Investidor poderá comprar ETF de renda fixa com R$ 10; B3 espera mais pessoas físicas

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O investidor poderá aplicar no novo fundo de renda fixa com cotas negociadas em bolsa (Exchange Traded Fund, o ETF) com valores a partir de R$ 10,00. Esse valor corresponde a uma cota do fundo apenas. Normalmente, a bolsa estabelece que as cotas sejam vendidas em lotes de dez, mas para incentivar o novo ETF, lançado hoje pela corretora Mirae Asset, a B3 eliminou a exigência de lote mínimo, explica André Pimentel, diretor da gestora e responsável pelo novo fundo. “A bolsa abriu uma exceção para tornar o investimento mais barato e acessível para o pequeno investidor”, afirma. Para comprar o ETF, é preciso ter conta em uma corretora. O código é FIXA-ETF01L1.

Segundo Pimentel, além do valor menor, o ETF de renda fixa, o primeiro do mercado brasileiro. terá outras vantagens, entre elas a diferença pequena entre os preços de compra e venda das cotas, o chamado spread. “Para isso, contratamos o BTG Pactual como formador de mercado, para incentivar as negociações e garantir liquidez para as cotas, e negociamos para que ele mantenha um spread justo”, afirma. “Muita gente não olha para isso, mas o spread é muito importante para o investidor, pois uma diferença muito grande entre compra e venda pode reduzir a rentabilidade do comprador ou vendedor”, diz.

Imposto só no resgate 

Outra vantagem será a possibilidade de o investidor ganhar com o adiamento do pagamento de impostos, já que hoje os fundos de renda fixa em geral pagam imposto de renda a cada seis meses, o chamado come-cotas, mesmo que o investidor não saque. No ETF, não haverá essa cobrança e o imposto será de 15%, a menor alíquota para a renda fixa. “As pessoas físicas terão esse incentivo fiscal, de diferir o imposto e só pagar na venda das cotas, o que é um diferencial importante em um momento em que o governo fala em acabar com essa vantagem nos fundos fechados, que hoje não têm o come-cotas.

Aplicação acompanha juros prefixados futuros

O executivo diz que o ETF seguirá um índice que tem apresentado boa rentabilidade nos últimos anos, calculado pela Standard & Poor’s. O índice S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros DI acompanha uma carteira de contratos futuros de DI (juros privados) de três anos de prazo, os mais negociados do mercado. “Nas nossas simulações, em 10, 5, 3 e 1 ano, esse índice tem superado o CDI, o que não deve ser visto como uma garantia, mas indica que ele é bastante competitivo”, afirma.

Mirae estuda ETF de juros de 10 anos

O ETF da Mirae vai ter taxa prefixada, que é a preferida dos investidores estrangeiros, como forma de atrair esses aplicadores, explica Pimentel. Inicialmente, a gestora vai oferecer esse ETF de três anos, mas estuda lançar um segundo, mais longo, de 10 anos. “Vai depender da liquidez do mercado”, diz. Ele acredita que os grandes fundos de pensão, os chamados investidores institucionais, devem se interessar pelo ETF de renda fixa, pois costumam guiar suas aplicações usando índices de mercado. Alguns investidores estrangeiros também demonstraram interesse pelo novo ETF de renda fixa.

ETF de renda fixa pode atrair mais pessoas físicas, espera B3

A expectativa da bolsa é que o novo ETF aumente a participação do investidor pessoa física no mercado e leve educação financeira para esse público, diz Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes da B3. “Ele conta com valor baixo e acessível para o pequeno investidor, liquidez, diversificação pois reúne vários prazos dentro de uma cota, e transparência por ser negociado em bolsa”, explica. Paiva espera que a versão em renda fixa ajude a aumentar a participação dos investidores no mercado de ETFs. “A participação dos ETFs no Brasil ainda é baixa, hoje temos 30 mil investidores que possuem ETF de ações na B3”, afirma.

Educação financeira para o investidor 

Segundo ele, o ETF de renda fixa deve trazer mais educação financeira para o país. “Temos agora o da Mirae, e depois virá o do Tesouro e nossa aposta é que eles se tornem um forte produto de educação financeira, levando as pessoas a olhar um pouco mais para essas opções, entendam o que é e comecem a migrar sua poupança para esse produto, ainda mais em renda fixa, que traz menos volatilidade que uma ação”, diz. “Vemos os investidores no Brasil muito conservadores, e eles precisam aprender a diversificar e o ETF pode ser um passo nesse movimento”, afirma.

Novos ETFs

Paiva lembra que o mercado de CDB hoje tem mais de 3,5 milhões de investidores com aplicações nesses papéis de bancos e 4 a 5 milhões de pessoas em fundos de investimentos. “O investimento tende a migrar com o conhecimento, primeiro, renda fixa, depois quem sabe ele vai para ação, e o ETF de renda fixa ajuda o investidor a ampliar esse conhecimento”, diz. Ele destaca as diferenças entre o ETF da Mirae, que será baseado em contratos futuros de juros, e o do Tesouro, que será montado pelo Itaú, e terá como base os títulos corrigidos pela inflação do governo, as NTN-B, que são acompanhadas pelo índice IMA-B. “Os dois vêm com muito foco na pessoa física, no caso do Itaú, 60% a 65% das intenções de investimento são de pessoas físicas e o da Mirae segue na mesma linha”, diz.

Aplicação semelhante a um fundo de investimento

Segundo ele, o investidor deve olhar para o ETF de renda fixa como um fundo de investimento, com regras e riscos, só que negociado em bolsa, com mais transparência, pois aplica e resgata com base nos preços de mercado via corretoras. Mesmo a oscilação das cotas deve ser positiva, avalia Paiva. “Assim como as oscilações do Tesouro Direto, essas altas e baixas educam o investidor a olhar a carteira com mais critério”, afirma.

Além do ETF de renda fixa, Paiva destaca como iniciativas para pessoas físicas a parceria da B3 com o Tesouro Direto, que já tem quase 700 mil investidores com posições e que bate ações e que serve de porta de entrada para o mundo de investimentos para muitos. “Já para investidores mais especializados, os traders, há outras novidades vindo aí, como o futuro de ações, mas é um investidor mais profissional”, diz.

Taxas de administração menores

As taxas dos novos ETF devem ser um pouco menores que os de ações, hoje em torno de 0,5% ao ano. A Mirae cobrará 0,3% no ETF de renda fixa e o Itaú deverá cobrar 0,25% ao ano. “E o valor de aplicação é muito baixo, R$ 10,00, o que também ajuda na educação financeira, pois o investidor pode testar com valores menores antes de aplicar um valor maior”, diz. “E há a vantagem da tributação, pois ela é sempre 15%, enquanto em outras aplicações, começa com 22,5% até seis meses e vai caindo para 20% de seis meses a um ano, , 17,5% de um a dois anos e 15% após dois anos”, lembra. “Aqui, se comprar em um dia e vender no outro, o investidor pagará 15%.”

Mirae espera trazer ETFs asiáticos para o Brasil 

A Mirae está em busca de oportunidades no mercado brasileiro, atuando como corretora e na oferta de papéis brasileiros no exterior, explica Jisang Yoo, presidente do grupo no Brasil. Por conta da recessão, o grupo reduziu um pouco as operações, mas continua buscando aumentar os negócios no país. “Vimos uma boa oportunidade no mercado de ETF e acreditamos que isto é só o começo desse negócio”, diz. “No futuro, teremos mais e mais investidores brasileiros em ETF”, acredita. “Nós somos muito fortes no mercado de ETF nos mercados asiáticos e talvez possamos trazer alguns desses produtos para listar no mercado brasileiro”, diz.

Segundo Jisang Yoo, a Mirae poderia ter começado com um ETF de ações, como os já existentes, mas considerou que seria melhor vir com um tipo diferente de fundo, por isso a opção pelo de renda fixa. “Poderíamos criar facilmente um ETF de Índice Bovespa, mas isso não teria nenhum diferencial, já há vários no mercado e qualquer um poderia fazer isso”, explica. “Estamos fundando o mercado brasileiro de ETF de renda fixa e esperamos crescer junto com ele”, diz. “No futuro, podemos lançar outros ETFs com produtos do mercado asiático, ou usando inteligência artificial, como temos nos Estados Unidos”, diz. “Temos uma rede internacional de ETFs em vários países e podemos trazer alguns produtos únicos para o Brasil”, diz. “Os ETFs são uma tendência mundial e estamos certos que haverá um mercado forte deles aqui no Brasil também”.

Mercado de US$ 4,8 trilhões

O presidente da Mirae observa que a indústria de fundos do Brasil tem hoje R$ 4,3 trilhões e pouco menos de 50% estão alocados em fundos de renda fixa, conforme classificação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Ou seja, é mais de R$ 1,9 trilhão já alocado nesta classe de ativos. Só o Tesouro Direto, que atende apenas Pessoas Físicas, possui R$ 48,8 bilhões, contando com mais de 2,2 milhões de investidores cadastrados. O potencial de crescimento para o ETF de Renda Fixa, portanto, é muito expressivo, pois globalmente existem mais de 5,6 mil ETFs com patrimônio aproximado de US$ 4,9 trilhões, ou cerca de R$ 20 trilhões, negociados em 66 bolsas.

 

 

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