CVC (CVCB3): prejuízo líquido de R$ 81 milhões, queda de 61,8%

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A operadora de turismo CVC registrou prejuízo líquido atribuído aos controladores de R$ 81 milhões no terceiro trimestre deste ano, queda de 61,8% em relação ao mesmo período de 2020 em meio à retomada de reservas de viagens.

Embora tenha havido uma consistente melhora, o resultado ainda apresenta indícios dos efeitos produzidos pela pandemia da Covid-19 no turismo nacional e mundial e, consequentemente, nas operações da CVC.

A receita líquida somou R$ 230,3 milhões no período, o que representa salto de três vezes no comparativo anual. A companhia destaca que, impulsionadas pela retomada de planos de viagens e pelo avanço da vacinação no Brasil e na China, as reservas confirmadas alcançaram 64% do terceiro trimestre de 2019, no período pré-pandemia.

ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – foi revertido de negativo para positivo no terceiro trimestre deste ano: saiu de menos R$ 132,342 milhões há um ano, para R$ 14,255 milhões positivos agora. O Ebitda ajustado seguiu o mesmo caminho: saiu de negativos R$ 126,219 milhões para R$ 486 mil agora.

A expectativa era de melhora, com a retomada do setor de turismo, já que há flexibilizações em todos os estados brasileiros e as fronteiras entre países voltam a ficar abertas, com a alta no número de vacinados.

“No Brasil”, ressaltou a empresa, “é importante destacar as férias de julho, que aumentaram a demanda no período. Enquanto isso, na Argentina, houve sucesso na campanha de vendas ‘Travel Sales’ e demais iniciativas do governo argentino para fomentar o turismo regional”.

As despesas financeiras líquidas impactaram negativamente com aumento de 30,9% (ou R$ 14 milhões), pela redução da receita com variação cambial.

Este impacto, porém, foi parcialmente compensado pelo aumento nas receitas financeiras que totalizaram R$ 45,2 milhões frente ao R$ 27,9 milhões no mesmo período do ano passado, ressaltou a empresa.

Os resultados da CVC Brasil (BOV:CVCB3) referente suas operações do terceiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 16/11/2021.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

O Bradesco BBI aponta que os resultados ainda foram fracos, mas em vias de recuperação. O crescimento sequencial de reservas confirmadas de 75% mostra que há demanda reprimida e, apesar de alguma defasagem nas reservas totais (embarque) versus reservas confirmadas (vendas), embarques estão acontecendo, o que ameniza as preocupações na receita.

Além disso, a administração informa que as reservas domésticas no quarto trimestre estão em níveis semelhantes aos de 2019. “No entanto, a dor de cabeça do cancelamento das reservas pré-COVID permanece, pois há um saldo remanescente de R$ 830 milhões”, avaliam os analistas. Já do lado positivo, há recuperação com menores cancelamentos e menor participação de embarques pré-Covid.

No geral, as reservas CVC e o desempenho da receita estão amplamente em linha com o número de passageiros e a capacidade de assentos disponíveis relatados pela companhia aérea Gol no terceiro trimestre de 2021, com Azul e Gol exibindo visões otimistas no mercado doméstico (lazer e corporativo), mas mais conservador no negócio internacional, já que a desvalorização do real está levando ao aumento das passagens aéreas. Portanto, embora o ímpeto esteja melhorando, a visibilidade permanece limitada, avaliam os analistas.

Bradesco BBI mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 20,00…

Citi

Apesar de o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da CVC ter sido de R$ 33 milhões negativos no terceiro trimestre, acima da expectativa de R$ 14 milhões negativos do Citi, o banco americano diz que o desempenho é explicado por maiores gastos operacionais, com as receitas subindo bem acima do esperado.

“As reservas brutas tiveram uma recuperação impressionante, chegando a 64% do patamar visto em 2019 no Brasil, acima de nossa estimativa de 45%”, escrevem os analistas João Pedro Soares e Felipe Reboredo. Eles apontam que as receitas de R$ 2,56 bilhões vieram 42% acima das projeções.

Apesar da recuperação mais rápida que o esperado, o banco destaca que o resultado operacional da CVC ainda está fraco, impactado pela alta nos custos de venda, especialmente no Brasil.

Citi tem recomendação neutra com preço-alvo em R$ 23,00.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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