora, a economistas estimam até mesmo uma quarta alta na taxa de juros norte-americana pelo Fed ao longo de 2017, contrariando uma sinalização do próprio banco central para três subidas no ano.

Para o gerente de investimentos da Aberdeen Asset Management, Luke Bartholomew, os sinais presentes no mercado financeiro e na economia mostram que o Fed pode ser mais hawkish do que o mercado pensava ser e que, por isso, a possibilidade de um quarto aumento inesperado nas taxas de juros em 2017 seria real. “De fato, o mercado precisa pensar seriamente sobre a possibilidade de quatro avanços este ano”, disse.

O que muda caso o aumento na taxa de juros se confirme?

O aumento das taxas de juros tem um efeito real sobre consumidores e empresas quanto ao acesso ao crédito, compras e planejamento financeiro. As instituições financeiras serão uma das principais beneficiadas entre as companhias norte-americanas no caso de um aumento nas taxas de juros, por conta do aumento da rentabilidade em um cenário de juros mais altos. As demais empresas, no entanto, podem observar certa queda nos lucros, devido ao maior custo de capital para investimentos e expansões.

Taxas de juros e inflação mais altas também costumam arrefecer a demanda no setor de habitação e aumentar os gastos dos consumidores. O incremento das taxas impulsiona os custos de empréstimos até mesmo para o governo; no caso dos Estados Unidos, o aumento nas taxas poderia resultar em uma elevação da Dívida Nacional do país.

Por outro lado, a elevação nas taxas de juros pode impulsionar os negócios das empresas norte-americanas no mercado interno, principalmente devido ao dólar mais forte, tornando os produtos locais mais atraentes para o consumidor. Para as companhias que atuam no mercado externo, no entanto, o aumento dos juros pode não ser tão lucrativo assim: empresas como a Microsoft Corporation (MSFT), Caterpillar (CAT), Johnson & Johnson (JNJ) e Hersheys (HSY) já emitiram, inclusive, alertas ao mercado sobre um possível impacto em suas rentabilidades com a alta do dólar.

Mercado de ações e a decisão do Fed

Às vésperas da divulgação da decisão do Federal Reserve sobre a política monetária dos EUA, os mercados norte-americanos operam em baixa. Alguns analistas especulam que uma alta em março poderia impactar negativamente os mercados e interromper o rally que se viu no início do ano.

Esta mesma expectativa, no entanto, pairava sobre o mercado em dezembro de 2015, quando a taxa foi de 0,25% a 0,50%. Desde o final daquele ano, no entanto, o S&P 500 apresentou retornos acima de 19% e atingiu 46 novas máximas de fechamento. O resultado positivo do índice também foi acompanhado pelo Dow Jones e pelo Nasdaq Composite neste período.

A partir de amanhã (15) saberemos qual será o caminho que o FOMC pretende seguir quanto à política monetária dos Estados Unidos para os próximos meses e a reação do mercado à decisão do Banco Central.

*Escrito por Luana Neves, colaboradora da Liberta Global.

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