Ibovespa cai 1,67% e perde 2,7% na semana com Trump e lista de Fachin; dólar sobe

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O Índice Bovespa encerrou o dia hoje em queda de 1,67%, aos 62.826 pontos, a menor cotação desde 11 de janeiro, em meio ao aumento do nervosismo no mundo após o ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão e às preocupações locais com as denúncias contra políticos na Operação Lava Jato. As forças americanas teriam usado sua mais potente bomba não nuclear para tentar destruir túneis do Estado Islâmico em território afegão.

A ação representa a retomada da escalada militar americana no Oriente Médio e na Ásia iniciada após o ataque à base aérea síria na semana passada e o deslocamento de aviões para perto da Coreia do Norte. O presidente Donald Trump vem surpreendendo o mundo com essas ações, que ele condenava, mostrando uma mudança total de postura, reforçada ontem com elogios à Organização do Tratado do Atlântico Norte, que ele criticou logo após assumir o cargo.  A tensão com a Rússia, aliada do governo sírio, portanto, deve continuar. A mudança de Trump representa uma surpresa negativa, que preocupa os investidores de todo o mundo, como mostra a alta dos preços do ouro, de 0,94% apenas hoje e a queda das bolsas nos EUA e em quase todo o mundo.

Lista de Fachin

No Brasil, a preocupação externa se soma à incerteza política provocada pelas revelações dos depoimentos de executivos da Odebrecht contra a maioria das lideranças dos partidos do país. Até o presidente Michel Temer, que não pode ser acusado de crimes cometidos fora do mandato presidencial, teve de vir a público negar envolvimento com pagamentos da empreiteira, apesar de sua participação em uma reunião com o então presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, que culminou com o acerto de um pagamento de R$ 10 milhões para a campanha do PMDB, acertado com seus dois principais assessorias, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Temer alega que saiu da sala antes da discussão de valores, e que ele se limitou a pedir ajuda para o partido, o que é confirmado por Marcelo Odebrecht. O que não resolve muito diante do impacto do depoimento apresentado nos principais telejornais do país.

Apesar do impacto das delações, analistas acreditam que elas não vão paralisar os trabalhos do Congresso, e podem até estimular os parlamentares a aprovarem as reformas para melhorar a economia e reduzir a insatisfação da população.

Índice perde 3,32% em abril, mas estrangeiro traz dinheiro

Com a queda de hoje, o Índice Bovespa acumulou perda de 2,74% na semana e de 3,32% no mês de abril. No ano, o ganhou foi reduzido para 4,32% e, em 12 meses, para 18,21%. O volume negociado, de R$ 7,7 bilhões, ficou ligeiramente abaixo da média do ano, de R$ 8,1 bilhões. Mas a queda forte de papéis mais líquidos como Petrobras e bancos, indica saída de investidores estrangeiros, que neste mês vinham trazendo dinheiro para a Bovespa. Até dia 11, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira estava positivo em R$ 940 milhões, acumulando no ano R$ 4,477 bilhões.

BB cai 5% e Itaú, 1,8%

As ações preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco, papel de maior peso no índice, caíram 1,82%, enquanto Bradesco PN, segundo maior peso, recuou 3,05%. Já o papel ordinário (ON, com voto) do Banco do Brasil (BB) caiu 5,2%. A ação PN da Petrobras recuou 3,89% e a ON, 4,48%, reforçando os sinais de aversão ao risco. Já o papel PNA da Vale subiu 0,96% e o ON ficou estável.

Só 10 altas no Ibovespa

Apenas 10 das 58 ações do Índice Bovespa fecharam em alta hoje, lideradas por Tim Participações ON, com 1,48%, Cyrela Realty ON, 1,30%, Vale PNA, 0,96% e Bradespar PN, 0,53%. Já as maiores quedas do índice foram de BB ON, Embraer ON, 5,16%, Cemig PN, 5,05% e Estácio Participações ON, 4,55%.

CSN perde 15% na semana

Na semana, as maiores altas do índice foram de BRF ON, 4,55% e JBS ON, 3,03%, recuperando as perdas com o escândalo das denúncias da Carne Fraca. Tim ON subiu 2,79%, Lojas Renner ON, 2,15% e Cyrela Realty ON, 1,54%.

As maiores quedas da semana são de CSN ON, 15,33%, Gerdau PN, 10,43%, Embraer ON, 8,93%, Gerdau Metalúrgica PN, 8,41% e Cemig PN, 5,05%. As metalúrgicas acompanharam a forte queda do minério de ferro na China, para menos de US% 70,00.

Queda na Europa e nos EUA

Na Europa, as bolsas fecharam em queda com a tensão geopolítica. O Índice Euro Stoxx 50 caiu 0,58%, o Financial Times, de Londres, 0,29%, o DAX, de Frankfurt, 0,38% e o CAC, de Paris, 0,59%.

Nos EUA, o Índice Dow Jones recuou 0,67%, o Standard & Poor’s 500, 0,68% e o Nasdaq, 0,53%. Os juros dos papéis de 10 anos do Tesouro dos EUA recuaram para 2,236% ao ano, indicando maior procura por proteção também. Já o euro se fortaleceu diante do dólar, que ontem já havia caído após o presidente Trump afirmar que a moeda americana está muito valorizada.

Outras bolsas também fecharam em baixa, como o IPC do México, com -1,37%, ou o MIB da Itália, com 1,16%.

Dólar sobe para R$ 3,147 e juros se ajustam para cima

No Brasil, o dólar comercial encerrou o dia em alta, de 0,38%, vendido a R$ 3,147, mas em queda de 0,13% na semana, mas com alta de 0,51% no mês. Já o turismo fechou estável, em R$ 3,31 para venda.  O ouro sobe 2,97% no mês, cotado a R$ 128,70 o grama na B3.

No mercado futuro da B3, a projeção do contrato de DI para janeiro de 2018 subiu 0,01 ponto, para 9,65% ao ano. Para janeiro de 2019, a projeção subiu 0,03 ponto percentual, para 9,45% ao ano, e, para 2021, 0,07 ponto, para 9,95% ao ano. As projeções se ajustaram depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) alertar no comunicado que acompanhou a redução dos juros em 1 ponto percentual ontem, para 11,25% ao ano, que o cenário externo preocupa, especialmente pelo impacto que pode ter no dólar no Brasil.

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