Por que o Brasil é a grande aposta latino-americana para exchanges globais de criptomoedas

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Em meio a um boom de criptomoedas no Brasil, várias bolsas globais veem o nosso país como o principal mercado da América Latina em 2022.

O interesse de Binance, Coinbase, Crypto.com e outras exchanges no Brasil vem crescendo à medida que a maior economia da região luta com desequilíbrios econômicos significativos.

O Brasil registrou uma taxa de inflação de 10% em 2021 e uma desvalorização constante do real brasileiro em relação ao dólar americano, o que empurrou a moeda local de US$ 0,25 em janeiro de 2020 para US$ 0,18 este mês.

Esse coquetel de desequilíbrios macroeconômicos alimentou o boom das criptomoedas nos últimos anos. Em 2020, as exchanges de criptomoedas começaram a perceber que os traders brasileiros de stablecoins estavam quadruplicando em número.

Entre janeiro e novembro de 2021, os brasileiros negociaram US$ 11,4 bilhões em stablecoins e quase triplicaram o total negociado em 2020, enquanto o comércio de bitcoin atingiu US$ 10,8 bilhões no mesmo período, segundo a Receita Federal.

Os brasileiros têm incentivos para comprar criptomoedas em vez de dólares americanos para se proteger contra inflação ou desvalorização. Ao adquirir moeda estrangeira, os brasileiros são obrigados a pagar um imposto sobre operações financeiras – IOF – que varia entre 1,1% e 6,38%. O imposto não se aplica a stablecoins.

Além disso, o Banco Central do Brasil proíbe os brasileiros de guardar dólares americanos em uma conta bancária doméstica. Certamente, a autoridade monetária aboliu essa proibição ao aprovar uma nova estrutura cambial em dezembro de 2021, mas ainda não a implementou.

Os brasileiros também priorizam as criptomoedas em detrimento de outros investimentos mais tradicionais. De acordo com dados do Banco Central do Brasil (BCB), em agosto de 2021, os brasileiros detinham US$ 50 bilhões em criptomoedas, em comparação com US$ 16 bilhões em ações dos EUA.

Os brasileiros estão familiarizados com o dinheiro digital, já que o país lidera os pagamentos digitais na América Latina. Em outubro de 2020, o BCB lançou um sistema de pagamentos de varejo em tempo real, o Pix, que em novembro de 2021 contava com mais de 104 milhões de usuários – em um país de 214 milhões – e concentrava mais de 70% do total de transações.

Na arena cripto, o BCB planeja realizar os primeiros testes de sua CBDC em 2022, enquanto o senado discutirá três projetos de lei que buscam definir as regras para o ecossistema cripto no país.

A Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo em volume, tem um interesse especial no Brasil. “É um mercado estratégico chave para a Binance, com certeza. É o maior mercado da América Latina em todas as métricas e com enorme potencial; e também é muito importante para a empresa globalmente”, disse a empresa.

Nos últimos três anos, a Binance se concentrou na contratação de brasileiros para fortalecer sua equipe de suporte, disse a empresa. Agora, a bolsa busca um gerente geral para liderar seus negócios no Brasil, segundo uma das oito vagas que tem no país.

Em novembro de 2020, a Binance começou a aceitar reais brasileiros por meio de um gateway fiduciário, o que aumentou o número de usuários ativos em transações em 125% em 2021 em comparação com o ano anterior, disse a empresa.

Nesse mesmo mês, a exchange de criptomoedas Coinbase (BOV:C2OI34) anunciou a criação de um hub de engenharia no Brasil, para o qual tem nove vagas abertas em sua página de carreiras. A empresa parece ter um interesse particular em serviços de pagamento.

A exchange de criptomoedas com sede em Cingapura, Crypto.com, é outro peso pesado que busca se expandir para o Brasil.

Segundo Guilherme Sacamone, chefe de crescimento da Crypto.com no Brasil, a empresa atua no mercado local há “alguns meses” e atualmente trabalha para integrar sua carteira fiduciária ao sistema de pagamentos do governo, o Pix. Além disso, a Crypto.com planeja lançar um cartão de débito Visa no Brasil, disse Sacamone, sem fornecer uma data exata de lançamento.

A Crypto.com também busca um country manager para liderar sua operação brasileira, além de fortalecer sua base de clientes institucionais por meio da contratação de um diretor de vendas institucionais.

“A América Latina é uma região importante para a Crypto.com e o Brasil, sendo seu maior mercado, tornou-se uma prioridade global para a empresa”, disse Sacamone.

O Brasil também começa a atrair bolsas europeias. A Bit2me, uma exchange de criptomoedas espanhola que levantou 20 milhões de euros por meio de uma oferta inicial de moedas em 2021, planeja chegar durante o primeiro trimestre de 2022, disse o CEO da Bit2Me, Andrei Manuel, à CoinDesk.

A Bit2Me planeja permitir que os usuários comprem e vendam criptomoedas com moeda fiduciária e forneçam criptomoedas para negociação. Tem uma equipe de 20 pessoas no Brasil e planeja contratar mais 20 funcionários em 2022 para aumentar suas equipes de marketing, compliance, produto e suporte, acrescentou o executivo.

Mas o fervor pelo mercado brasileiro não se limita às trocas. A empresa global de pagamentos Ripple considera o Brasil o principal gatilho para o crescimento na América Latina. Atualmente, está procurando um gerente de desenvolvimento de negócios para coordenar “relações estratégicas” que incluem “empresas de pagamento e fintech, instituições financeiras e players de infraestrutura de ativos digitais”, entre outros.

Uma luta regional

As exchanges regionais de criptomoedas que já operam em mercados de língua espanhola também estão de olho no Brasil. Mas eles enfrentam o desafio de competir com o player local dominante do Brasil, o Mercado Bitcoin.

Fundado em 2014, o Mercado Bitcoin é a maior exchange de criptomoedas do Brasil, com 3,2 milhões de usuários. Também arrecadou US$ 250 milhões em uma rodada de financiamento da Série B do Softbank em 2021, tornando-se o primeiro unicórnio cripto brasileiro.

O principal concorrente do Mercado Bitcoin no Brasil é a Bitso, uma exchange de criptomoedas com sede no México que levantou US$ 250 milhões em uma rodada de financiamento da Série C que a tornou o primeiro unicórnio de criptomoedas da América Latina.

José Molina, vice-presidente de marketing da Bitso, disse que a empresa planeja se tornar a maior exchange do país em 2022. Embora não tenha divulgado sua base de clientes no Brasil, a Bitso disse que sua unidade de negócios brasileira cresceu 97% nos últimos seis meses.

Atualmente, a Bitso tem mais de 30 vagas de emprego no Brasil com o objetivo de “crescer rapidamente”, disse Molina. A empresa contratou o veterano do Facebook Vaughan Smith em agosto de 2021 para impulsionar sua expansão no país.

A Bitso tem mais usuários que o Mercado Bitcoin – 3,7 milhões contra 3,2 milhões – quando contabiliza Argentina, Brasil, Colômbia e México, que são os mercados em que atua atualmente.

Mas os números podem mudar em 2022, já que o Mercado Bitcoin está procurando se expandir para a parte de língua espanhola da América Latina por meio de aquisições na Argentina, Chile, Colômbia e México, disse o CEO da 2TM, Roberto Dagnoni.

A Bitso não é a única exchange de criptomoedas da América Latina voltada para o Brasil. Em janeiro de 2021, a exchange de criptomoedas com sede na Argentina Ripio adquiriu a BitcoinTrade, a segunda maior exchange de criptomoedas do Brasil.

Para 2022, planeja lançar sua mesa de operações corporativas, Ripio OTC, voltada para investidores institucionais e traders de alto patrimônio líquido, disse o country manager da Ripio Brasil, Enrique Teixeira. Paralelamente, a empresa está trabalhando em “vários produtos de pagamento” com a Visa Brasil, incluindo um cartão criptográfico e vários projetos com empresas de fintech locais.

As informações são da CoinDesk.

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