Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) 1T20: Lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões; Banco suspende projeções para 2020

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O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões de reais no primeiro trimestre (1T20), queda de 43,1% comparando com os primeiros três meses de 2019. Quando se levam em conta os dados do quarto trimestre de 2019, a queda foi ainda maior, de 46,4%.

O banco, com valor de mercado hoje de 210,7 bilhões, é negociada na B3 através dos papéis: (BOV:ITUB3) (BOV:ITUB4).

O Itaú Unibanco comunicou ao mercado que suspendeu as projeções para o ano de 2020. O motivo é a baixa visibilidade sobre a profundidade e extensão da crise decorrente da pandemia de covid-19.

“A administração entende ser prudente não divulgar novas projeções neste momento e até que seja possível estimar de forma mais precisa os impactos da referida crise sobre as operações”, diz o banco, em nota.

O principal impacto negativo foi o chamado custo do crédito -que mede as provisões para perdas com inadimplência esperada menos a recuperação de operações em atraso – que teve um salto de 165% sobre um ano antes, para 10,1 bilhões de reais. Entre outros impactos da pandemia nos números, o Itaú cita redução de 38,9% na margem financeira com o mercado, decorrente do impacto da volatilidade na precificação de instrumentos financeiros.

Outras métricas operacionais tiveram melhora mais modesta. A margem gerencial com clientes teve alta de 3,8% e a receita com serviços e seguros evoluiu 8,2%, a 11,1 bilhões de reais. A carteira de crédito abrangente teve expansão de 18,9%, para 769,2 bilhões de reais.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 12,8% nos três primeiros meses do ano, ante 23,7% no quarto trimestre e 23,6% no primeiro trimestre de 2019. O banco tem R$ 100 bilhões emprestados a pequenas e médias empresas e R$ 120 bilhões emprestados para as grandes empresas.

+ Confira o calendário de divulgação de resultados do 1T20 das empresas listadas na Bolsa de Valores.

Efeito Coronavírus

O Itaú Unibanco ampliou fortemente a provisão para perdas esperadas com calotes e suspendeu suas projeções de desempenho para 2020, devido aos desdobramentos do coronavírus.

No primeiro trimestre, reportado agora à noite, o Itaú fez provisões adicionais (além das obrigatórias) de R$ 4,5 bilhões. O Bradesco, com lucro líquido recorrente no 1T20 de R$ 3,8 bilhões, provisionou R$ 2,76 bilhões adicionais e o Santander, com lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões, zero.

O saldo das provisões do Itaú Unibanco dividido pelo estoque de empréstimos vencidos há mais de 90 dias – chamado de ‘coverage radio’ – elevaram de 2,3 para 2,4 vezes. As provisões totais chegam a R$ 14,5 bilhões.

O Financial Times calculou um aumento de mais de US$ 50 bilhões nas provisões dos grandes bancos dos Estados Unidos e Europa.

Já o  aumento do crédito foi impulsionado pelas solicitações de grandes empresas, que se apressaram em reforçar liquidez diante da pandemia. Segundo o banco, a busca por crédito por grandes negócios dobrou em março, na comparação com o mês de fevereiro

A carteira de crédito total do Itaú somava R$ 769,2 bilhões ao fim de março, elevação de 8,9% na comparação com dezembro, como reflexo da maior demanda por crédito em meio à crise causada pelo novo coronavírus. Em um ano, os empréstimos tiveram incremento de 18,9%.

A crise provocada pelo coronavírus já deixou marcas nos balanços dos grandes bancos brasileiros. O lucro combinado de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander somou R$ 11,518 bilhões no primeiro trimestre, uma queda incomum de 30,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A decisão de elevar as reservas para fazer frente à iminente escalada da inadimplência foi o fator que mais pressionou os resultados, mas não o único. As provisões contra devedores duvidosos aumentaram 96,7%, para R$ 20,219 bilhões.

Teleconferência

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou ver com preocupação o ruído político no Brasil, já que o país terá de transmitir confiança aos mercados na saída da crise do coronavírus. “Vejo com preocupação as tensões políticas”, disse o executivo a jornalistas nesta terça-feira.

Segundo Bracher, é natural que haja uso de dinheiro público neste momento, o que deverá elevar a dívida pública dos atuais 75% do PIB para cerca de 90%. “Será usado bastante dinheiro público e é importante que seja”, disse. “Mas terminaremos a crise com um nível de dívida muito elevado, que nunca tivemos.”

O presidente do Itaú lembrou que a crise atingiu o país no momento em que tem a taxa de juros mais baixa de sua história, e isso “não foi obra da sorte”, mas da reforma da Previdência e da confiança que vinha sendo transmitida. Agora, ressaltou, será necessário fazer o mesmo, e para isso é importante que haja entendimento entre os Poderes.

Bracher afirmou que, nos próximos meses, a tendência é de as companhias precisarem mais de rolagem dos créditos do que de novos recursos. Elas estão, na situação atual, “à deriva, com fatores fora do controle”, segundo o executivo.

Visão do Mercado

Bradesco BBI

O Bradesco BBI destacou que o Itaú Unibanco aumentou suas provisões em 143% no período, acima das expectativas do próprio BBI (135%). As provisões totais foram de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 7,3 bilhões para empréstimos NPL.

O BBI definiu a decisão do Itaú como “conservadora e bem-vinda”, indicando que o banco espera tempos mais difíceis pela frente. Por outro lado, o forte aumento nas provisões comprimiu o lucro líquido recorrente do Itaú, que caiu 43% para R$ 3,9 bilhões no trimestre.

“A queda no lucro pode ser explicada pelo custo maior do risco”, avalia o BBI. O banco cortou sua projeção de lucro líquido para o Itaú neste ano em 16% para R$ 16,6 bilhões.

O Bradesco BBI mantém recomendação Outperform – acima da média do mercado – mas corta o preço-alvo de R$ 35 para R$ 31 em 2020.

BTG Pactual 

O Banco BTG Pactual entende que a surpresa que levou ao erro das projeções foi o aumento extra em R$4,5 bilhões das provisões contra possíveis calotes pela pandemia no primeiro trimestre e que agora entende que o movimento do Itaú será o novo normal pelos bancos.

“Em nosso modelo para bancos brasileiros, assumimos que as inadimplências e provisões começam a subir no segundo trimestre e atingem o pico no segundo trimestre ou início de 2021, e é por isso que esperamos que os lucros dos grandes bancos encolham cerca de 20% em 2020. Isso provavelmente nos forçará a reduzir ainda mais nossa estimativa de ganhos para 2020”, diz o estudo do banco, liderado pelo analista Eduardo Rosman.

O BTG Pactual mantém a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 33,00.

Credit Suisse

O banco Credit Suisse avaliou os resultados do Itaú Unibanco como “marginalmente negativos”. O banco suíço avalia que o Itaú, por ter praticamente dobrado as provisões contra a inadimplência para R$ 10 bilhões no trimestre, está mais municiado para enfrentar os próximos trimestres.

“Vale ressaltar que o Itaú Unibanco teve um desempenho melhor que o Bradesco em termos de qualidade de ativos, e suas provisões para os impactos da Covid-19 foram maiores que as de seus pares, provavelmente por sua base de capital mais forte”, destaca o Credit Suisse.

Eleven Financial 

A Eleven avalia que o Itaú realizou um importante reforço de provisionamento para enfrentar a crise, seguindo a dinâmica verificada nos grandes bancos americanos e pelo par privado Bradesco.

“A postura adotada pelo Itaú reflete uma postura de maior cautela frente ao ambiente incerto e de possível detorioração de ativos no futuro”, diz Tatiana Brandt, analista da casa de Research.

A Eleven faz recomendação de compra com preço-alvo em R$ 29,00.

Morgan Stanley

O banco Morgan Stanley avaliou que o resultado trimestral do Itaú Unibanco, excluindo as provisões e o trading, não foi ruim como pode parecer à primeira vista.

“O lucro trimestral teve queda de apenas 5,5% em comparação ao quarto trimestre de 2019, o que é um fator sazonal. Houve uma sólida expansão de 11% nos empréstimos, em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, e as despesas operacionais recuaram 7%, o que demonstra o comprometimento do Itaú com a redução de custos”, avalia o banco americano.

O Morgan Stanley observa que o Itaú teve um trimestre “duro” e que as provisões foram uma antecipação para a “recessão provocada pelo coronavírus”.

Safra

O Banco Safra avalia que o Itaú Unibanco apresentou dados fracos no primeiro trimestre de 2020

A equipe de analistas liderada por Luis Azevedo viu com surpresa o tamanho das reservas para acautelar inadimplência pela pandemia, de R$10,087 bilhões, mas destaca o bom desempenho do banco no controle de custos no primeiro trimestre.

O Banco Safra mantém recomendação Outperform com preço-alvo de R$ 43,00.

XP Investimentos 

Para a XP, o Itaú Unibanco reportou um resultado abaixo das expecativas, com lucro de R$ 3,9 bilhões (vs. R$ 5,9 bilhões estimados), queda anual de 43% e um retorno sobre patrimônio líquido de 12,6% (vs. 23% no 4T19).

O lucro foi principalmente afetado por um maior provisionamento que visa enfrentar possíveis aumentos na inadimplência; o custo de crédito aumentou 165% anualmente para R$ 10,1 bilhões.

“Acreditamos que as atitudes conservadores adotadas pelo banco sejam necessárias, uma vez que 70% da carteira do banco é concentrada no mais arriscado segmento de varejo, e acreditamos que agora o banco esteja mais preparado para os eventuais efeitos desta crise” avaliou a XP.

A XP mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30,00 para o banco, uma vez que  eventual aumento na inadimplência já esteja precificado.

Desempenho da ação

Nos últimos 5 anos, o papel atingiu a mínima de 15,20 e a máxima de R$ 39,79 com preço médio de R$ 27,97.

Desconsiderando amortizações, a empresa pagou R$ 2,01 em dividendos no valor bruto dos proventos com DATA COM entre 29/04/2019 e 29/04/2020 com Dividend Yield de 8,76%.
Considerando o último fechamento, o dividendo teve uma rentabilidade de 9,19%.
Em 2020, o papel mais líquido (ITUB4) desvalorizou 41,00% oscilando entre R$ 19,98 e R$ 38,20.

Quem é a Itaú Unibanco

Itaú Unibanco Holding S/A – banco brasileiro fundado em 04 de Novembro de 2008 mediante a fusão de duas das maiores instituições financeiras do país, o Banco Itaú Holding Financeira S/A e o União de Bancos Brasileiros (Unibanco) S/A.

A companhia apresenta 80% de Tag Along com Free Float de 9,08% ON 91,52% PN.

No segmento banco comercial, o Itaú Unibanco oferece seguros, planos de previdência e produtos de capitalização, cartões de crédito, gestão de patrimônio, e vários produtos e serviços de crédito para consumidores e empresas de pequeno e médio porte do mercado. Através do Itaú BBA, a instituição atua como banco corporativo e de investimento.

As ações do Itaú Unibanco foram admitidas à negociação na BM&FBOVESPA em 24 de março de 2003, em substituição aos valores mobiliários de emissão do Banco Itaú, que eram negociados na bolsa de valores brasileira desde 20 de outubro de 1944.

Na B3, as ações são negociadas através dos códigos (BOV:ITUB3) (BOV:ITUB4).

Nos Estados Unidos, ações preferenciais do banco são negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE), através do símbolo ITUB, sob a forma de American Depositary Share (ADS).

Na Argentina, o Itaú Unibanco também emitiu Certificados de Depósitos Argentinos (CEDEAR), que representam ações de empresas estrangeiras negociadas no país. Os CEDEAR do banco estão vinculados as suas ações preferenciais, e são negociados na Bolsa de Comércio de Buenos Aires (BCBA), uma associação privada autorregulamentada, sem fins lucrativos.

Ativos Reais que rendem de 15% a 20%. Até agora, essas chances eram restritas a investidores milionários e institucionais.

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