Grupo Pão de Açúcar (PCAR3): Lucro dos controladores alcança 2,178 bilhões, alta de 174,9%

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O GPA divulgou lucro dos acionistas controladores, base para pagamento de dividendos, alcançando R$ 2,178 bilhões em 2020, alta de 174,9% na comparação com 2019.

Os resultados do Pão de Açúcar (BOV:PCAR3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 23/02/2021. Confira o Press Release completo!

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 4T20 e referente ao ano de 2020. Confira a cobertura completa de todos os balanços referente ao ano de 2020 das empresas negociadas na B3.

4T20

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) teve lucro de R$ 1,59 bilhão no quarto trimestre, ante lucro de R$ 94 milhões em igual período de 2019.

A forte alta do resultado é, dentre outros fatores, pelo ganho de uma ação para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, além da melhora do resultado financeiro líquido e maior resultado da equivalência patrimonial.

Segundo o GPA, o efeito do ganho judicial na receita líquida e no lucro bruto da companhia chegou a R$ 834 milhões, descontando uma baixa de créditos fiscais referentes à MP do Bem, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A receita do grupo varejista somou R$ 14,77 bilhões, montante 58,5% maior que o apurado no quarto trimestre de 2019. O faturamento bruto chegou a R$ 15,4 bilhões, alta de 51,4%.

O resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 240 milhões, ante R$ 267 milhões negativos de um ano antes. Fatores não recorrentes, como a exclusão do ICMS da base de cálculo de impostos, contribuíram para a melhora da linha, segundo o GPA.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 33,4%, a R$ 2,27 bilhões.

Teleconferência

O GPA disse que o seu modelo premium de lojas, do Pão de Açúcar, será prioridade em 2021, afirmou o comando em teleconferência com analistas nesta manhã. O GPA prevê abrir 50 unidades do Pão de Açúcar em três anos e 100 unidades do Minuto Pão de Açúcar também nesse prazo.

A ideia é que modelos premium sejam 40% da rentabilidade no futuro. No Pão de Açúcar é 26% e na rede Minuto, 30%.

A empresa foi questionada por analista sobre desempenho de venda do Pão de Açúcar ainda abaixo dos outros formatos. O Pão de Açúcar cresceu menos que a empresa em 2020, segundo o balanço do quarto trimestre.

O comando disse que houve migrações de consumidores entre cidades ao longo de 2020, com a pandemia, que fez parte dos clientes mudarem de residência, e além disso houve migração de clientes da bandeira para formatos mais baratos.

“Vamos mitigar esses efeitos em 2021, com um movimento contrário do que vimos [ em 2020]”, disse Jorge Faiçal, presidente do braço de varejo do GPA.

Segundo ele, o “nível de Ebitda do Pão cresceu” e “um evento de curto prazo [a pandemia] não irá mudar a estratégia central daqui para frente”.

Ele ainda disse que a marca própria Taeq teve faturamento acima de R$ 4 bilhões em 2020.

Sobre o formato de hipermercados Extra, o GPA reforçou que vem mudando a política comercial em certas categorias de lojas, operando com preço mais baixo de forma constante e menos promoções — algo que ocorre desde 2020 —, e afirmou que isso começou com 23 lojas.

Faiçal foi perguntado se o GPA ainda pode fechar hipermercados do grupo — a empresa chegou a dizer em fevereiro que fecharia 10 unidades com desempenho baixo. Hoje, a direção afirmou que esse encerramento pode afetar de 5 a 6 hipermercados Extra deficitários.

O comando voltou a responder dúvidas de analistas sobre a linha de “outras despesas”, como efeito de contigências fiscais. Em teleconferências recentes, esse assunto já havia sido abordado pela diretoria financeira, por ser uma linha frequente nos balanços. O grupo disse que tem provisionado essas contigências e não há risco adicional neste ano.

James Delivery

O GPA informou hoje, em teleconferência com analistas sobre resultados no quarto trimestre, que deixará de utilizar apenas o James Delivery na entrega final ao cliente e irá explorar outras plataformas. Ontem, a empresa fechou as primeiras operações de venda pelo Rappi, disse o presidente do braço de varejo, Jorge Faiçal.

“Compramos o James Delivery para focarmos nele, mas o mercado ficou competitivo com muitos investimentos no setor e mudamos nossa estratégia e estamos indo para plataformas mais colaborativas e indo para outras plataformas, além do James”, disse ele.

A intenção inicial da empresa era espalhar a operação de James pelo país, sediada no sul do país, para o resto do país. Por isso, o GPA abandonou o Rappi em 2018, cancelando o contrato. Naquele ano, a plataforma fechou um acordo com o concorrente direto do GPA, o Carrefour, meses após o GPA tomar a decisão de focar só no James.

A abertura do GPA é uma mudança de foco e pode ser uma medida tomada para acelerar ritmo de entregas da empresa.

Além disso, Faiçal disse que a empresa irá operar em marketplaces (shopping virtual) estabelecidos no país, e citou diretamente o Mercado Livre. “Vender no Mercado Livre faz parte da nossa estratégia”, disse.

No país, ainda há outras operações nesse setor, como Americanas.com e Magazine Luiza. Sobre a hipótese de fazer acordos com outras empresas de marketplace, Faiçal não deu detalhes.

“Não queremos ser o parceiro exclusivo dessas empresas, mas ser o grande parceiro. Temos escala nacional, 800 lojas que podem ser hub de distribuição e temos a experiência da entrega do produto fresh. Para isso você tem que ter a última milha. A exclusividade vamos conquistar, e não por em contrato”, afirmou.

Ele disse que o James vai pode trabalhar com outros supermercadistas que quiserem fechar acordo com GPA e usar a plataforma.

Faiçal disse que há um cenário de extrema volatilidade com o risco de toques de recolher no país, o que muda a operação noturna das lojas. “Há cidade que não se pode vender bebidase outras que fecharam até supermercados. Cenário está volátil”.

“Estamos muito cautelosos e estamos se preparando para esse quadro desde o terceiro trimestre para manter solidez de Ebitda que entregamos em 2020”.

A companhia ainda informou que o braço digital do GPA vendeu R$ 1,1 bilhão em 2020, 5% do total, ante 2% de participação em 2019.

Christophe José Hidalgo, diretor presidente interino, afirmou que o digital será mais priorizado em 2021.

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse

O Credit Suisse também comentou os resultados do Pão de Açúcar para o quarto trimestre, que posicionaram o Assaí como uma operação descontinuada. O banco disse avaliar positivamente o Pão de Açúcar, devido a seu perfil defensivo no varejo de alimentos, importante devido às incertezas do cenário em 2021.

O banco diz ver com bons olhos o aumento da penetração de marcas privadas rumo a 20% do segmento alimentício no Brasil e o incremento do programa de fidelidade Stix. O banco diz ver com bons olhos a perspectiva de listagem do segmento de atacarejo do grupo.

Credit  Suisse mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 112,00.

Safra

O Safra afirmou em relatório que as ação ordinárias do Grupo Pão de Açucar (GPA) são as preferidas para investir no varejo alimentar brasileiro.

O banco de investimento ponderou que voltará sua atenção à avaliação das operações do multivarejo, já que pode haver um “descasamento” quando as ações da varejista começarem a ser negociadas separadamente aos papéis da rede Assaí, no dia 1º de março.

Por outro lado, o Safra acredita que, somado aos resultados já divulgados pelo Assaí (que vieram em linha com sua previsões), os números das redes de mercados do grupo ajudarão a sustentar os preços das ações.

Na visão do banco de investimento, o GPA reportou bons resultados na divisão de multivarejo durante o quarto trimestre de 2020. O principal destaque da empresa varejista foi a melhoria consistente com a série de iniciativas para reformular a bandeira Pão de Açúcar e aprimorar a proposta de valor do hipermercado Extra.

Outro destaque mencionado foi o crescimento contínuo do varejo on-line, já que a companhia atingiu R$ 1,1 bilhão de vendas totais em 2020, montante três vezes maior em relação ao ano anterior.

O Safra manteve recomendação de compra para os papéis do GPA, com preço-alvo em R$ 102,00.

XP Investimentos

De acordo com a XP Investimentos, a companhia entregou um resultado muito sólido nas duas operações, com destaque para a performance de vendas das lojas remodeladas e para a rentabilidade entregue no GPA Brasil (margem EBITDA em 9,0%), acima da operação multivarejo do Carrefour Brasil (margem EBITDA em 8,1%).

Os analistas acreditam que os resultados devem permanecer sólidos no curto prazo para o setor como um todo, vendo estruturalmente melhor no “novo normal” do que antes da pandemia devido a políticas flexíveis de home office e novos hábitos de consumo. Além disso, a cisão da operação do Assaí deve ser um evento importante para destravar valor aos acionistas do Pão de Açúcar, enquanto veem os resultados como uma sinalização positiva da perspectiva das operações de GPA Brasil.

XP Investimentos mantém recomendação de Compra e preço-alvo para o fim de 2021 de R$ 103,00.

Pensando em investir no Pão de Açúcar?

Pão de Açúcar é uma rede de supermercados pertencente ao GPA, fundada na cidade de São Paulo. Possuem o foco nos consumidores de perfil cosmopolita das classes A e B.

O Pão de Açúcar (GPA) possui valor de mercado de R$ 17,5 bilhões. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.

Governança Corporativa

Em março, o Grupo Pão de Açúcar concluiu o processo de migração das ações para o Novo Mercado, segmento da B3 com os mais elevados padrões de governança corporativa. Com a migração, o capital social do GPA negociado em bolsa passou a ser composto somente por ações com direito a voto, as chamadas ações ordinárias (ON).

Composição Acionária

O capital social do GPA (CBD) é representado por 268,4 milhões de ações. As ações livremente negociadas (free-floating) representam 58,4% do total de ações emitidas.

Ações Ordinárias (Milhões) %
Grupo Casino 110,5 41,2%
Diretores e Conselheiros 0,7 0,3%
Ações em Tesouraria 0,2 0,1%
Free-Float 157,0 58,5%
TOTAL 268,4 100,0 %

Desempenho da empresa na B3

No último ano, as ações do Pão de Açúcar oscilaram entre a mínima de R$ 53,00 e a máxima de R$ 90,80. No último pregão antes da divulgação do resultado do 4T20, a empresa fechou em alta de 0,27%, negociada a R$ 89,67.

Confira o histórico do Pão de Açúcar (PCAR3)

Período Abertura Máxima Mínima Preço Médio Vol Médio Variação Variação %
1 Semana 88,99 90,80 85,74 88,48 1.973.040 1,34 1,51%
1 Mês 75,14 90,80 73,38 84,51 1.711.500 15,19 20,22%
3 Meses 68,17 90,80 66,10 78,06 1.530.787 22,16 32,51%
6 Meses 65,11 90,80 61,06 72,35 1.685.187 25,22 38,73%
1 Ano 82,00 90,80 53,00 69,49 1.775.058 8,33 10,16%
3 Anos 85,01 100,00 53,00 69,49 1.557.858 5,32 6,26%
5 Anos 55,16 130,00 40,33 69,49 1.485.166 35,17 63,76%
* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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