A Anheuser-Busch InBev (NYSE:BUD), a maior cervejaria do mundo, surpreendeu o mercado ao apresentar um desempenho financeiro superior ao esperado no quarto trimestre. Apesar de uma queda nos volumes de vendas, a empresa registrou um aumento de 3,4% na receita trimestral, alcançando US$ 14,84 bilhões, acima das projeções dos analistas. O resultado impulsionou as ações da companhia, que fecharam em alta de 8,5% na quarta-feira.
A Anheuser-Busch InBev também é negociada na B3 através da BDR (BOV:ABUD34), que fecharam a um preço de R$ 56,78 reais, uma alta de 7,95%.
O desempenho positivo foi impulsionado, principalmente, pelo crescimento nas vendas de cervejas premium, como Michelob Ultra, Corona e Stella Artois.
No mercado norte-americano, a Michelob Ultra ganhou mais participação do que qualquer outra marca de cerveja, enquanto a Budweiser registrou um crescimento expressivo no Brasil. A estratégia de apostar em rótulos premium tem sido um fator-chave para a expansão da receita.
Entretanto, a AB InBev enfrentou desafios na China e Argentina, onde a demanda enfraquecida resultou em uma queda de 1,9% nos volumes globais no trimestre e 1,4% no acumulado do ano. O CEO da empresa, Michel Doukeris, classificou as dificuldades nesses países como “anormais”, atribuindo-as à fraqueza industrial e ao impacto na confiança do consumidor.
Outro ponto de destaque foi o progresso da empresa na redução de sua dívida, um fator que tem preocupado investidores há anos. Após a aquisição da SABMiller em 2015, a AB InBev acumulou cerca de US$ 100 bilhões em dívidas. No entanto, a alavancagem foi reduzida para 2,89 vezes o EBITDA até o final de 2024, o que abre espaço para possíveis aumentos em recompras de ações e dividendos nos próximos anos.
O setor de bebidas alcoólicas vem passando por mudanças nos hábitos dos consumidores, com um crescimento na demanda por opções não alcoólicas. Seguindo essa tendência, a AB InBev vem expandindo sua oferta de bebidas alternativas, incluindo coquetéis prontos para consumo, como os da marca Cutwater Spirits.
Apesar das oscilações cambiais e das incertezas econômicas globais, a empresa mantém uma meta de crescimento do EBITDA entre 4% e 8% para 2025. O CEO Doukeris ressaltou que a força do dólar é um fator a ser monitorado, mas minimizou preocupações com eventuais tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.