Brasil: criação de novos empregos em fevereiro supera as expectativas

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O mercado de trabalho brasileiro registrou a abertura de 260.823 novas vagas com carteira assinada em fevereiro. Foi o melhor resultado para o mês desde 2011 e o sétimo mês consecutivo de expansão, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A performance do último mês superou com sobras a registrada em fevereiro de 2013, quando foram criados 123 mil postos de trabalho. Em relação a janeiro, quando tinham sido criados 29.595 vagas com carteira, a alta de fevereiro foi quase nove vezes. O resultado surpreendeu o s analistas de mercado, que esperavam pela abertura de 110 mil novos postos de trabalho.

Rio de Janeiro, 18 de Fevereiro de 2014 – O Ministério do Trabalho informou nesta segunda-feira que foram criados em fevereiro 260.823 empregos formais (com carteira assinada). Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado é 111% superior ao registrado em fevereiro do ano passado, com 123.446 mil novos postos.

O número é resultado de 1.989.181 contratações com carteira assinada, menos 1.728.358 demissões no período. Foi o melhor fevereiro desde 2011, quando foram criados 280.799 postos. Entre os fatores que ajudaram na elevada geração de empregos está o fato de que, ao contrário de outros anos, fevereiro de 2014 não contou com o feriado do carnaval.

A criação de vagas veio acima do esperado pelo mercado e foi também bem superior à de janeiro, quando haviam sido criados 29.595 postos com carteira assinada, sem ajuste.

O resultado surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam pela abertura de 110 mil novas vagas, com as projeções variando entre 91 mil e 130 mil novos postos.

A economia brasileira mostra os primeiros sinais de que atividade neste início de 2014 está em ritmo positivo, com produção industrial e varejo em alta. Ainda assim, especialistas avaliam que ainda é cedo para acreditar que a economia não vai desacelerar neste ano.

Mesmo com a volatilidade, o mercado de trabalho continua sendo uma das âncoras do governo da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição este ano.

No acumulado do ano, segundo o ministério, foram gerados 302.190 postos de trabalho e no acumulado dos últimos 12 meses foram criados 1.157.709 postos de trabalho. De acordo com o relatório, de janeiro de 2011 a fevereiro de 2014 foram criadas 4.792.529 vagas.

A meta do Ministério do Trabalho é alcançar, ao longo de 2014, entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de novos empregos. No ano passado, foram criados 1,11 milhão de vagas, pior resultado em dez anos e 14,1% menor do que o registrado em 2012.

 

Criação de empregos por região

 

Segundo os dados do Caged, a expansão do nível de emprego foi verificada nas cinco  grandes regiões do país, com Sul e Nordeste registrando saldos recordes.

O estado de São Paulo liderou a geração de emprego no país em fevereiro, com 77.928 novos empregos formais

No Sul, o saldo foi de 79.990 postos, proveniente da expansão recorde do emprego nos 3 estados: Santa Catarina (+27.891 postos ou +1,40%), Rio Grande do Sul (+26.487 ou +1%) e Paraná (+25.612 ou +0,94%).

Os catarinenses só ficaram atrás dos paulistas em número de vagas criadas. O estado de São Paulo liderou a geração de emprego no país em fevereiro, com um saldo de 77.928 empregos formais.

No Nordeste, a expansão foi de 17.565 postos, resultado do aumento do emprego em sete estados, com cinco deles registrando recordes: Bahia (+7.420 postos), Ceará (+7.231), Paraíba (+1.385), Piauí (+ 966) e Rio Grande do Norte (+931).

No Sudeste, o saldo foi de 130.628 vagas. No Rio, a expansão foi de 25.820 postos e no Espírito Santo, de 4.166.

No Centro-Oeste, foram gerados 29.515 novos postos e no Norte, 3.125 empregos formais.

 

Criação de empregos por setor

 

Os dados do Caged mostram que a expansão do emprego em fevereiro foi generalizada, com todos os setores apresentando um melhor comportamento frente a fevereiro de 2012.

O setor que mais cresceu foi o setor de serviços, com 143.345 empregos. A indústria de transformação foi o segundo, com 51.951 postos de trabalho. Em terceiro lugar ficou a construção civil com 25.055 postos.

Na sequência, aparecem comércio (+19.330 postos, o maior saldo para fevereiro desde 2005), administração pública: (+12.804 postos) e agricultura (+6.098, o que aponta para uma reação comparativamente a fevereiro de 2013, quando foram perdidos 9.775 postos).

 

Criação de empregos na indústria

 

O emprego na indústria brasileira ficou estável em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores, no entanto, recuou 0,5% na mesma comparação.

A estabilidade no emprego veio após dois meses seguidos de queda, de 0,4% em dezembro e 0,1% em novembro. Frente a janeiro de 2013, houve queda de 2,0%, no 28º resultado negativo nesse tipo de comparação, e o mais intenso desde dezembro de 2009, quando foi de 2,4%. Em 12 meses, a queda acumulada é de 1,2%.

Na comparação entre meses de janeiro, houve queda no emprego na indústria em 12 dos 14 locais pesquisados, com a maior pressão vindo de São Paulo – estado com a maior indústria do país, onde a queda foi de 3,1%, com destaque para os recuos nas indústrias de máquinas e equipamentos (-9,3%), produtos de metal (-13,3%), e produtos têxteis (-10,9%).

Houve resultados negativos importantes também no Rio Grande do Sul (-3,3%), Região Nordeste (-2,2%), Paraná (-2,3%), Minas Gerais (-1,4%) e Bahia (-3,2%).

As altas no emprego industrial vieram da Região Norte e Centro-Oeste (1,3%) e Santa Catarina (0,4%), impulsionados, em grande parte, pelos setores de alimentos e bebidas (2,5%) e de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,8%), no primeiro local; e de alimentos e bebidas (2,9%), borracha e plástico (6,4%), madeira (10,5%) e de máquinas e equipamentos (3,4%), no segundo.

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria teve queda de 0,5% frente ao mês imediatamente anterior, após ficar estável em dezembro e crescer 2,7% em novembro. O destaque negativo veio da indústria de transformação, com queda de 0,2%, enquanto o setor extrativo teve alta de 2%.

Frente a janeiro de 2013, houve alta de 3,7% na folha de pagamento real, interrompendo dois meses seguidos de queda nesse tipo de comparação. Em 12 meses, segundo o IBGE, a alta acumulada é de 1,6%.

Na comparação entre meses de janeiro, o principal impacto positivo veio de São Paulo (4,4%), com destaque para a expansão no valor da folha de pagamento real nas indústrias de meios de transporte (8,3%), alimentos e bebidas (10,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (12,0%), borracha e plástico (10,4%) e papel e gráfica (3,8%).

Houve altas importantes também em Minas Gerais (7,2%), Região Norte e Centro-Oeste (7,9%), Paraná (5,5%) e Santa Catarina (4,9%). Em sentido contrário, as principais influências negativas vieram da Região Nordeste (-1,4%) e do Espírito Santo (-5,6%).

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