Tendências de investimentos para VLID3, MGLU3, VVAR3, NTCO3 e outras

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A consultoria PriceWaterhouseCoopers recentemente lançou o estudo 5 problemas mundiais urgentes, que, segundo eles, irão afetar a todos no mundo pós-pandemia. Para ser mais fácil de entender, eles criaram um acrônimo para esses efeitos: ADAPT. Se bem que, se usassem o passado daquela palavra com F tão utilizada nos livros de autoajuda hoje, seria mais apropriado. Vamos entender como cada uma dessas tendências impacta nos seus investimentos.

Primeira tendência – A, de Assimetria

Hoje, de acordo com o banco Credit Suisse, 1% da população detém 44% da riqueza mundial. Se as tendências continuarem como estão, esse 1% mais rico deterá 64% da riqueza do mundo em 2030. E não me venha culpar a pandemia. Esse estudo britânico foi lançado em 2018.

Do outro lado, as Nações Unidas apontaram que a pandemia foi a gota d’água que lançará 207 milhões de pessoas na extrema pobreza durante a próxima década. Só para lembrar: o Banco Mundial diz que “extrema pobreza” é ganhar menos que 1 dólar e 90 centavos por dia, ou, por cima, menos que trezentos reais por mês.

O que isso afeta nos seus investimentos:

Essa tendência é tudo o que governos mundo afora não gostam: menos gente pagando imposto e consumindo, mais pessoas dependentes de programas sociais. Para manter o dinheiro entrando, há duas saídas:

  • Um – investir em estatais ou parcerias público-privadas: pode beneficiar empresas de construção e, se a coisa complicar, alimentos.
  • Dois – vigiar mais de perto quem pode pagar impostos. Ponto para empresas de tecnologia da informação, que podem dedurar nossos ganhos e gastos para as autoridades. É o caso da Valid (VLID3). Segura aí que vamos falar mais dela nos próximos vídeos.

Segunda tendência – D, de Disruptura

Já dissemos antes que a pandemia acelerou em até dez anos a nossa adoção de novas formas de comprar. E essa tendência pode acelerar. Cada vez mais empresas vão buscar novas maneiras de conquistar esse novo cliente. De fato, estamos mudando tão rápido que as grandes empresas não têm como produzir essas novas formas de se comunicar com os clientes. A única saída é ir às compras.

E como estão comprando…

  • 22 de novembro de 2020: mal chegaram na Bolsa e as farmácias D1000 (DMVF3) fizeram sua aposta no digital. Em vez de comprar, se associaram à Ame Digital, da B2W.
  • 30 de novembro: a ViaVarejo (VVAR3) terminou de adquirir a i9XP, desenvolvedora de soluções e integração de marketplace.
  • 21 de dezembro: a Magalu (MGLU3) comprou a fintech Hub. Assim, todo mundo que vende e compra por meio de seu marketplace passa a ter um banco digital próprio.
  • 29 de dezembro: a B2W (BTOW3) comprou a Parati Financeira, que produz sistemas para fintechs.

A tendência é tão presente que o Itaú BBA criou um fundo de inovação, composto das 15 empresas mais inovadoras da B3.

O problema é que vai ser cada vez mais fácil ficar para trás nessa corrida. Muitas companhias grandes correm o risco de perder mercado, e menores podem desaparecer.

Terceira tendência: A, de Age – ou Idade

Falamos bastante sobre o envelhecimento da população mundial no vídeo da Crise da Aposentadoria.

Segundo o estudo de Perspectivas da População Mundial, feito pelas Nações Unidas em 2019, 1,2% dos brasileiros tinham 80 anos ou mais em 2000. Em 2020, seria 1,9%. Em 2050, deverão ser 4,4%. Antes disso, esse pessoal sofre mais. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) da Fundação Getulio Vargas. Para o público com mais de 60 anos, durante os 12 meses de 2020, os preços subiram 5,69%. Para o público em geral, a inflação foi de 5,17%.

Por enquanto, o mercado para os vovôs engatinha. Viagens, academias, condomínios começam a aparecer, mas ainda é pouco. Esse é um mercado que só vai crescer daqui para frente. Fique de olho nas empresas que abraçarem os velhinhos primeiro.

Quarta tendência – P, de Polarização

Não precisamos nem falar. Do 5G da Huawei às vacinas, passando pelo programa de trainee da Magalu (MGLU3) à proibição de extremistas nas redes sociais, não faltaram polêmicas nos últimos meses. E tudo tende a piorar. Conforme pessoas são expulsas das redes sociais tradicionais, vão se refugiar em redes mais obscuras, onde somente pessoas com pensamento parecido estão. E, sem troca de ideias, sem ver o outro lado, só há um resultado: se afundar cada vez mais em um extremismo perigoso.

E isso vale para todos os lados: esquerda, direita ou enviesado. Isso coloca as empresas em uma situação complicada: de um lado, exige-se que elas tenham cada vez mais presença em suas cidades, que representem algo. Por outro, assim que se posicionarem, correm o risco de perder uma parcela de clientes. Um exemplo de quem faz isso bem é a Natura (NTCO3), que levanta a bandeira da sustentabilidade há muito tempo, além de desenvolver outros projetos, como o Natura Musical, já em sua décima quinta edição.

Enquanto cuida de sua imagem aqui, prepara-se para invadir o mercado chinês. Um dos atrativos para chamar atenção das chinesas é o fato de a marca não fazer testes em animais. Já é possível encontrar produtos da Aesop e Body Shop por lá, mas a intenção da empresa é usar sua marca principal. Ou algo muito parecido.

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Quinta tendência – T, de Trust – ou Confiança

Algo derivado da tendência anterior. Quanto mais as pessoas se isolam em seus grupinhos, mais desenvolvem algumas teorias da conspiração e muitas teorias da piração. Com isso, a mídia tradicional continuará a sofrer, bem como algumas instituições sérias. E governos também. Como vimos recentemente nos Estados Unidos, a ameaça vem muito mais de dentro, do seu vizinho, do tio do pavê, da cunhada do WhatsApp, do que de fora. A resposta? Tome mais vigilância sobre tudo o que fazemos. Como vimos na primeira tendência.

Então, aproveita que ainda não tem ninguém vigiando e comenta aí como essas cinco tendências vão mudar seus investimentos. E confira também o vídeo deste texto, uma outra maneira de ver tudo isso!

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