Inflação: IPCA volta a acelerar em Maio e registra maior variação para o mês desde 2008

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Rio de Janeiro, 11 de Junho de 2015 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de maio de 2015 apresentou oscilação mensal de 0,74%. Essa taxa de variação é apenas 0,03% maior que a valorização registrada no mês anterior (0,71%) e 0,28% maior que a aferida em maio de 2014 (0,46%). A inflação do quinto mês de 2015 também é a maior variação mensal registrada em meses de maio desde 2008, quando o indicador subiu 0,79%.

Com o resultado apurado em maio, o IPCA acumulado nos cinco primeiros meses de 2015 foi de 5,34%, a maior alta para um período entre janeiro e abril desde 2003, quando a taxa foi de 6,80%.

Com alta de 2,77%, a energia elétrica voltou a figurar como a maior contribuição individual, responsável por 0,11 ponto percentual (p.p.) do índice do mês. A energia constitui-se num dos principais itens na despesa das famílias, com participação de 3,89% na estrutura de pesos do IPCA. Em maio, em algumas regiões pesquisadas, o aumento nas contas ultrapassou 10%.

Nas regiões onde não ocorreu reajuste anual, a variação nos valores das contas se deve a alterações nos impostos. É o caso da região metropolitana de Vitória, onde as alíquotas do PIS/COFINS tiveram elevação de 529,25%. Com a alta de maio e dos meses anteriores, o consumidor passou a pagar, neste ano, 41,94% a mais, em média, pelo uso da energia, enquanto nos últimos doze meses as contas estão 58,47% mais caras.

No grupo Habitação, cuja variação foi 1,22%, além do item energia elétrica, os destaques foram: gás de botijão (1,31%), taxa de água e esgoto (1,23%), condomínio (0,89%), aluguel residencial (0,66%) e artigos de limpeza (0,65%). Na taxa de água e esgoto, o resultado de 1,23% foi influenciado pela região metropolitana de Belo Horizonte, onde o aumento de 8,06% reflete parte do reajuste de 15,03% vigente a partir do dia 13 de maio. Na região do Rio de Janeiro, com variação de 0,96%, o reajuste de 4,05% foi em 22 de maio.

Nos demais grupos de produtos e serviços pesquisados, conforme mostra a tabela a seguir, foram os gastos com Alimentação e Bebidas (1,37%) os que mais subiram em maio, enquanto a menor variação ficou com os Transportes (-0,29%). Observa-se, nos alimentos, que os preços do tomate continuaram subindo e chegaram a atingir 21,38% no mês, liderando, no grupo, a relação dos principais impactos (0,07 ponto percentual).

Em Saúde e Cuidados Pessoais a alta foi a 1,10% sob influência dos remédios, que ficaram 1,64% mais caros no mês, totalizando 5,35% no ano. O aumento é reflexo da aplicação dos reajustes de 5,00%, 6,35% ou 7,70%, conforme o nível de concentração no mercado, em vigor desde o dia 31 de março. No grupo, outros itens se destacaram: artigos de higiene pessoal (1,07%), serviços laboratoriais e hospitalares (1,04%), plano de saúde (0,77%) e serviços médicos e dentários (0,75%).

Nas Despesas Pessoais, com variação de 0,74%, a principal pressão foi exercida pelo item recreação (1,77%) tendo em vista reajustes ocorridos, a partir de 18 de maio nos valores das apostas dos jogos, cuja alta foi a 12,76%.

As roupas infantis (0,97%) apresentaram a mais elevada variação no grupo Vestuário (0,61%). Poe sua vez, no grupo Artigos de Residência (0,36%), o item consertos e manutenção (0,71%) se sobressaiu, já que os eletrodomésticos (-0,17%) ficaram mais baratos no mês. Em Educação (0,06%) e Comunicação (0,17%) não houve destaques nos grupos.

O menor resultado no quinto mês do ano, entre os grupos de despesas pesquisados, ficou com Transportes, que foi para -0,29%. Isto ocorreu por conta da queda de 23,37% no item passagens aéreas, o que gerou contribuição de -0,10 ponto percentual no índice do mês, a menor.

Dentre treze regiões metropolitanas pesquisadas para elaboração do indicador, apenas quatro não registraram aceleração da variação mensal: Curitiba, BelémRio de Janeiro e Brasília. As demais regiões apresentaram valorização maior em maio do que em abril.

A maior variação mensal dentre as regiões pesquisadas foi registrada na região metropolitana de Recife (1,51%), onde os alimentos aumentaram 2,32%, bem acima da média nacional (1,37%), além da energia elétrica (12,20%) e da gasolina (5,20%) que também pressionaram o resultado. Brasília (0,25%) apresentou o menor índice em virtude da queda de 23,72% nos preços das passagens aéreas, que com peso de 2,07% gerou impacto de -0,49 ponto percentual.

O IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário mensal de 01 (um) a 40 (quarenta) salários mínimos.

A coleta de preços é realizada em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios e concessionárias de serviços públicos, abrangendo as 13 (treze) principais regiões metropolitanas do país: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Vitória e Porto Alegre, Brasília, Goiânia e Campo Grande.

Para cálculo do IPCA em maio de 2015 foram comparados os preços coletados no período de 30 de abril a 27 de maio de 2015 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de março a 29 de abril de 2015 (base).

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