Eletrobras dá início a diversas iniciativas para começar a transformação da companhia

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A atual gestão da Eletrobras deu início a diversas iniciativas para começar a transformação da companhia, de forma a deixar definitivamente para trás seu caráter estatal e passar atuar como empresa privada. Enquanto aguarda a chegada de Wilson Ferreira Jr. para assumir a presidência da elétrica, o que é esperado até 20 de setembro, a diretoria que permanece no comando da empresa trabalha em algumas das frentes que prometem “alavancar valor”, como comercialização de energia, aumento da eficiência e acordos judiciais, explicaram os executivos da companhia, em teleconferência com analistas e investidores.

Considerado um dos principais motivos para a capitalização da companhia, que resultou em sua privatização, a chamada “descotização” das usinas – isto é, a concessão de novos contratos de concessão, que alteram o regime de operação das hidrelétricas do atual sistema de cotas para a Produção Independente – vai aumentar o volume de energia que a companhia terá à disposição para comercializar no mercado livre no curto e médio prazos, o que está levando a companhia a se reorganizar nessa frente de negócios.

“Esse é um dos temas prioritários da Eletrobras, e a companhia vem trabalhando para melhorar seu processo de comercialização, buscando sinergias e política de comercialização”, disse o atual presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, que foi eleito diretor de regulação e relações institucionais, posição que deve ocupar após a chegada de Ferreira Jr.

De acordo com ele, a descotização adiciona 6,7 gigawatts médios (GWmed) em energia a ser comercializada pela empresa, volume que cresce para cerca de 15 GW médios a partir de 2027, quando se encerram contratos atualmente existentes junto a outras usinas, como Tucuruí. “Tem um volume muito grande de energia para comercializar. Sem dúvida (a comercialização) é uma das áreas de maior potencial da companhia depois da privatização”, afirmou o executivo.

Limp define o aumento significativo do volume de energia a ser comercializado como “desafiador”, mas lembra que a Eletrobras já tem experiência no mercado livre. “Agora temos um volume muito maior, com prazo de inserção relativamente curto, de cinco anos. Mas temos expertise grande e vamos procurar aprimorar essa estratégia de comercialização no curto prazo e no médio e longo prazos”, disse.

De acordo com o executivo, a Eletrobras já vinha desenhando sua atuação no segmento de comercialização de energia antes mesmo da privatização, mas haverá um aprimoramento da política. O diretor de geração da empresa, Pedro Jatobá, explicou que a empresa já vinha desenhando essa atuação há pelo menos três anos, que o objetivo é que as subsidiárias da Eletrobras atuem de maneira integrada, como uma única empresa. “Estamos desenhando política e estratégias de curto prazo”.

Em outra frente, a atual gestão também está aprimorando a política de acordos judiciais, para torná-la mais ágil e eficiente, uma vez que as regras atualmente vigentes consideram a Eletrobras uma estatal e agora, privatizada, a companhia ganha mais flexibilidade para essas negociações.

Limp lembrou que a companhia possui atualmente R$ 25 bilhões em provisões relacionadas a empréstimos compulsórios e outros passivos, por isso a potencial redução do contencioso é considerada uma importante “alavanca de valor” pós-privatização. “Agora, deixando de ser estatal, a companhia ganha flexibilidade”, disse.

Outra frente sob avaliação e ajuste são os estatutos da holding e subsidiárias, bem como as participações da companhia em outros ativos. Conforme explicou Limp, os documentos estão sendo adaptados à nova condição de empresa privada, trabalho que deve ser revisado após a chegada de Ferreira Jr.. A diretora de Governança, Riscos e Conformidade, Camila Araújo, confirmou que a intenção da ex-estatal é acessar o Novo Mercado da B3 e para isso novas mudanças devem ser feitas no Estatuto.”Estamos vendo tudo que era estatal para excluir do Estatuto e analisando o que será preciso para entrar no Novo Mercado, que é nosso objetivo”, disse a executiva.

Limp comentou que pretende reavaliar os ativos nos quais possui participação. De um lado, o plano é avaliar oportunidades de alienação, e para isso a companhia têm executado um trabalho jurídico visando liberar ações dadas como garantia em processos judiciais, a exemplo do que foi feito na CEEE-T. De outro lado, a companhia também planeja avaliar a possibilidade de consolidar participação em ativos nos quais a companhia é acionista com participação relevante, como Belo Monte.

Contudo, em relação à hidrelétrica localizada no Rio Xingu, há algumas questões a serem avaliadas como o endividamento da subsidiária e o aumento da exposição da Eletrobras à geração hídrica. “Aumenta capacidade de geração da companhia, mas, por outro lado, tem dívida elevada em Belo Monte. Hoje não há definição, e o assunto será olhado de forma estratégia para sabermos se faz sentido avançar”, disse o executivo.

Os comentários sobre o processo de reestruturação da companhia no curto e médio prazos tem concentrado as atenções do mercado, enquanto o desempenho trimestral da companhia fica em segundo plano nesse momento, ainda mais tendo em vista que nenhuma alteração pode ser percebidasnos resultados da empresa relativos ao segundo trimestre, divulgados na noite da última sexta-feira (12).

“Com a recente privatização da Eletrobras, a nossa tese de investimento e recomendação de compra para a companhia são baseadas na reformulação da estratégia e nos ganhos de eficiência que poderão ser obtidos como uma empresa privada, mas que somente serão capturados após a entrada da nova diretoria”, diz o relatório da Eleven Financial Research, assinado pelo analista Alexandre Kogake.

Para a Ativa, o desempenho trimestral mostra a companhia “visando se adequar a uma nova realidade”, mas ainda esbarrando em questões recorrentes do passado, como os seus provisionamentos e as frustrações de investimentos. “Acreditamos que os números do segundo trimestre ilustram que o trimestre foi novamente de transição para a companhia, que privatizada, deverá se esforçar para torná-los ainda mais robustos já neste segundo semestre”, diz o relatório.

Ao avaliar um aumento de 23,2% na linha de custos com pessoal, materiais e serviços de terceiros (PMS), a equipe de análise do Santander escreveu o relatório “Algum custo adicional a ser cortado”, em que afirma que a empresa “ainda tem muito a melhorar”.

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