A companhia aérea Azul encerrou o primeiro trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 2,67 bilhões, revertendo o prejuízo líquido de igual período do ano anterior, quando as perdas totalizaram R$ 2,786 bilhões.

Contudo, o valor se torna um prejuízo de R$ 808 milhões quando a companhia incorpora EPS e EPADR ajustadas por ganhos e perdas com marcação a mercado e variação cambial.

A receita líquida total de R$ 3,2 bilhões de janeiro a março foi recorde e um avanço de 74,9% sobre igual intervalo do ano passado e de 25,6% ante o mesmo período de 2019, nível pré-pandemia.

A receita de passageiros atingiu R$ 2,84 bilhões no primeiro trimestre, alta de 77,9% na comparação anual.

Já a receita de cargas e outros totalizou R$ 350,1 milhões no período, aumento de 53,4% na mesma base de comparação.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – alcançou R$ 592,7 milhões no primeiro trimestre, alta de 357,1% em relação a igual período de 2021. Com isso, a companhia encerrou o período com margem Ebitda de 18,6%, avanço de 11,5 pontos porcentuais na comparação anual.

O resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 2,588 bilhões no primeiro trimestre de 2022, contra perdas financeiras de R$ 2,438 bilhões do mesmo trimestre de 2021.

O resultado operacional totalizou R$ 70,7 milhões nos três primeiros meses de 2022, revertendo resultado negativo de R$ 214,1 milhões em relação ao mesmo trimestre de 2021.

As despesas financeiras líquidas atingiram R$ 920,2 milhões, principalmente devido ao acúmulo de juros sobre empréstimos e obrigações de leasing no trimestre e ao aumento da taxa CDI média no período, passando de 2,2% no 1T21 para 10,3% no 1T22.

As variações monetárias e cambiais, líquidas registraram um ganho não monetário em moeda estrangeira de R$ 3.298,4 milhões no 1T22 devido à valorização de 15,1% no final do período do real em relação ao dólar americano no trimestre, resultando em uma diminuição dos empréstimos e passivos de arrendamento denominadas em moeda estrangeira.

A demanda da empresa (em RPK, ou seja, os passageiros pagantes transportados em um quilômetro) apresentou alta de 32,9% no trimestre. Já a oferta (medida em ASK) subiu 26,4%.

O Cask (ou seja, custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos) subiu 21,1%, para R$ 0,3445. Excluindo os efeitos dos combutíveis, o Cask subiu 6%, para R$ 0,2133.

A posição de liquidez imediata permanece sólida em R$3,3 bilhões, acima dos níveis do 1T19. Durante o trimestre, a Azul gerou mais de R$500 milhões em fluxo de caixa operacional. Continuamos nosso processo de desalavancagem, com R$ 1,3 bilhão em pagamentos de arrendamentos correntes e diferidos e amortizações de dívidas e repagamentos de outros diferimentos.

O combustível de aviação aumentou 98,9% para R$ 1.189 milhões, principalmente devido a um aumento de 57,0% no preço do combustível de aviação por litro e um aumento de 26,4% na capacidade total, parcialmente compensado pela redução na queima de combustível como resultado de nossa frota mais eficiente da nova geração.

O PRASK e RASK aumentaram 40,7% e 38,3% respectivamente em relação ao 1T21, mesmo com um aumento de 26,4% da capacidade. Os resultados foram impulsionados pela forte demanda doméstica nos mercados da Azul, o que nos permitiu aumentar as tarifas para compensar o aumento dos preços dos combustíveis.

O resultado mostra que a dívida da Azul fechou o mês de março em R$ 15,938 bilhões, crescimento de 30,6% em relação a dezembro de 2021.

O indicador de alavancagem financeira – que é a razão entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado – ficou em 7,8 vezes em março/22, queda de 3,4 vezes em relação a dezembro de 2021.

“Estamos confiantes em nossa capacidade de reduzir a alavancagem organicamente e podemos chegar a uma alavancagem começando com 5 no final de 2022, reduzindo para começar com 4 no final de 2023 e com 3 no final de 2024”, diz o relatório de resultados do 1T22 da Azul.

Os investimentos líquidos totalizaram R$ 226.9 milhões no 1T22 relacionado principalmente a com capitalização de eventos de manutenção de motores e a aquisição de peças de reposição.

Em 31 de março de 2022, a Azul possuía uma frota operacional de 166 aeronaves de passageiros e uma frota contratual de 178 aeronaves de passageiros, com uma idade média de 6,9 anos, excluindo as aeronaves Cessna. No final do 1T22, as 12 aeronaves não incluídas em nossa frota operacional consistiam em 6 ATR sublocados à TAP, 3 Embraer E1 sublocados à Breeze, 2 Embraer E1 em processo de saída e 1 Airbus A330 em processo de entrada na frota.

⇒ Guidance para 2022 e 2023

Segundo o guidance da Azul, publicado logo após o balanço, a empresa espera aumentar a capacidade em aproximadamente 10% em 2022, em comparação com 2019.

“No 1T22, alcançamos um recorde de 151 destinos atendidos. Também vimos nove meses consecutivos de forte e crescente demanda de lazer, ao mesmo tempo em que o corporativo acelerou rapidamente. Como resultado, esperamos crescer a capacidade total em aproximadamente 10% em 2022 em comparação com 2019”, diz o documento da companhia.

Além disso, a companhia projeta gerar Ebitda em 2022 de R$4 bilhões e Ebitda em 2023 de R$ 5,5 bilhões.

“Considerando o cenário atual de demanda, combustível e câmbio, esperamos gerar Ebitda recorde de R$ 4 bilhões em 2022, mesmo com o impacto da variante Ômicron no primeiro trimestre. Também projetamos um Ebitda de R$ 5,5 bilhões em 2023, comparado ao nosso Ebitda recorde anterior de R$ 3,6 bilhões em 2019”, diz a administração da companhia aérea.

A Azul também estima terminar 2022 com alavancagem calculada como dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses, começando com um 5, incluindo caixa e equivalentes de caixa, investimentos de curto prazo e contas a receber.

Os resultados da Azul (BOV:AZUL4) referentes às suas operações do primeiro trimestre de 2022 foram divulgados no dia 09/05/2022. Confira o Press release na íntegra!

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters
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