O Grupo Mateus reportou um lucro líquido de R$ 324,2 milhões no segundo trimestre, representando uma alta de 11,8% na comparação anual. No mesmo período, a receita cresceu 18,8%, para R$ 7,64 bilhões.
A receita líquida cresceu 18,8% e totalizou R$ 7,6 bilhões, com crescimento em mesmas lojas de 4,8%. Nos 6M24, a receita líquida foi de R$ 15,0 bilhões, um aumento de 22,2% (SSS: 7,1%).
⇒ Varejo
A receita bruta do segmento de Varejo, que inclui supermercados, hipermercados e lojas de vizinhança, alcançou R$ 2,1 bilhões, 9,5% a mais que o 2T23, e representou 23,7% da receita do Grupo no trimestre. As lojas de Hiper/Super e de Camiño tiveram um crescimento de 11,9% e 5,4% no período, respectivamente.
⇒ Atacarejo
A receita bruta do Atacarejo atingiu R$ 4,8 bilhões, um crescimento de 22,2%, quando comparado ao 2T23. O segmento representou 55,0% da receita bruta.
⇒ Eletro
O segmento de Eletro registrou uma receita bruta de R$ 315,4 milhões no 2T24, com um crescimento de 7,2%, tendo representado 3,6% das vendas do Grupo no trimestre. Já a base de mesmas lojas teve um aumento de 4,7%.
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O Ebitda – lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização – atingiu R$ 542,7 milhões entre abril e junho, alta anual de 7,3%. A margem Ebitda foi de 7,1%, recuo de 0,8 ponto percentual.
O resultado financeiro do 2T24 foi de R$ 126,7 milhões, correspondendo a 1,7% da receita líquida do período. Nos 6M24, o resultado financeiro do Grupo totalizou R$ 259,4 milhões e representou 1,7% da receita líquida do semestre.
O lucro bruto atingiu R$ 1,7 bilhão, um aumento de 18,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
A margem bruta foi de 22,4% ante 22,5% referente ao 2T23. O impacto do recolhimento do PIS/COFINS que passou a incidir sobre a subvenção para investimento (mudança trazida pela lei 14.789/23 – antiga MP 1.185) foi parcialmente mitigado pelo foco na rentabilidade da Regional Nordeste, levando a uma pressão de apenas 0,1 p.p. em relação ao 2T23.
As despesas com vendas cresceram 24,3% e atingiram R$ 1,1 bilhão, impactadas, principalmente, pela abertura de 27 lojas nos últimos 12 meses, bem como o acréscimo da linha de fretes, em decorrência da abertura de 4 CDs ao longo da segunda metade do ano passado.
A linha de despesas administrativas atingiu R$ 98,1 milhões, uma queda de -17,2% quando comparado ao mesmo período no ano passado. As despesas do trimestre representaram 15,1% da receita líquida, um impacto de 0,1 p.p. versus o 2T23.
As despesas financeiras somaram R$ 146,2 milhões, 13,9% a mais que no mesmo período do ano anterior. É importante destacar que a atualização monetária do CRI, no montante de R$ 16,9 milhões, referente ao 1T23 foi reconhecida apenas no 2T23, deixando a base de comparação mais forte.
A Companhia investiu R$ 314,0 milhões em ativos fixos, um crescimento de 16,5% versus o 2T23. As linhas de Novas Lojas e Terrenos aumentaram em 20,7% e 55,3%, respectivamente, como consequência do plano de expansão do Grupo. Por sua vez, a linha de Infraestrutura, TI e outros observou uma queda de 82,8%, enquanto Reformas e Manutenções registrou um aumento de 123,9%. Excluindo os valores relativos à venda de ativos, os investimentos do Grupo aumentaram 23,8% no trimestre.
A Companhia encerrou o trimestre com um saldo de caixa de R$ 1,2 bilhão e uma dívida líquida de R$ 583,8 milhões. O indicador Dívida Líquida/EBITDA manteve-se estável em 0,3x.
Os resultados da Grupo Mateus (BOV:GMAT3) referentes às suas operações do segundo trimestre de 2024 foram divulgados no dia 07/08/2024.
VISÃO DO MERCADO
Em termos operacionais, a Genial avalia que não foi um bom trimestre, contudo a leitura do resultado não deve ser feita através de uma análise pontual – “a direção é bem mais importante do que a velocidade”.
Na visão B2C, o trimestre confirmou uma dinâmica já esperada, com as principais verticais do grupo desacelerando tanto na visão anual quanto sequencial – o que a Genial acredita ser um reflexo do fraco crescimento em volume de venda combinado a um delay no repasse de inflação alimentar no período.
Em termos de rentabilidade, a Genial comenta que dinâmica de rentabilidade operacional veio em linha com a prévia, a margem bruta impactada pelo recolhimento do PIS/COFINS sobre a subvenção de investimentos e a margem operacional pressionada pelo alto crescimento de despesas relativas à forte expansão realizada nos últimos 12 meses.
Apesar disso, segundo a Genial, o Grupo Mateus tem aplicado com maestria três grandes estratégias para controlar o fluxo de caixa e estrutura de capital da companhia: (i) reconhecimento de imposto de renda, com compensação de prejuízo fiscal acumulado e diferimento de IRPJ/CSLL; (ii) redirecionamento de Capex, diminuindo o montante investido em infraestrutura e tecnologia e pesando mais em novas lojas e terrenos; e (iii) otimização do capital de giro, com um rigoroso controle de estoques e melhores negociações com fornecedores.
A Genial reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9 – o que representa um potencial upside de 27% em relação ao fechamento do último pregão.
O Itaú BBA, por sua vez, avalia que o Grupo Mateus entregou uma rentabilidade acima do previsto, com um crescimento do faturamento de 19% na base anual. O ponto baixo do trimestre foi a desaceleração de 5,2 pp na base trimestral no crescimento das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) na divisão de atacado, para 2,0%, um ponto a ser monitorado daqui para frente.
Do lado positivo, o BBA destaca o sólido crescimento de 22% do faturamento no formato de varejo, o que levou o banco a acreditar que as novas lojas da empresa estão amadurecendo rapidamente.
Em termos de lucratividade, os ventos contrários dos impostos PIS/COFINS sobre subsídios de investimento reduziram a margem Ebitda para 6,3%.
No geral, os resultados do 2T24 da empresa foram melhores do que o esperado pela BBA em termos de lucratividade, e o banco espera que os investidores se concentrem na retomada do crescimento do SSS nos próximos trimestres. Com isso, BBA mantém classificação de compra e preço-alvo de R$ 10.
O Bradesco BBI vê os resultados do 2T24 como neutros a ligeiramente positivos para o Grupo Mateus (GMAT3). Analistas destacam a margem bruta resiliente e estável do Grupo Mateus, bem como seu bom controle de despesas gerais e administrativas.
O lucro líquido da empresa também superou as expectativas do BBI principalmente pela baixa taxa efetiva de imposto – embora esta não seja a melhor composição de qualidade, na opinião do banco.
Por enquanto, o BBI reiterou classificação neutra e um preço-alvo de R$ 9,00, pois os números operacionais do 2T24 não devem desencadear nenhuma revisão importante.