Recuperação: Lucros de bancos voltam aos patamares pré-crise nos EUA

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A capacidade de enfrentar crises e superá-las bem mais cedo que a imensa maioria dos países do mundo são marcas registradas do mercado norte-americano. Apesar disso, muitos duvidaram que a recuperação dos bancos norte-americanos ocorreria ainda dentro de uma década. Estavam errados.

De acordo com dados levantados pela Bloomberg, os lucros dos maiores bancos dos Estados Unidos voltaram, dez anos depois, aos patamares pré-crise dos subprimes, que devastou as instituições financeiras do país. Ainda segundo os dados compilados pela empresa, os grandes bancos norte-americanos estão ganhando dinheiro em cifras que não são vistas desde 2007.

Os dados indicam que 10 dos maiores bancos do país – como o JPMorgan Chase & Co e o Bank of America – lucraram, juntos, cerca de US$ 30 bilhões no segundo trimestre de 2017. O montante chega próximo ao valor recorde alcançado no segundo trimestre de 2007 – meses antes da crise financeira.

Os impactos da revogação Dodd-Frank

O excelente momento vivido pelos bancos norte-americanos pode ter sido estimulado pela revogação da Lei Federal Dodd-Frank Act, que aconteceu em janeiro, nos primeiros dias de Donald Trump como presidente dos EUA.

A Lei Dodd- Frank implementou reformas e regulações à indústria financeira dos EUA desde 2010, e era criticada pelos bancos por conta da rigidez e inflexibilização dos regulamentos que, segundo as instituições, limitavam o risco na mesma proporção em que prejudicavam os mercados de capitais e desencorajava a concessão de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas. Ela introduziu diversas mudanças no setor e simplificou as transações com derivativos.

Com a revogação da Lei, os bancos dos EUA passaram a ter maior flexibilidade quanto às regras que antes limitavam suas ações e lhes custavam quantias exorbitantes de dólares ano após ano. O resultado desta decisão pode ser encontrado nos resultados corporativos das instituições nos primeiros trimestres de 2017.

No segundo semestre deste ano, de acordo com a Bloomberg, foram justamente as concessões de empréstimos que impulsionaram os lucros dos bancos. No início do mês, o presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, disse que os bancos norte-americanos teriam concedido US$ 2 trilhões a mais em empréstimos nos últimos cinco anos se as regras que estavam em vigor não fossem tão severas.

Um futuro promissor

Mas os ventos mudaram, e agora estão soprando a favor das instituições.Para o ex-parlamentar Barney Frank – que deu nome à Lei de 2010, são as instituições bancárias que estão dando suporte à economia americana em 2017. “Isso mostra que a legislação que aprovamos não retardou, de maneira alguma, a capacidade dos bancos de ganhar dinheiro”, disse.

O momento é bom para a economia norte-americana e ainda melhor para os bancos do país. Uma prova cabal de que economias e instituições sólidas e bem preparadas podem superar as piores crises e sair delas mais fortalecidas e preparadas para um futuro próspero.

Fonte: Luana Neves

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