Natura (NTCO3): faz bem para a pele, mas e para o bolso?

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Fevereiro de 2011 e, na época, na Revista ADVFN, trouxemos como destaque na seção IPOs a Natura (BOV:NTCO3), varejista de produtos de beleza. Apesar de a empresa ter feito sua Oferta Pública Inicial de Ações (IPO, na sigla em inglês) já em 2004, naquele ano relembramos como foi grande a aceitação dos investidores para essa ação, que chegou a valorizar “117%, colocando a companhia na lista das marcas mais valiosas do Brasil”, dizia a matéria.

Em apenas seis anos na bolsa, a ação saiu de R$ 7,52 para mais de R$ 44,00, sendo que a companhia foi avaliada em mais de R$ 20 bilhões em 2010. Mas será que o tempo deixou grandes marcas de expressão nessa empresa? Ou ela segue jovem e bonita como antes?

Espelho, espelho meu

Ainda em 2010, aquilo que mais causava rugas na Natura era concorrer com a Avon, uma marca bastante forte em termos de aceitação e vendas para a mulher brasileira. Com preço acessível e sistema de catálogo no canal de Venda Direta (por meio de Revendedores), era difícil bater essa empresa. Mas, como já diz o ditado, “se você não pode com eles (ou está gastando muita energia – e dinheiro – com isso), junte-se a eles”. Em 2019, a briga entre as empresas foi resolvida e elas se tornaram amigas para valer: a Avon se tornou uma holding (controladora) do grupo Natura.

De acordo com relatório da Natura: “a companhia passou a deter 100% das ações da Natura Cosméticos S.A. (“Natura”), sob o código NATU3. Dessa forma, desde 18 de dezembro de 2019 as ações NATU3 deixaram de ser negociadas na B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão e iniciou-se a negociação com as ações NTCO3 no segmento do Novo Mercado da B3”. Está aí também a explicação da mudança do ticker: de NATU3 para NTCO3 (Natura&Co). Foi preciso realizar a mudança devido a essa incorporação e de outras marcas que comentaremos a seguir.

Junto da aquisição da Avon veio, é claro, todas as vantagens que a marca já havia criado, como é o caso de uma base de mais de 5 milhões de Revendedoras independentes, em mais de 55 países. Se você que está lendo isto agora é um homem, talvez não faça sentido, mas, se é uma mulher e quem sabe uma consumidora de Avon, com certeza vai te surpreender saber que essa marca foi fundada nos Estados Unidos (pasme) em 1886! Uma anciã que, com certeza, tem muito a ensinar para a Natura, que tem pouco mais de 50 anos de existência.

“A Natura é uma empresa brasileira, presente em dez países. Conta com 1,8 milhão de consultoras na venda direta, além de 490 lojas (próprias e franqueadas) e uma crescente plataforma on-line. É conhecida pelo modo como integra a sustentabilidade ao seu modelo de negócios”, revela o relatório da Natura.

Além das duas marcas, há mais duas: a The Body Shop e a Aesop. A primeira tem mais de 40 anos de atuação, sendo fundada em 1976, e tem uma pegada mais voltada para produtos inspirados na natureza, incorporando a sustentabilidade e ética no processo fabril. A marca possui mais de 3 mil lojas (próprias e franqueadas) e está presente em mais de 70 países.

Já a Aesop é a empresa mais nova do grupo, nasceu em 1987, em Melbourne, na Austrália. Apesar disso, já está presente em 23 países e possui mais de 240 lojas exclusivas.

Juntas, essas marcas atendem mais de 200 milhões de clientes ao redor do mundo, têm mais de 40 mil colaboradores e associados, mais de US$ 1 bilhão doado para causas femininas e – este número muito te interessa – têm US$ 10 bilhões de receita bruta combinada. Repare que não é em Real o valor, e sim em dólares. Considerando um câmbio de mais de R$ 5 para cada dólar…

 O Clube da Nati

Em 2010, como falamos, em valor de mercado a então NATU3 estava estimada em R$ 20 bilhões. Dez anos depois, o valor é superior a R$ 60 bilhões. Na mesma época, a ação estava em R$ 44 e, agora, a NTCO3 marca mais de R$ 50.

A perspectiva é que as operações da Avon comecem a gerar sinergia com a Natura e que o mercado reconheça esse fortalecimento da marca. Afinal, “Avon é uma marca de beleza icônica, reconhecida em todo o mundo por seu propósito, seu modelo de venda por relacionamento e por seu longo histórico de inovações no mercado de massa. A empresa vende cerca de três batons e duas máscaras de cílios por segundo e é uma das marcas que mais vendem fragrâncias”, revela a Natura.

Enquanto o mercado espera pela beleza desses novos números que serão contemplados pelas operações da Avon, vamos dar uma olhada no desempenho da ação NATU3 e posterior NTCO3 dentro de uma perspectiva de cinco anos?

natura

Obs.: a última cotação data de 18 de novembro de 2020.

A ADVFN analisa graficamente em tempo real todas as companhias da bolsa, incluindo Natura&Co. Além de gráficos, você pode consultar uma análise completa da empresa e ter informações exclusivas sobre ela.

Beleza que vem de dentro para fora

Já está no nome da empresa o apelo para o lado mais natural, e isso pode ser visto tanto nos produtos quanto na forma de operar da Natura. Ela vem acumulando cada vez mais prêmios e citar todos eles aqui não seria exagero, mas preferimos focar em alguns que podem trazer vantagens a longo prazo para a companhia, já que se trata de ações que têm sido muito debatidas em planos empresariais sustentáveis e vistas com mais atenção por governos e comunidades do mundo todo.

  • Mudanças climáticas – A Organização das Nações Unidas (ONU) premiou a Natura por suas ações de combate às mudanças climáticas, por meio do Climate Neutral Now do Global Climate Action Award. Segundo a empresa: “Natura &Co assumiu seu primeiro compromisso socioambiental como grupo ao ser uma das pioneiras na adesão ao Business Ambition for 1.5 °C. Esse movimento empresarial promovido pelo Pacto Global das Nações Unidas se propõe a limitar o aquecimento global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais”.
  • Reciclagem das embalagens – O uso de materiais reciclados na cadeia de produção já tem sido uma ação seguida por muitas empresas, já que os resíduos são, hoje, um dos problemas ambientais mais presentes. De acordo com a Natura, sobre isso vale ressaltar que “A The Body Shop lançou um programa de Comércio Justo com Comunidades na Índia; essa parceria contribuiu para que mais de 250 toneladas de plástico reciclado fossem incorporadas às embalagens no primeiro ano de atuação”. A companhia complementa, destacando seu programa Natura Elos, que começou em 2017, e “estrutura cadeias de logística reversa que garantem o abastecimento de materiais reciclados para a fabricação de embalagens da Natura. Em 2019, foram utilizadas 9,2 mil toneladas de material reciclado pós-consumo provenientes dessa ação”. Em se tratando da Aesop, ela passou a integrar o PET reciclado em 70% das suas embalagens de plástico.
  • Educação presente – A Natura também realiza iniciativas de educação. “Desde que foi criada, em 2016, a Aesop Foundation doou cerca de A$ 4,6 milhões para projetos de alfabetização na Austrália. A Natura alcançou R$ 38,7 milhões com a linha Crer Para Ver no Brasil, batendo recorde de arrecadação pelo terceiro ano consecutivo, e R$ 15 milhões nos outros países da América Latina onde opera. Por meio do Instituto Natura, esse valor é destinado a projetos de educação para as consultoras e de apoio às escolas públicas. Em parceria com a Plan International, a The Body Shop investiu £ 250 mil em projetos de capacitação vocacional para meninas na Índia e no Brasil”, conta a empresa.
  • Investimento em pessoas, o maior patrimônio das empresas – Para incentivar a parceria entre a Natura & Co com suas consultoras, a companhia realizou uma pesquisa para descobrir qual o valor justo de pagamento pelo trabalho delas. Chegou-se à conclusão de que a referência seria R$ 11 por hora. Já para as chamadas líderes de negócio, que coordenam os grupos de consultoras, o salário-base seria de R$ 1.950 por mês. Porém, segundo a empresa, 95% delas tiveram uma remuneração média acima do valor estimado. Mas não é só por aqui que existe essa iniciativa, conforme revela a companhia: “The Body Shop se comprometeu a oferecer remuneração digna aos colaboradores que atuam nas lojas do Reino Unido. A renda básica é 25% superior ao salário mínimo (cujo valor era de £ 8,21 por hora em 2019). A Aesop, por sua vez, concluiu o processo de avaliação da renda básica em todos os mercados onde atua”.

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