Moody’s vê perspectiva estável para notas de crédito dos países da América Latina este ano

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A perspectiva para a qualidade de crédito soberano da América Latina e Caribe em 2018 é estável, refletindo melhora nas condições de crédito e, também, aumento nos níveis de endividamento e eleições presidenciais em vários países, afirma a Moody’s Investors Service em um novo relatório.

Neste início de ano, 19 dos 29 ratings soberanos latino-americanos da Moody´s, ou seja, 66%, têm perspectiva estável. Dois (7%) têm perspectiva positiva, enquanto seis (21%) têm perspectiva negativa, sendo que outros dois (7%) estão em revisão para rebaixamento. As maiores economias da região estão entre os países com perspectiva negativa, casos de Brasil (Ba2, negativa), Chile (A3, negativa) e México (A3, negativa).

Crescimento médio de 2,7% na América Latina e Caribe

Segundo a Moody’s, o ciclo de crescimento econômico que teve início em 2017 provavelmente prosseguirá em 2018. Condições externas favoráveis, incluindo crescimento acima do potencial nos EUA e expansão mais forte na China, darão impulso a um crescimento médio de 2,7% na região, bem superior aos índices anuais de 1,9% em 2017 e 1,4% em 2016. “No entanto, a região será desafiada pelos elevados níveis de dívida, que continuarão crescendo”, afirma Ariane Ortiz-Bollin, vice-presidente assistente da Moody’s.

 A agência espera que os bancos centrais mantenham políticas monetárias acomodatícias, ou seja, juros mais baixos, uma vez que pressões inflacionárias permanecerão sob controle na maioria dos países. Mas fatores políticos domésticos podem criar volatilidade nos mercados financeiros.

 Nafta e populismo são riscos

A perspectiva regional incorpora a visão da Moody’s de que os riscos relacionados a política externa dos EUA para região concentra-se, no curto prazo, às renegociações do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Já as recentes eleições presidenciais em Equador, Chile e Honduras, e as que estão por vir em Colômbia, Brasil e México envolvem desafios ligados a crescentes demandas sociais e menor disponibilidade de recursos fiscais. O aumento da popularidade de candidatos que prometem mudanças políticas profundas ameaça reduzir, ou até reverter, a implementação de políticas e de reformas em alguns países.

Endividamento seguirá alto

O relatório destaca que não se espera que as altas taxas de endividamento dos governos declinem devido ao fato de que as receitas governamentais estão deprimidas e a uma relativa rigidez dos orçamentos, que dificultam cortes de despesas. Além disso, restrições relacionadas ao ano eleitoral movimentado provavelmente dificultarão esforços de consolidação fiscal. Ainda assim, a Moody´s espera que os níveis de endividamento cresçam apenas moderadamente para a maioria dos créditos soberanos ao longo de 2018.

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