Abílio Diniz renuncia à presidência do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar

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São Paulo, 06 de Setembro de 2013 – Depois de dois anos de muita luta para manter-se no controle do Grupo Pão de Açúcar, fundado por seu pai em 1948, o empresário Abílio Diniz chegou a um acordo com o grupo francês Casino e anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração da empresa.

Nesta sexta-feira, 06 de setembro de 2013, o empresário Abílio Diniz anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA), empresa fundada por seu pai, Valentim dos Santos Diniz, em 07 de setembro de 1948.

Abílio Diniz anunciou oficialmente sua saída do Grupo Pão de Açúcar logo após ter chegado a um acordo com o grupo francês Casino, atual controladora da empresa brasileira. O acordo sela o fim de uma longa e desgastante disputa por poder entre os dois principais acionistas do GPA.

Em comunicado conjunto, Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, afirmam que decidiram “terminar suas disputas e concluir sua parceria de maneira benéfica para ambos, de forma que cada um possa livremente seguir em frente e perseguir novas oportunidades”.

Pelo acordo, ficou decidido que Abílio Diniz trocará as ações ordinárias que detêm na Wilkes, holding controladora do GPA, e receberá ações preferenciais, na razão de 1 para 1. Com isso, o empresário passará a ter cerca de 9% das ações preferenciais do Grupo Pão de Açúcar – aquelas que não dão direito a voto – juntando com os cerca de 2% de ações ordinárias que ele já possuía anteriormente ao negócio.

Ainda de acordo com os termos do acordo, a Wilkes deixa de existir e os conselheiros Luiz Fernando Figueiredo e Modesto Carvalhosa também renunciam ao conselho de administração do Pão de Açúcar.

O acordo anterior firmado em 2005 entre o empresário e o Casino garantia que o empresário permaneceria no cargo de presidente do conselho de administração do GPA mesmo depois da transferência do controle acionário do grupo aos franceses, fato que ocorreu em junho de 2005. Porém, o Casino passou a cobrar publicamente a renúncia de Abílio Diniz da presidência do conselho do GPA desde que o empresario também passou a acumular a presidência do conselho da BRF – o principal fornecedor da rede de supermercados Pão de Açúcar.

Abilio Diniz afirmou, porém, que o acordo não foi motivado por temores em relação ao Cade impedir a atuação dele ao mesmo tempo na presidência dos conselhos do Pão de Açúcar e da BRF. O motivo de ter ocorrido neste momento, disse, foi o de terem conseguido um “acordo suficientemente bom para ambas as partes”.

Em fato relevante, o Grupo Pão de Açúcar informou que o Casino trocará 19,375 milhões de ações preferenciais do Pão de Açúcar pela mesma quantidade de ordinárias emitidas pela Wilkes detidas por Abilio Diniz.

O empresário destacou que considera o investimento no Pão de Açúcar excelente e que não planeja novas vendas de ações preferenciais.

 

Entenda por quê Abílio Diniz deixou o Grupo Pão de Açúcar

 

A saída de Abilio Diniz da presidência do Conselho do Pão de Açúcar põe fim a uma conturbada relação do empresário com o Casino. As relações do brasileiro com o grupo francês se deteriorou desde que o empresário tentou uma fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil em 2011.

O Casino conseguiu, porém, barrar a iniciativa do empresário. O conselho de administração do grupo francês rejeitou a oferta de fusão e o BNDES não confirmou o apoio, o que impediu o avanço do projeto de fusão. Na ocasião, o Casino argumentou que a fusão teria o objetivo de impedir que o grupo assumisse o controle do Pão de Açúcar, como previa o acordo assinado em 2005.

As desavenças entre as duas partes se agravaram neste ano, quando o empresário foi eleito para a presidência do conselho da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil e que tem o Pão de Açúcar como seu principal distribuidor de produtos no mercado interno.

Após transferir o controle da varejista ao Casino, no ano passado, Abilio Diniz reduziu de forma significativa sua presença no capital da varejista. Em apenas três leilões de venda de ações preferenciais em seu portfólio desde o fim de 2012, ele embolsou mais de R$ 2,5 bilhões.

Leia a íntegra da carta de renúncia de Abílio Diniz à presidência do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar

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