03/04 08:30 Leia (CMA) Nr. 1310300028
(PER)
PERSPECTIVA PAPEL E CELULOSE: Fibria deve valorizar, mas é aposta arriscada
São Paulo, 3 de abril de 2012 - Entre as ações do setor de papel e
celulose, as da Fibria são as que devem registrar maior valorização nos
próximos meses. Apesar disso, analistas recomendam um exposição pequena a
todos os papéis do setor. Se, no começo do ano, a perspectiva de continuidade
do aumento do preço de celulose animou os investidores a apostarem no setor, a
instabilidade sobre o futuro econômico da China inverteu a tendência.
A ca...
03/04 08:30 Leia (CMA) Nr. 1310300028
(PER)
PERSPECTIVA PAPEL E CELULOSE: Fibria deve valorizar, mas é aposta arriscada
São Paulo, 3 de abril de 2012 - Entre as ações do setor de papel e
celulose, as da Fibria são as que devem registrar maior valorização nos
próximos meses. Apesar disso, analistas recomendam um exposição pequena a
todos os papéis do setor. Se, no começo do ano, a perspectiva de continuidade
do aumento do preço de celulose animou os investidores a apostarem no setor, a
instabilidade sobre o futuro econômico da China inverteu a tendência.
A carteira de recomendações da SLW, em abril, mantém ainda ativos da
Fibria. "O papel ainda está muito atrás em valorização, tem muito para
ganhar em 2012", aponta o estrategista-chefe, Pedro Galdi. Ele avalia, no
entanto, que, com um cenário pouco promissor, a exposição às ações da
Fibria deve ser pequena.
O analista de investimentos da Técnica Renato Campos avalia positivamente
as ações da Fibria. Segundo ele, o papel tem um potencial de valorização de
128,67% no ano, enquanto as ações da Klabin, em sentido oposto, devem cair
34,12% no mesmo período. Para Campos, os papéis da Suzano têm um potencial de
valorização ainda maior que os da Fibria, em torno de 275%. "O últimos
boatos de que a empresa possa emitir ações criam o temor de um movimento de
queda do papel, o que, no curto prazo, pode não ser interessante", afirma.
Na semana passada, o presidente da Suzano, Antônio Maciel, afirmou que,
até o final deste ano, a empresa estudará a possibilidade de emitir ações. O
executivo avaliou positivamente o quadro de liquidez do mercado e afirmou que
haveria brecha para essa forma de captação de recursos.
Os analistas do Morgan Stanley, Bruno Montanari e Carlos de Alba, defendem
que o cenário positivo que existia no começo do ano no setor de papel e
celulose está mudando. Os níveis de estoques mundiais de celulose tiveram leve
queda no início do ano, o que ajudaria a manter as perspectivas de
manutenção na alta do preço da commodity. Os analistas apontam, em
relatório, no entanto, que "as exportações para Europa e China mantêm-se
pressionadas". As vendas na Ásia recuaram 36%, em fevereiro, ante janeiro, e,
na Europa, a queda foi de 1,3%, no mesmo período de comparação. Segundo eles,
a tendência é de uma contínua deterioração de preço e consumo no setor, o
que impede a recomendação de compra do papéis das empresas do setor.
Para o segmento de papel, o analista de investimentos do Itaú BBA Marcos
Assumpção avalia que a Klabin, principal empresa de capital aberto do setor,
valorizou bastante no ano passado. "A empresa deve começar a ser pressionada
pelo aumento das importações, por conta do câmbio desvalorizado", afirma o
especialista. Se nos primeiros meses de 2012, a Klabin ainda figurava como
atrativo nas carteiras de investimento, o resultado do quarto trimestre de 2011
fraco e a pressão das importações "diminuem consideravelmente o interesse de
investir no setor", avalia.
Segundo dados da Associação Brasileira de Papel e Celulose, as
exportações brasileiras de celulose tiveram queda na Ásia de 30,2%, nos dois
primeiros meses de 2012, em comparação com o ano anterior; na América Latina,
de 53,3%, e na América do Norte, de 6,7%. Por outro lado, para a China, as
vendas avançaram 12,9% e, para a Europa, 2,4%.
No entanto, já resultado de uma desaceleração do crescimento no mercado
internacional, mais especificamente da China, as exportações de papel e
celulose recuaram 11,2%, em março, na comparação com fevereiro, segundo dados
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Além disso, a importação de papel teve alta de 0,7% na média dos embarques,
na mesma base de comparação.
As ações preferenciais da Fibria (FIBR3) acumularam, em março queda de
3,54%. No entanto, no ano, o movimento é de valorização de 8,15%. As
preferenciais da Klabin (KLBN4) acumularam queda de 1,17%, no mês passado,
porém têm alta de 5,5% no ano. As ações preferenciais da Suzano (SUZB5)
seguiram a mesma tendência, fechando o mês de março com recuo de 4,99%, mas
computando 15,88%, em 2012.
"Está se desenhando no setor um cenário de dupla instabilidade: a
valorização do real - que abre as portas para a importação -, e dados
econômicos ruins na China, que apontam para uma queda da demanda", aponta
Galdi. Para ele, como o setor está muito exposto às variações cambiais e às
notícias da China, os papéis só podem fazer parte de uma carteira de
investimentos agressiva, com pouca participação. "Pode haver fortes altas,
mas é bastante arriscado", pondera.
Ana Rita Cunha / Agência Leia
Edição: Laelya Longo
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