Morgan Stanley prevê queda de 10% do dólar no curto prazo que pode desencadear explosão do Bitcoin

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O desempenho do Bitcoin em 2020 tem sido uma das grandes notícias para os mercados de investimentos, em especial o de criptoativos, que vive a expectativa iminente da maior criptomoeda vencer sua resistência final em US$ 20.000 e anotar nova máxima histórica.

As previsões de que o Bitcoin poderá, depois disso, valer US$ 100.000, US$ 350.000 e até US$ 1 milhão reforçam esta expectativa, mas quando isso poderia de fato acontecer?

Uma previsão de analistas do banco de investimentos Morgan Stanley nesta semana pode nos dar pistas de que a máxima histórica do BTC – testada algumas vezes nas últimas semanas – pode em breve desencadear uma disparada de preços para a maior criptomoeda.

Segundo o Morgan Stanley, a principal moeda de reserva do mundo, o dólar, deve perder mais valor em 2021, com até 10% de queda nos próximos 12 meses.

Mark Wilson, diretor de investimentos e estrategista-chefe de ações da instituição, disse:

“Um dólar mais fraco é útil para o mundo. Um dólar mais forte é mais uma restrição ao crescimento global. […] Em última análise, é uma história positiva para a reflação”.

Segundo matéria da Exame, o mercado cripto acompanha atentamente a desvalorização das moedas nacionais, especialmente o dólar. Para o executivo-chefe da MicroStrategy, Michael Saylor, uma das empresas que mais comprou BTC no mundo em 2020, o investimento na criptomoeda hoje é uma proteção econômica:

“Estamos tentando preservar nosso tesouro. O poder de compra do dinheiro está se degradando rapidamente”

O trader da Crypto Broker AG Patrick Heusser também acredita que a desvalorização do dólar pode desencadear uma explosão de preços do BTC, especialmente quando a moeda superar os US$ 20.000:

“Se um dos lados quebrar, acredito que veremos ‘fogos de artifício’, especialmente no lado positivo”

No mercado brasileiro, a expectativa de desvalorização do dólar encontra dois pontos de contato: algum sinal de recuperação do real, a moeda que mais perdeu valor no mundo em 2020, e novas máximas para o Bitcoin no país, que chegou a R$ 104.000 no auge do atual rali.

A professora de economia e coordenadora do Núcleo de Estudos da Conjuntura Econômica da FECAP, Nadja Heiderich, porém, não espera que o dólar baixe seu valor contra o real antes do segundo semestre de 2021. Em entrevista ao Jornal Contábil, ela diz que o futuro da economia brasileira ainda é incerto:

“Podemos dizer que estruturalmente vamos ter por um bom tempo uma taxa maior do que tivemos anos atrás. Por conta da taxa de juros mais baixa, a nova realidade do dólar estará entre R$ 4,00 e R$ 5,00. Parte da Taxa Selic de hoje é por conta da pandemia e das reformas estruturantes que não avançaram. Passada a pandemia, no próximo semestre, se houver recuperação da atividade econômica e o Governo respeitar o teto de gastos, voltando a ter o controle das contas públicas, espera-se que a taxa caia aos poucos. Ela não vai cair bruscamente agora”.

Nesta sexta-feira, o Bitcoin é negociado a US$ 19.143 nas exchanges globais e R$ 99.631 no Brasil. Já o dólar tem cotação de R$ 5,16.

Por Lucas Caram

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