IPP: 11 das 24 atividades industriais brasileiras apresentaram crescimento de preços em Agosto de 2017

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Em agosto de 2017, o Índice de Preços ao Produtor teve variação de 0,31% em relação ao mês anterior, número bem superior ao observado na comparação entre julho e junho de deste ano (-1,01%). Entre as 24 atividades, apenas onze tiveram alta de preços, contra seis do mês anterior. As outras treze atividades pesquisadas tiveram retração nos preços medidos na porta das fábricas.

As quatro maiores variações se deram nas seguintes atividades industriais: refino de petróleo e produtos de álcool (6,48%), indústrias extrativas (6,21%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (3,06%) e outros produtos químicos (-2,06%). Em termos de influência, na comparação entre agosto e julho de 2017, os destaques foram refino de petróleo e produtos de álcool (0,64 ponto percentual), alimentos (-0,33 ponto percentual), outros produtos químicos (-0,20 ponto percentual) e indústrias extrativas (0,19 ponto percentual).

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Em agosto, o acumulado do ano (agosto de 2017 contra dezembro de 2016) foi de -0,99%, contra -1,29% em julho de 2017. Nesse indicador, as atividades que tiveram as variações percentuais mais intensas foram indústrias extrativas (-11,72%), alimentos (-8,07%), minerais não-metálicos (-7,39%) e papel e celulose (5,40%). Ainda no acumulado, os setores de maior influência foram alimentos (-1,73 ponto percentual), indústrias extrativas (-0,43 ponto percentual), metalurgia (0,34 ponto percentual) e veículos automotores (0,32 ponto percentual).

Ao comparar agosto de 2017 com agosto de 2016, a variação de preços foi de 1,66%, contra 1,09% em julho/2017. As quatro maiores variações de preços ocorreram em indústrias extrativas (14,47%), metalurgia (7,57%), minerais não-metálicos (-7,52%) e alimentos (-6,54%). Neste indicador, os setores de maior influência foram: alimentos (-1,41 ponto percentual), refino de petróleo e produtos de álcool (0,64 ponto percentual), metalurgia (0,56 ponto percentual) e veículos automotores (0,55 ponto percentual).

A seguir são analisados com mais detalhes 6 setores que no mês de agosto 2017 encontravam-se entre os principais destaques em pelo menos um dos seguintes critérios: maiores variações de preços, maiores influências, ambos nas três comparações: variação mensal (M/M-1), acumulado no ano e acumulado nos últimos doze meses (M/M-12), e as principais ponderações.

Indústrias extrativas: apresentaram variação positiva de 6,21%, interrompendo a sequência de quedas de preços nos três meses anteriores. O acumulado do ano apresentou variação de -11,72%, sendo a principal variação negativa do indicador entre as atividades pesquisadas. Na comparação com agosto do ano anterior, houve variação positiva de 14,47%. Minérios de ferro e gás natural foram os produtos que mais se destacaram.

Alimentos: em agosto de 2017, os preços do setor variaram, em média, -1,62%, o sétimo resultado negativo no ano (o único positivo foi o de maio: 0,40%) e o terceiro menor (janeiro, -2,23%; julho, -2,08%). Com este resultado, o acumulado no ano chegou a -8,07% (o último agosto com acumulado negativo foi registrado em 2014: -2,27%).

Entre os produtos de maior influência no resultado de agosto, destacam-se açúcar cristal e açúcar refinado de cana, leite esterilizado/UHT/Longa Vida” e óleo de soja refinado – único produto com variação positiva de preço. Os quatro produtos influenciaram em -0,99 ponto percentual o resultado de -1,62%. Entre os produtos com maior variação de preços, aparecem alguns que usam como matéria-prima tanto o açúcar quanto o leite e, por isso, seus preços tiveram variação negativa. É o caso de “leite condensado”, “bombons e chocolates de cacau” e o próprio “açúcar cristal”. O único produto com variação positiva de preços foi “sorvetes, picolés e produtos gelados comestíveis”, cuja explicação das empresas aponta para “acréscimos competitivos”.

No caso do açúcar, a variação negativa de preços ainda está ligada à safra. Já o leite, além da maior captação nas bacias leiteiras, enfrenta a retração da demanda (que também reflete nos derivados, como é o caso do “leite condensado”). No caso de “óleo de soja”, ainda que a matéria-prima esteja em queda, o aumento está ligado justamente a uma recuperação dos preços que ocorre nos últimos meses.

Refino de petróleo e produtos de álcool: a variação média de preços do setor, na comparação agosto contra julho, foi a maior da série (6,48%), invertendo o acumulado no ano que passou de -3,17% para 3,11%. Na comparação com o mesmo mês de 2016, a taxa de 6,45% é a maior desde dezembro de 2014, 6,78%.

Os quatro produtos que mais influenciam os resultados do setor tiveram variação positiva de preços (influência de 6,16 ponto percentual em 6,48%), encabeçados por aqueles de maior peso no cálculo do setor: “óleo diesel e outros óleos combustíveis” (que pesa aproximadamente 53%) e “gasolina automotiva” (16%). A variação do preço da gasolina, em particular, explica em grande parte a elevação dos preços do “álcool etílico (anidro ou hidratado)”, em especial aquele usado como combustível.

Outros produtos químicos: os preços do setor variaram, em média, -2,06%, menor resultado desde agosto de 2016 (-2,60%). No ano, é o quarto resultado negativo e, a partir dele, o acumulado no ano sofreu uma inversão, saindo de 1,51%, em julho, para -0,59%, sendo a primeira vez desde dezembro de 2016 (-12,28%) que o acumulado fica negativo. Estes resultados negativos devem ser vistos à luz de uma apreciação recente do Real, que alcançou 4,4%, na comparação agosto contra junho. Produto importante como “adubos ou fertilizantes à base de NPK” tem o preço ligado àqueles praticados no exterior, haja vista que a oferta interna é limitada. No caso da comparação com igual mês de 2016, a taxa de 0,38% foi a primeira positiva desde abril (0,01%). De toda forma, nessa comparação, desde janeiro de 2016, em vinte resultados portanto, apenas seis foram positivos.

Metalurgia: ao comparar os preços de agosto contra julho, houve uma variação de -1,15%, terceiro resultado negativo no ano, observado em meses consecutivos. Desta forma, o setor acumulou no ano uma variação de 4,58% e, nos últimos 12 meses, de 7,57%, sendo a maior variação observada nos setores da Indústria de Transformação. Para efeito de uma simples comparação, em agosto de 2016 o setor metalúrgico apresentava uma variação positiva de 2,55% no acumulado em 12 meses.

Em relação aos produtos que mais influenciaram os resultados no mês contra mês anterior, aparecem os dois produtos de maior peso na atividade, ambos com resultados negativos: “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço ao carbono” e “alumínio não ligado em formas brutas”. Os outros dois produtos que mais influenciaram o indicador mensal apresentaram resultados positivos: “arames e fios de aços ao carbono” e “barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre”.

Entre os 22 produtos selecionados para a pesquisa, os quatro com destaque na análise de influências do sobre a série com ajuste sazonal mencionados anteriormente, representaram -1,11 ponto percentual da variação no mês, ou seja, os demais 18 produtos influenciaram em -0,04 ponto percentual.

Veículos automotores: em agosto, a variação observada no setor foi de -0,09%, quando comparada com o mês imediatamente anterior, quebrando uma sequência de 12 variações positivas seguidas da atividade, que vinha exibindo resultados positivos no indicador desde agosto de 2016. Com isso, a variação acumulada no ano alcançou 2,98%, a segunda maior para o mês de agosto desde o início da série histórica, ficando atrás apenas de agosto de 2015, com 4,50%. A título de comparação, em agosto de 2016, o acumulado era de 1,80%. Nos últimos 12 meses, o setor acumulou uma variação de 5,09%.

Além de ser um dos setores de maior peso no cálculo do indicador geral (atrás apenas do setor de alimentos), a atividade de veículos automotores também se destacou, dentre todos os setores pesquisados, em outros dois indicadores: apresentou a quarta maior influência na variação acumulada no ano (0,32 ponto percentual em -0,99%) e a quarta maior influência na variação acumulada nos últimos 12 meses (0,55 ponto percentual em 1,66%).

Entre os quatro produtos de maior influência na comparação com o mês anterior, “chassis com motor para ônibus ou para caminhões” e “motores diesel e semi-diesel para ônibus e caminhões”) tiveram impacto positivo no índice. Os outros dois produtos, impactaram negativamente o indicador: “bombas injetoras para veículos automotores” e “carrocerias para ônibus”. No entanto, nenhum desses produtos está entre os de maiores pesos no setor. A influência desses quatro produtos que mais impactaram a variação mensal foi de -0,05 ponto percentual em -0,09%, ou seja, os demais 21 produtos da atividade contribuíram com -0,04 ponto percentual.

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