Zoom decola com coronavírus e já vale mais que Vale, Petrobras e Ambev

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Impulsionada pela disparada da demanda em todo o mundo por causa da pandemia do novo coronavírus, que tem forçado famílias e empresas a se distanciar, a startup americana Zoom Video Communications viu sua cotação na bolsa de valores disparar neste ano. Dona do aplicativo de videoconferências mais popular do momento, a Zoom já supera gigantes brasileiros como a mineradora Vale, a petroleira estatal Petrobras e o Itaú Unibanco.

Desde o início do ano, o preço da ação da Zoom na bolsa americana de tecnologia Nasdaq se multiplicou por 2,52, chegando hoje a 173,52 dólares, o que corresponde a um valor total de mercado de 49 bilhões de dólares. À taxa de câmbio desta quarta-feira, 20, que é de 5,71 reais por dólar, o montante é de 279,8 bilhões de reais. A Vale, empresa mais valiosa da bolsa brasileira B3, está cotada hoje a 263 bilhões de reais, enquanto a Petrobras vale 241,8 bilhões de reais e o Itaú, 220,9 bilhões de reais.

A alta do dólar em relação à moeda brasileira nos últimos meses explica em parte o salto da Zoom em reais. Em janeiro, com o dólar na casa de 4 reais, a empresa americana valia 96 bilhões de reais. Desde então, a moeda americana ganhou 42,3% e está sendo vendida hoje a 5,693 reais. Mas, nesse período, a valorização da Zoom foi de 191,5%, evidenciando como as empresas tecnológicas têm sido preferidas pelos investidores às de setores tradicionais como os de matérias-primas. E como as companhias norte-americanas também estão em vantagem: nenhum outro país anunciou estímulos para a economia se reconstruir após a pandemia como os Estados Unidos, o que deve fazer com que o país saia da crise mais rápido.

Quando a Zoom entrou na Nasdaq, em abril de 2019, suas ações foram vendidas a 36 dólares, o que posibilitou à empresa levantar 752 milhões de dólares com a venda de papéis. A Zoom foi criada pelo chinês Eric S. Yuan, graduado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Antes de fundar a startup, Yuan trabalhava na empresa de tecnologia Cisco Systems, que tem uma solução de colaboração online parecida com a Zoom chamada Webex. Com a forte valorização da sua fatia de 19% na Zoom, Yuan entrou pela primeira vez no clube dos bilionários mundiais com uma fortuna estimada pela revista Forbes em 5,5 bilhões de dólares.

O mercado de videoconferências também é disputado por empresas como a Cisco Systems, a Microsoft (dona do Skype e do Teams) e o Google (dono do Hangouts).

A estratégia da Zoom Video Communications tem dado certo. Em 2019, a startup teve um faturamento de 622,7 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 88% ante 2018. No ano passado, a empresa informava ter mais de 82.000 clientes.

Além de vídeo ao vivo, o aplicativo da Zoom também permite trabalhar em equipe em tempo real e trocar mensagens de texto. O serviço está disponível na web e por meio de aplicativos para smartphones com sistema operacional Android e iOS (dos iPhones).

A solução de colaboração a distância da Zoom tem um período gratuito de uso e, depois que termina a cota de tempo pré-determinada de 40 minutos, a startup cobra uma assinatura de empresas interessadas em continuar a usar. A estratégia é a mesma usada por muitas grandes companhias de tecnologia, como a Netflix, que oferece acesso gratuito ao seu acervo de vídeos online por alguns dias antes de cobrar uma mensalidade.

Na China, país de origem da infecção respiratória covid-19, a Zoom eliminou temporariamente o limite de tempo para usuários gratuitos – uma estratégia para demonstrar amplamente os benefícios de seu serviço de videoconferência e colaboração online e, assim, conquistar clientes.

Agora, a Zoom Video Communications almeja converter novos assinantes em razão do impulso ganhado com a reclusão de pessoas para evitar o contágio do coronavírus. Se depender do ânimo dos investidores, vai dar tudo certo – ou muitos investidores que compraram ações da startup nos últimos dias vão perder dinheiro.

Por Denyse Godoy

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