A transmissora de energia ISA Cteep registrou aumento de 22,7% no lucro líquido no terceiro trimestre de 2023 em relação a igual período do ano passado, saindo de R$ 386,7 milhões para R$ 474,5 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 876,6 milhões, alta anual de 17,9%. No entanto, a elétrica registrou uma queda da margem Ebitda de 0,6 p.p. (ponto percentual), para 80,2%.

Segundo a elétrica, o resultado se beneficiou da entrada em operação de projetos de reforços e melhorias e greenfield nos últimos 12 meses, bem como do impacto positivo do reajuste inflacionário (IPCA) do ciclo tarifário 2023/2024.

A receita líquida somou R$ 1,092 bilhão no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 18,8% na comparação com igual etapa de 2022.

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), por sua vez, atingiu 16,8% no 3T23, alta anual de 7,3 pontos percentuais.

As despesas PMSO somaram R$ 183,3 milhões no 3T23, um crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período de 2022.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 149,4 milhões no terceiro trimestre de 2023, uma elevação de 19,1% sobre as perdas financeiras da mesma etapa de 2022.

Em 30 de setembro de 2023, a dívida líquida da companhia era de R$ 7,721 bilhões, um crescimento de 6,3% na comparação com a mesma etapa de 2022.

A Isa CTEEP, suas empresas controladas e empresas controladas em conjunto investiram R$ 528,4 milhões no 3T23, aumento de R$ 57,5 milhões em relação ao 3T22 (+12,2%).

Os resultados da Isa Cteep (BOV:TRPL3) (BOV:TRPL4) referentes às suas operações do terceiro trimestre de 2023 foram divulgados no dia 30/10/2023.

Teleconferência

No grande leilão realizado no meio desse ano, a ISA Cteep arrematou dois lotes: o 7, de 1.044 km de linha de transmissão e investimento R$ 2,3 bilhões, e o 9, para construção e operação de uma subestação, com recursos a serem destinados para o projeto de R$ 94 milhões.

Contudo, posteriormente, a empresa herdou (por ter ficado em 2º lugar) o projeto que havia sido arrematado inicialmente pelo Consórcio Gênesis, inabilitado pela Aneel. Tratava-se do segundo maior lote do certame, o 1, com 1,116 km de linha e investimento previsto de R$ 3,2 bilhões.

Com mais um ativo em mãos para operação, a empresa estuda os próximos passos.

“Já comunicamos que não participaremos do leilão agora em dezembro. Quanto aos leilões de 2024, a gente não tem nenhuma decisão tomada. Tomaremos essa decisão ao longo do ano que vem”, disse Rui Chammas, CEO da ISA Cteep, na teleconferência de resultados do 3T23, nesta terça-feira (31).

Incorporação do megaprojeto

O executivo aproveitou para esclarecer sobre a incorporação do Lote 1 após desclassificação do consórcio Gênesis.

“Não aceitamos o Lote 1 de uma maneira automática – fizemos muitos estudos para isso. Para nós, a concentração de dois megaprojetos (lotes 1 e 7) poderia trazer riscos e uma rentabilidade não adequada”, disse.

“Fizemos um trabalho com nossos fornecedores com a nossa equipe de operações e projetos para garantir que os dois investimentos acontecessem defasados e com menor risco de execução. A gente vai continuar sendo rigoroso antes de entrar em qualquer leilão antes de tomar qualquer posição de novo crescimento”, complementou, comentando mais à frente durante a tele que “as oportunidades no Brasil são grandes”.

Proventos garantidos

Carisa Cristal, CFO da companhia, acalmou os acionistas em meio aos altos investimentos em projetos greenfields a serem feitos.

“Para esse ano, a empresa pretende sim fazer uma divulgação de proventos agora no mês de dezembro, seguindo a nossa atual prática de dividendos, de pagar no mínimo 75% do lucro líquido regulatório”, comentou.

“A gente está fazendo isso no fim do ano para maximizar e otimizar a relação de JCP (juros sobre capital próprio) e dividendos, de forma a potencializar a nossa capacidade de pagamento de proventos para os acionistas”, acrescentou.

Investimentos chegam a R$ 15 bilhões

A CFO informou ainda que nesse momento, a companhia não prevê de ter um calendário “firme” anual de pagamento dos proventos nos próximos anos.

Carisa Cristal destacou que a companhia tem um investimento forte previsto para fazer nos próximos anos.

“A companhia tem aí, dos projetos licitados, R$ 10 bilhões para performar nos próximos cinco anos de capex, e de reforços e melhorias mais R$ 5 bilhões, totalizando R$ 15 bilhões de investimento em aproximadamente 5 anos”, comentou a analistas.

ISA Cteep não fala da Eletrobras

O CEO da ISA Cteep não quis comentar a notícia sobre a Eletrobras (ELET6) querer vender sua participação na companhia (35,7%), seguindo a estratégia da ex-estatal de vender os ativos em que possui participação minoritária.

“Dentro do que a Eletrobras possa vir a fazer eventualmente sobre suas ações, isso é uma decisão da acionista que não nos cabe comentar”, ressaltou. “Nenhuma visão especial de nosso lado a respeito de qualquer eventual decisão que possa acontecer”, finalizou.

VISÃO DO MERCADO

Genial Investimentos

Para Genial, a ISA Cteep continua a ser uma empresa de execução e operacional formidável negociando, pelas suas estimativas, com uma Taxa Interna de Retorno Implícita de 13% (versus Rendimentos NTN-Bs 2045 de 5,5%), com isso, reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 28.

A empresa reportou números ligeiramente acima das estimativas da Genial Investimentos. “Como sempre, empresas do segmento de transmissão não costumam apresentar grandes mudanças entre trimestres, no caso da Cteep não foi diferente.”

Além das informações financeiras, a Genial destaca os expressivos investimentos em reforços e melhorias, os quais serão refletidos em futuros aumentos na Receita Anual Permitida (RAP).

O endividamento encontra-se sob controle, mesmo diante de uma série de projetos que estão prestes a entrar em fase de construção, fruto da aquisição de três lotes no último leilão. Apesar dos substanciais investimentos planejados, a diretoria assegura que os dividendos não serão afetados e continuarão seguindo a política de remuneração da empresa.

JPMorgan

A equipe de research do JPMorgan avalia que a ISA Cteep reportou um trimestre sem intercorrências, com receita e Ebitda em linha com suas estimativas em contabilidade regulatória, enquanto o lucro líquido veio acima das expectativas do banco, com resultados financeiros melhores que esperado devido a menor custo efetivo da dívida.

O banco também destaca o crescimento da receita bruta regulatória já esperado, impulsionado essencialmente pelo reajuste tarifário, o início ampliação de novas capacidades (Biguaçu, Itaunas e Triângulo Mineiro), e comissionamento de investimentos de reforço que agregam receitas.

Já o JPMorgan manteve classificação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e preço-alvo de R$ 25,50.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley comenta que o lucro líquido de R$ 475 milhões superou a estimativa de R$ 407 milhões, principalmente devido a resultados financeiros e resultados de equivalência patrimonial melhores que o esperado.

Já o Ebitda (excluindo outras despesas operacionais e equivalência patrimonial) foi de R$ 910 milhões, principalmente em linha com a estimativa de R$ 882 milhões (+3,1% esperado pelo Morgan) e 4,4% acima do consenso de mercado.

Em relação à alavancagem, a dívida líquida atingiu R$ 7,7 bilhões, implicando 2,47 vezes Ebitda (abaixo dos 2,65 vezes no 2T23) e permanece bem abaixo do nível de covenant de 3,5 vezes da Isa Cteep para 2023.

Embora a recompensa pelo risco da ISA Cteep tenha melhorado após a recente correção do preço das ações (queda de 13% nos últimos 3 meses), o Morgan Stanley manteve recomendação equivalente à neutra.

O banco americano justifica a recomendação em função da sua preferência relativa pelo segmento de distribuição e outras ações que oferecem taxas internas de retorno (TIRs) reais implícitas mais altas (por exemplo, Eletrobras oferecendo 14,7% e Copel oferecendo 12,7%. Além disso, analistas enxergam um potencial de criação de valor provavelmente limitado nos próximos leilões de transmissão, uma vez que a alta concorrência tem pressionado os retornos nos leilões recentes.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão
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