ycki
- Dono
- 2836
- 24/11/2007
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Comentários
1181 de 7417
bbb0607
4315 08/10/20071182 de 7417
bbb0607
4315 08/10/2007Siderúrgica alemã está fazendo desinvestimentos na região devido aos custos crescentes, aponta Bloomberg; ação CSNA3 foi destaque nessa sessão
Por Lara Rizério |19h54 | 30-11-2012 A A A
SÃO PAULO - A CSN (CSNA3), terceira maior produtora de aço brasileira, ofereceu cerca de US$ 3 bilhões pelas fábricas da ThyssenKrupp AG nas Américas, de acordo com fontes ouvidas pela agência Bloomberg.
A CSN teria feito uma proposta informal, sendo que participará da última rodada de negociações para a compra; de acordo com a fonte ouvida pela agência, as negociações serão retomadas dentro de quinze dias.
ThyssenKrup gostaria de receber US$ 9 bilhões pelas operações no continente americano, segundo presidente
A ThyssenKrupp possui um valor contábil de US$ 9 bilhões ao serem levadas em consideração as operações nas Américas - sendo uma no Rio de Janeiro e outra nos Estados Unidos. De acordo com o presidente da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, este é o valor total que a empresa espera receber pelas unidades.
Vale ressaltar que as ações da CSN registraram a maior queda do Ibovespa nesta sexta-feira (30), com baixa de 5,15%, aos R$ 10,49.
Desinvestimentos à vista
A ThyssenKrupp anunciou em maio que a venda das fábricas estaria dentre uma das opções tidas como estratégicas, devido aos custos crescentes das unidades em meio ao atraso dos projetos.
A companhia, maior siderúrgica da Alemanha, teve desinvestimentos que contribuíram com cerca de um quarto de suas receitas anuais. As operações no Brasil se iniciaram em 2010, dois anos depois do planejado para o fornecimento de placas de aço para suas fábricas no Alabama e Alemanha. As duas operações na América levaram à companhia a gastar mais de € 10 bilhões, devendo funcionar de forma integrada.
Entretanto, os atrasos na construção da fábrica no Brasil levaram a baixas contábeis de € 2,9 bilhões no ano fiscal que terminou em 30 de setembro de 2011, levando a empresa a ter prejuízo. Procuradas pela Bloomberg, a CSN e a ThyssenKrupp não quiseram comentar o assunto.
http://www.infomoney.com.br/csn/noticia/2625685/csn-teria-oferecido-cerca-bilhoes-pela-thyssenkrupp-das-americas
1183 de 7417
ycki
2836 24/11/2007Rapaz, essa zorra das cotações pode estar mexendo com meus cálculos (inclusive renais), mas não seriam R$ 0,10, ou seja, o after teria que ter fechado em R$ 10,28, em vez dos R$ 10,38?
Abraço!
1184 de 7417
bbb0607
4315 08/10/2007abç...
1185 de 7417
Wayme
132 07/09/2011Se os valores da reportagem estiverem corretos vejo isto até como um fato positivo da CSN, pois se as fabricas custarão 10 bilhões de euros, convertendo para o dolar dá 13 bilhões de dolares, agora a ThyssenKrup quer receber 9 bilhões de dolares por elas, mas a CSN que pagar somente 3 bilhões de dolares, bem abaixo do valor pretendido, se a CSN fechar nestes termos vai ser ótimo, apesar do aumento do endividamento, mas na contrapartida vai aumentar bastante o faturamento.
1186 de 7417
bbb0607
4315 08/10/20071187 de 7417
ycki
2836 24/11/2007Na matéria, há uma sinalização muito branda no parágrafo "Faz Sentido", sobre a única lógica que encontro nessa compra: a possibilidade de sinergia com os negócios da CSN, através da qual se possa gerar mais valor do que para o Thyssen isoladamente.
Sei lá!? Makes sense?
CSN Said to Offer $3 Billion for ThyssenKrupp Plants
http://www.bloomberg.com/news/2012-11-30/csn-said-to-offer-3-billion-for-thyssenkrupp-plants.html
1188 de 7417
claudioinvest
266 07/06/2007CSN faz oferta de US$ 3 bi por ativos da Thyssen, diz fonte
.
Por Talita Moreira | Valor
SÃO PAULO - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fez uma proposta de aproximadamente US$ 3 bilhões pelos ativos da alemã ThyssenKrupp no Brasil e nos Estados Unidos, diz fonte próxima às negociações.
De acordo com esse interlocutor, a CSN e a argentina Ternium são favoritas na disputa e são as únicas empresas a fazer proposta pelo conjunto dos ativos.
A Thyssen pôs à venda a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e uma laminadora no Alabama. O grupo alemão queria receber pelo menos US$ 5 bilhões pelos dois ativos, mas a leitura do mercado é que dificilmente o conseguirá.
Fonte ouvida pelo Valor avalia que a CSN é favorita na disputa com a CSA. Isso porque a siderúrgica brasileira poderia obter ganhos fiscais com a amortização do ágio da operação.
A disputa deve se estender até o primeiro trimestre de 2013
1189 de 7417
felipezero
4016 26/03/20071190 de 7417
bbb0607
4315 08/10/2007se não me engano, quem ia na época entrar com a vale na csa era a própria csn...imagina o preju....
1191 de 7417
felipezero
4016 26/03/20071192 de 7417
claudioinvest
266 07/06/2007Senhores,vale a pena reler essa matéria sobre a nossa CSA.
CSA com o pé na lama
A construção da siderúrgica CSA, no Rio de Janeiro, começou a dar errado já na escolha do terreno, um manguezal na zona oeste da cidade. Hoje, a empresa está à venda
Alexandre Rodrigues, de
Germano Lüders/EXAME.com
Siderúrgica CSA, no Rio: escolhas erradas e a crise econômica nos países ricos minaram o projeto alemão
São Paulo - Uma área de manguezal tem diversas finalidades econômicas. A pesca do caranguejo, crustáceo típico desse ecossistema, é a mais famosa delas. O cultivo de plantas ornamentais, a criação de abelhas ou o turismo são outras formas aconselháveis de desfrutar as características únicas de um mangue (tudo de forma sustentável, claro).
Há sete anos, o conglomerado alemão ThyssenKrupp e a mineradora brasileira Vale decidiram que era hora de tratar esse ecossistema de maneira um pouco mais inovadora: escolheram um terreno pantanoso, ao lado de um manguezal, na zona oeste do Rio de Janeiro, para construir a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA).
Se viver é perigoso, inovar é arriscado. E, no caso da CSA, logo se viu que a ideia de levantar uma usina com centenas de milhares de toneladas sobre aquele lamaçal todo não era nada boa. Fazer as fundações foi tão tortuoso que, em determinado momento, um quarto dos bate-estacas disponíveis no país estava sendo usado para estabilizar o solo do mangue carioca. Eis o resumo da história da CSA — a siderúrgica nasceu na lama; em seguida, veio o caos.
A estranha escolha do terreno foi, hoje se sabe, apenas a primeira das trombadas que culminaram na recente decisão da Thyssen de passar o negócio adiante.
A empresa alemã contratou os bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley para encontrar um interessado disposto a pagar estimados 2,7 bilhões de euros por sua participação de 73% na empresa (o resto é da Vale, que admitiu que também pode vender sua parte). É um fim melancólico para um projeto que nasceu repleto, em 2005, de atrativos tidos como óbvios na época.
A parceria com a Vale garantiria minério de ferro de qualidade e baixo custo. A construção de uma laminadora do grupo alemão no estado americano do Alabama permitiria transformar as placas brasileiras em chapas de aço para abastecer clientes como montadoras de automóveis, que tinham as vendas em alta naquele momento.
A instalação às margens da baía de Sepetiba eliminaria gargalos logísticos com a construção de um porto para despachar as placas para o Alabama. A operação ainda neutralizaria o protecionismo dos Estados Unidos ao aço acabado brasileiro — as placas sofrem menos taxação do que as chapas. Daria tudo certo, não tivesse dado tudo errado.
Muito em função do “efeito mangue”, a CSA foi inaugurada com um ano e meio de atraso, no fim de 2010, e custou 70% mais do que o previsto (5,2 bilhões de euros). A usina funciona parcialmente até hoje. E dá prejuízo
A fábrica carioca e a laminadora do Alabama fecharam o último ano fiscal com mais de 1 bilhão de euros no vermelho (a Thyssen divulga os resultados das duas somados). A CSA vem sendo acionada por 40 fornecedores que dizem não receber desde a fase de construção. Procuradas, Thyssen e Vale não quiseram dar entrevista.
O barato saiu caro
Como uma multinacional que fatura quase 50 bilhões de euros conseguiu errar tanto? Parte da resposta está no fato de que a Thyssen não erguia uma siderúrgica do zero havia seis décadas. Ainda na fase do arranjo societário, a Thyssen deixou claro que pretendia mandar sozinha na CSA.
A ideia original era que os alemães tivessem 70% das ações, mas, no fim, acabaram com 90%. A Thyssen enviou ao Brasil duas dezenas de executivos europeus para tocar o projeto no mangue.
O plano inicial era contratar apenas uma empresa para fazer o pacote completo — da construção civil à instalação dos equipamentos. Quando os orçamentos chegaram, os alemães acharam caro demais e decidiram assumir a administração do canteiro de obras. O primeiro problema apareceu na fase de fundação, em razão da instabilidade do solo.
“A área era como areia movediça e o alicerce custou várias vezes mais que o projetado”, diz um ex-executivo da empresa. Apesar de o próprio grupo Thyssen ter uma fabricante de coquerias (parte da usina que produz coque, o carvão fundido, um dos principais insumos do aço), a Uhde, os alemães decidiram comprar uma coqueria da chinesa Citic.
A ideia, de novo, era economizar. A coqueria sairia pelo preço desejado se fosse montada por 4 000 chineses, mas o governo brasileiro só permitiu a entrada de 600 deles, desde que seguissem as leis locais, com descanso semanal e hora extra remunerada. No final, a coqueria não só atrasou como deu defeito, e a Uhde foi chamada para consertá-la.
A coqueria só deve operar plenamente a partir de agora. Enquanto isso, a CSA seguiu importando coque. Em 2009, abatida pela crise, a Thyssen ameaçou interromper a construção.
O então presidente da Vale, Roger Agnelli, liberou 2,1 bilhões de reais para manter a obra — e a mineradora, a contragosto, elevou a participação de 10% para 27% na sociedade. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a siderúrgica em 2010.
Quando a CSA finalmente começou a operar, em agosto de 2010, deu origem a um episódio daqueles que poderiam ter sido imaginados por seguidores do realismo mágico latino-americano. O bairro onde fica a usina, Santa Cruz, na zona oeste do Rio, foi coberto várias vezes por uma espessa nuvem de poeira metálica.
Apesar de a poeira não ser tóxica, o incidente provocou medo e manifestações de moradores que repercutiram até no Parlamento alemão. A CSA foi multada em 18,6 milhões de reais e obrigada a investir outros 100 milhões em equipamentos para conter a poluição.
Se cometeu tantas barbeiragens naquilo que estava sob seu controle, diga-se, em defesa da Thyssen, que o mercado também não ajudou. O preço do aço caiu quase à metade depois da crise de 2008 e ainda não se recuperou totalmente. Em 2005, o custo de produção de placas no país era de 232 dólares por tonelada, ante 307 dólares da média mundial.
No ano passado, a relação era de 520 dólares no Brasil, ante 573 no mundo. Houve até espaço para uma tragédia no meio do caminho: o executivo sul-africano Erich Heine, enviado ao país para arrumar o que estava dando errado com a CSA, foi uma das vítimas do voo da Air France que caiu no Atlântico em 2009.
O novo presidente mundial da Thyssen, Heinrich Hiesinger, decidiu que chegou a hora de se livrar da CSA, mesmo que barato. O processo de venda está em sua fase inicial — Morgan Stanley e Goldman Sachs estão pedindo propostas de potenciais interessados, sobretudo na Ásia, continente em que a demanda por aço segue aquecida.
As coreanas Posco e Dongkuk estão entre as mais cotadas. Entre as nacionais, apenas a CSN, de Benjamin Steinbruch, admitiu interesse. Steinbruch está capitalizado, mas há alguns pontos que o atrapalham, como resistências no
BNDES (credor da CSA que terá de aprovar a venda) e na Vale (ter um sócio autossuficiente em minério, como é o caso da CSN, não faria muito sentido). Para a Thyssen, só um ponto interessa — o ponto final
1193 de 7417
pivetta
613 28/05/20071194 de 7417
vcfernandes
661 17/08/20071195 de 7417
bbb0607
4315 08/10/200703 de dezembro de 2012 | 9h 09
Notícia
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RAQUEL LANDIM - Agencia Estado
SÃO PAULO - Dois lobbies muito poderosos estão travando uma guerra silenciosa nos gabinetes de Brasília. Os fabricantes de aço pressionam o governo federal a adotar barreiras contra a importação, mas encontraram um adversário de peso pela frente: as montadoras.
As siderúrgicas sofreram um importante revés. No fim de setembro, a administração Dilma Rousseff negou um pedido da CSN, apoiado por Usiminas e Arcelor Mittal, para adotar uma tarifa antidumping contra a importação de aço revestido, o mais utilizado por fabricantes de veículos e eletrodomésticos, vindo, principalmente, da China.
Em 144 páginas de parecer, o mais longo da sua história, o Departamento de Defesa Comercial (Decom), do Ministério do Desenvolvimento, concluiu que ocorreu um surto de importações de aço com dumping (a preços abaixo dos praticados no mercado de origem) mas que isso não provocou dano para as siderúrgicas nacionais.
Em manifestações no processo, a Volkswagen afirmou que a imposição de medida antidumping neste caso seria "catastrófica" para a indústria automobilística nacional. A Renault informou que o mercado brasileiro "é um dos mais caros do mundo para adquirir aço".
A CSN, presidida pelo empresário Benjamin Steinbruch, foi surpreendida com a decisão e, conforme fontes ouvidas pelo Estado, vai fazer de tudo para reverter o resultado. A empresa entrou com um recurso, que está sendo analisado pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.
Também colocou seus executivos em campo para convencer as autoridades, principalmente no Ministério da Fazenda, da necessidade de proteger esse mercado. O setor vai tentar incluir o aço revestido na nova lista de aumentos de tarifa de importação que vem sendo preparada pelo governo para proteger a indústria nacional.
"Sob condições normais, o Brasil não precisa de aço importado. Só queremos isonomia.
Estamos percorrendo todos os secretários do governo para explicar isso", diz uma fonte do setor siderúrgico. "Não podemos interferir diretamente num processo antidumping, mas vamos reagir se o aço for incluído em alguma lista de exceção", diz uma fonte de uma montadora.
Está em jogo um mercado estimado em mais de R$ 4 bilhões por ano, que são as vendas de aço laminado plano revestido. Esse tipo de aço recebe um revestimento de zinco, pode ser vendido até pré pintado e, entre outras funções, é utilizado para fabricar carros e eletrodomésticos, como geladeiras.
O aço revestido custa hoje entre 15% e 20% mais caro que o tradicional. É, portanto, o produto que as siderúrgicas mais querem vender. Mas é também a principal matéria-prima de empresas poderosas.
No processo antidumping, aparecem como importadoras as montadoras Fiat, Ford, Volks e Renault, além de empresas de outros setores como Electrolux e Samsung. Embora estejam brigando para manter as tarifas de importação estáveis, as montadoras compram um volume pequeno de aço revestido fora do País. Essas empresas optam pelo produto local, porque precisam do aço em depósitos próximos de suas fábricas. A questão é que o valor do aço importado funciona como referência no Brasil. As tarifas de importação, portanto, interferem diretamente nas negociações de preço entre siderúrgicas e montadoras.
Frustração
Segundo fontes do mercado, a CSN ficou muito frustrada com o resultado negativo do caso antidumping, porque contraria o discurso protecionista do governo Dilma. A empresa gastou cerca de R$ 300 mil no processo, que demorou 17 meses para ser concluído.
Foram cinco países investigados (Austrália, China, Coreia do Sul, Índia e México) e os técnicos do Decom visitaram as siderúrgicas brasileiras e as concorrentes no exterior. "Os técnicos do Decom estiveram nas fábricas e viram as linhas de produção paradas. Se isso não é dano, não sei o que é", diz uma fonte.
O órgão encontrou um aumento expressivo das importações no período investigado, cuja participação no consumo do País saltou de apenas 4,5% em 2006 pra 36,6% em 2010. Também encontrou margens de dumping que variavam de US$ 77 a US$ 412 por tonelada.
Mas, na avaliação do Decom, as importações não estavam provocando dano para as siderúrgicas, cujos resultados melhoraram no período. O lucro operacional das empresas cresceu 51,9% entre 2006 e 2010. Em seu recurso, a CSN argumenta que os dados estão distorcidos por acontecimentos excepcionais, como a explosão de um alto-forno em 2006.
"Não adianta uma margem de dumping elevada se falta o dano. Os indicadores mostram uma recuperação do setor no período", disse Felipe Hees, diretor do Decom. "Nenhuma empresa montaria um processo desse se não se sentisse prejudicada pelas importações", afirma Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil. Procuradas, CSN, Arcelor e Usiminas não deram entrevista. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,preco-do-aco-abre-guerra-entre-siderurgicas-e-montadoras,136675,0.htm
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bbb0607
4315 08/10/2007Compartilhar:
Por Antonio Perez, Aline Cury Zampieri e Luciana Seabra | De São Paulo
De um lado, a decepção com o ritmo de recuperação da economia brasileira, após o PIB raquítico do terceiro trimestre. Do outro, tênues sinais de que o ambiente externo começa a desanuviar, com diminuição dos temores de recessão americana e de quebradeira na Europa. No meio do caminho, a esperança de que o Índice Bovespa, após tanto apanhar, possa arrancar na reta final e presentear os investidores com um rali no fim de ano. E a expectativa se justifica. De 2001 a 2011, o Ibovespa só amargou queda em dezembro uma única vez, e foi justamente no ano passado, quando caiu 0,21%.
Segundo a maioria dos analistas ouvidos pelo Valor, há uma possibilidade razoável de que o Ibovespa feche dezembro no azul. Mas é bom não se animar muito. Uma arrancada até os 70 mil pontos, que ainda era cogitada há alguns meses, saiu do radar. O estrategista do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves, por exemplo, que no começo do ano previa Ibovespa aos 67 mil, revisou a estimativa para 60 mil. Isso levaria o índice a fechar dezembro em alta de 4,40%. Não é uma arrancada, mas representaria uma recuperação, já que em 2012, até novembro, o Ibovespa sobe apenas 1,27%.
Essa caminhada até os 60 mil, contudo, não será nada suave. Além do PIB fraco no terceiro trimestre, que esfria um pouco o ânimo com 2013, e do crescente temor de medidas do governo (vide guerra dos spreads e pacote de energia), há um ambiente externo ainda duvidoso. E é justamente lá fora, dizem os analistas, que vai ser definido o rumo do Ibovespa.
A crise da dívida na Europa, um fantasma que assombrou o mercado durante todo o ano, assusta menos após a aprovação de nova rodada de auxílio financeiro à Grécia. As atenções estão voltadas agora para os Estados Unidos e a China. No caso do gigante asiático, há dúvidas sobre o ritmo de crescimento em meio à troca de governo. Já nos EUA, a expectativa gira em torno de um acordo no congresso americano para evitar o chamado "abismo fiscal" - uma combinação de corte de gastos e aumento de impostos automáticos capaz de jogar a economia americana na recessão.
Para a bolsa brasileira engatar um rali em dezembro, os Estados Unidos precisam colaborar, afirma Felipe Tâmega, economista-chefe da gestora Modal. Se o governo americano deixar para resolver o "fiscal cliff" no ano que vem, diz, a bolsa deve cair. Já a sinalização breve de uma solução dispararia uma alta das bolsas internacionais e brasileira. Ele acredita no segundo cenário. "Temos uma perspectiva de que o problema será resolvido", afirma Tâmega, que também vê uma retomada do ciclo de investimentos na China.
Para o sócio-executivo da Quest Investimentos, o Ibovespa pode experimentar uma "reação técnica" e alcançar os 60 mil pontos. Fortalecido pela reeleição, o presidente Barack Obama deve conseguir costurar um acordo no congresso americano para evitar o "fiscal cliff", levando a um repique das bolsas americanas. "O Ibovespa seria puxado por essa onda, com reação de alguns papéis de setores que sofreram muito este ano, como uma ou outra ação de siderurgia", afirma. "Mas não acredito em um movimento maior, para os 70 mil pontos, porque a visão para Vale e Petrobras, que ainda pesam muito no Ibovespa, segue ruim. No caso da Vale, falta uma previsibilidade maior do ritmo de crescimento da China", afirma.
Em relatório de estratégia de ações para a América Latina divulgado na quinta-feira, dia 29, os analistas do Bank of America Merrill Lynch (BofA) também descartam uma valorização expressiva da bolsa em dezembro. "Incertezas globais impedem que o investidor acredite em um rali de fim de ano, sensação que acabou sendo confirmada pelo fluxo de recursos de fundos da semana encerrada em 28 de novembro", afirmam os analistas Felipe Hirai e Marina Valle. Os fundos da América Latina viram retiradas de US$ 14 milhões, US$ 2,6 milhões em carteiras dedicadas ao Brasil.
O analista da corretora Planner Brian Moretti também mostra ceticismo com a bolsa brasileira. "Estamos vendo um cenário de maior risco se comparado com a virada do último mês", afirma. A indefinição sobre a questão fiscal dos EUA e os dados fracos da economia brasileira, na opinião dele, jogam contra um rali da bolsa em dezembro. As posições "vendidas" em ações (ou seja, apostas na queda), que a corretora acompanha mensalmente, cresceram com relação a outubro, segundo Moretti. Ele acredita que o cenário interno, como o imbróglio da renovação das elétricas, vai pesar sobre o mercado e pode até fazer o Ibovespa ficar para trás no caso de uma alta das bolsas internacionais.
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