O Comitê de Política Monetária do Banco Central enfatizou que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado, segundo ata divulgada nesta terça-feira sobre o encontro da semana passada em que o Copom manteve a taxa Selic inalterada em 13,75%.
O colegiado acenou para a Fazenda ao avaliar o compromisso com a execução do pacote fiscal, o que já foi identificado nas estatísticas fiscais e na reoneração dos combustíveis, o que atenua os estímulos fiscais sobre a demanda, reduzindo o risco de alta sobre a inflação no curto prazo.
“Ademais, o Comitê seguirá acompanhando o desenho, a tramitação e a implementação do arcabouço fiscal que será apresentado pelo governo e votado no Congresso”, cita a ata no parágrafo 18.
Segundo o documento, para que haja uma relação direta entre a ancoragem da inflação e as novas regras fiscais, é preciso verificar como a âncora irá refletir na mudança de expectativas do mercado. “O Copom enfatizou que não há relação mecânica entre a convergência de inflação e a apresentação do arcabouço fiscal, uma vez que a primeira segue condicional à reação das expectativas de inflação, às projeções da dívida pública e aos preços de ativos”, diz o texto.
No parágrafo 17, o Copom nota aperto adicional nas condições para concessão de crédito em algumas modalidades. Alguns membros avaliaram que tal movimento está em linha com o esperado, considerando a elevação de juros empreendida até meados do segundo semestre de 2022.
“Para tais membros, deve-se esperar ainda um aumento da inadimplência e uma desaceleração na concessão do crédito, mas em linha com o que se observou em ciclos anteriores de aperto de política monetária”, diz o texto.
O documento pontuou a importância de as taxas de juros de mercado manterem-se sensíveis à taxa básica Selic.
O documento do Banco Central é divulgado após nova rodada de críticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à condução da política monetária pelo BC. Ontem, as críticas partiram da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Ela disse que, apesar de a decisão sobre a taxa Selic ser técnica, a ata e o comunicado do Copom têm força política, e por isso devem receber posicionamento do governo. Durante evento da Arko Advice, em São Paulo, a ministra disse ainda que o Banco Central precisava tomar mais cuidado com as palavras.
Em relação ao mercado de trabalho, o Copom observou evidências de desaceleração moderada, compatível com a expectativa do comitê de uma moderação do ritmo da atividade econômica.
No parágrafo 14, o colegiado diz que alguns membros observaram que há um movimento de recomposição parcial das perdas recentes nos salários reais. Esse movimento é esperado e vem acompanhado de desaceleração nos ganhos nominais, o que deve se acentuar à frente.
Com informações do Estadão e mover do TC
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