IPP: inflação mensal medida na porta das fábricas acelera em março e acumula alta de 2,22% no ano

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Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2015 – Em março de 2015, os preços coletados nas indústrias de transformação variaram, em média, 1,93% quando comparados a fevereiro de 2015, número superior ao observado na comparação entre fevereiro e janeiro (0,26%). Com isso, o acumulado no ano fica em 2,22%, contra 0,29% em fevereiro. O acumulado nos últimos doze meses foi de 4,94%.

Entre o terceiro e o segundo mês do ano, dezenove das vinte e três atividades pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram variações positivas de preços, contra dezesete do mês anterior. As quatro maiores variações observadas em março se deram entre os produtos compreendidos nas seguintes atividades industriais: outros equipamentos de transporte (7,86%), fumo (5,58%), outros produtos químicos (5,56%) e papel e celulose (4,91%).

Confira a performance mensal de todos os grupos de indústria avaliados pelo IBGE em março de 2015 para elaboração do IPP

Em termos de influência, na comparação entre março e fevereiro de 2015, alguns itens sobressaíram: outros produtos químicos (0,57%), alimentos (0,35%), metalurgia (0,21%) e outros equipamentos de transporte (0,18%).

A seguir são analisados com mais detalhes sete setores, que, no mês de março, encontravam-se entre os principais destaques do Índice de Preços ao Produtor.

Alimentos

Em março de 2015, os preços dos alimentos variaram, em média, 1,77%, maior resultado desde agosto de 2013 (3,20%). Com isso, o setor acumulou variação de 2,51%, taxa positiva que, num mês de março, não ocorria desde 2012 (0,03%). Dois produtos são listados tanto como destaque em termos de variação quanto em termos de influência: leite esterilizado / UHT / Longa Vida e carnes de bovinos frescas ou refrigeradas. Todavia, enquanto o impacto do primeiro foi positivo, o do segundo foi negativo. Os outros dois produtos destacados em termos de influência foram resíduos da extração de soja e açúcar cristal, ambos com variações de preços positivas, na comparação entre março de 2015 e fevereiro de 2015. Com exceção do leite esterilizado / UHT / Longa Vida, os outros três pertencem ao grupo daqueles que têm as maiores contribuições no cálculo do setor. O impacto dos quatro produtos foi de 0,70 ponto percentual (em 1,77%). Menor oferta, no caso de leite e do açúcar, e câmbio, atrelado a uma maior demanda, no caso da soja, explicam os movimentos dos preços desses produtos. No caso de carnes, apesar do câmbio, as empresas reportaram uma demanda externa em queda, o que justificaria a queda observada no preço do produto.

Papel e celulose

Os produtos do setor de papel e celulose apresentaram, em março de 2015, um aumento médio de preços ao produtor da ordem de 4,91%, em relação a fevereiro de 2015 (2,84%). A variação de março de 2015 foi a maior desde o início da pesquisa em janeiro de 2010. Os preços desse setor são influenciados pela desvalorização cambial ocorrida nos três últimos meses. De janeiro de 2015 até março de 2015, os preços desses produtos acumularam um aumento de 8,85%. Os quatro produtos que mais influenciaram o aumento de 4,91% do último mês foram celulose, papel para escrita, impressão e outros usos gráficos, não revestidos de matéria inorgânica, papel kraft para embalagem não revestido, e cadernos. Esses quatro produtos foram responsáveis por 4,72 pontos percentuais na variação total do setor.

Refino de petróleo e produtos de álcool

O setor de refino de petróleo e produtos de álcool, com o resultado de -0,66% observado em março de 2015, o terceiro negativo consecutivo nessa comparação, acumulou -4,43% de variação. Vale dizer que, no acumulado, três variações negativas consecutivas ocorreram apenas em 2012 (janeiro, -0,58%; fevereiro, -0,78% e março, -0,42%), numa série que, além desses pontos, só teve um outro negativo (abril de 2010, -0,46%). Os destaques, tanto em termos de variação quanto em termos de influência, recaem sobre os mesmos produtos: óleos lubrificantes básicos, querosenes de aviação, álcool etílico (anidro ou hidratado) e gasolina automotiva. As variações dos preços desses produtos, com exceção de querosenes de aviação, foram negativas, e, somadas, a influência deles foi de -0,45 ponto percentual em -0,66%. Os derivados de petróleo tiveram variação de preços condizentes com o ambiente internacional e, no caso do álcool, estoques altos justificam a queda observada no mês.

Outros produtos químicos

Em março/2015, os preços de outros produtos químicos variaram 5,56%, primeiro resultado positivo depois de três negativos consecutivos. Vale dizer que essa taxa é a terceira maior entre todas as das indústrias de transformação, abaixo de outros equipamentos de transporte (7,86%) e fumo (5,58%). Com essa variação, o acumulado no ano reverteu o resultado negativo em fevereiro de 2015 (-4,84%) para positivo (0,45%). Dos quatro produtos no topo das maiores influências, três estão entre as quatro maiores contribuições no cálculo do setor: adubos ou fertilizantes à base de NPK, herbicidas para uso na agricultura e etileno (eteno) não-saturado – o outro produto é polipropileno (PP). Os oito produtos em destaque tiveram variações positivas de preços, e os quatro de maior influência somaram 3,10 pontos percentuais (em 5,56%). A desvalorização do real e o aumento do preço da energia elétrica estão na base dos aumentos verificados em março.

Metalurgia

O Índice de Preços ao Produtor do setor de metalurgia foi a terceira maior influência no aumento de preços total das indústrias em março de 2015, comparado com fevereiro, no acumulado de 2015, e no acumulado dos últimos 12 meses. Em março, o setor teve um aumento de 2,55% em relação a fevereiro de 2015, cujo aumento contra janeiro havia sido de 0,65%. Com isso, no primeiro trimestre, o setor teve 3,91% de aumento acumulado, e nos últimos 12 meses, 9,19%. Os produtos da Metalurgia que tiveram maior variação em março de 2015 foram chapas e tiras de alumínio em outras formas; alumínio não ligado em formas brutas; barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre; e ligas de alumínio em formas brutas. Os três últimos produtos acima, mais lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono, devido ao seu grande peso na atividade, exerceram a maior influência no aumento de preços do setor, com 2,51 pontos percentuais.

Veículos automotores

A variação de 0,47% observada no setor de veículos automotores é a menor do ano até o momento e, com ela, o acumulado alcançou 2,63%. Em relação ao acumulado em doze meses, a taxa de março (7,93%) é a maior da série, tendo sido antecedida por uma sequência que contém as sete maiores taxas nessa comparação. O início desses sete pontos foi setembro de 2014, momento em que houve a maior variação mensal (1,69%). Entre os destaques em termos de variação e em termos de influência, apenas peças para motor de veículos automotores pertencem às duas listas. A influência conjunta das variações desse produto e das variações de automóveis para passageiros, a gasolina, álcool ou bicombustível, de qualquer potência (única variação negativa entre os mais influentes), caminhão-trator para reboques e semi-reboques e carrocerias para ônibus foi de 0,30 ponto percentual (em 0,47%). Vale registrar que, dos quatro produtos, apenas carrocerias para ônibus não está entre o de maior contribuição no cálculo do índice setorial e o aumento verificado está atrelado a uma negociação específica, ocorrida nesse mês para mais de uma empresa produtora.

Outros equipamentos de transporte

Em março de 2015, os preços do setor de outros equipamentos de transporte apresentaram variação positiva de 7,86% em relação ao mês anterior. O resultado neste indicador é o maior verificado nas indústrias de transformação, com a variação de preços da atividade exercendo a quarta maior influência no indicador global (0,18 ponto percentual). A taxa acumulada no ano chegou a 14,14% em março, novamente o maior resultado observado nas indústrias de transformação. A variação positiva neste mês é a oitava consecutiva verificada no setor — neste período os preços avançaram 27,7%. Na comparação com o mesmo mês de 2014, verifica-se uma variação positiva de 24,77% nos preços em março de 2015, resultado que também é o maior verificado nas indústrias de transformação. Tanto o indicador mensal quanto os indicadores de mais longo prazo, demonstram aderência com a variação da taxa de câmbio (R$/US$) ao longo do tempo, nesse tocante, destaca-se o impacto do câmbio sobre aviões, produto com maior contribuição na composição do índice do setor.

IPP

Produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Produtor (IPP) tem como principal objetivo medir a variação média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no Brasil.

O IPP mensura a evolução dos preços de produtos de vinte e três setores da indústria de transformação. Cerca de mil e quatrocentas empresas são visitadas pelo IBGE para a pesquisa.

Os preços coletados ainda não apresentam a incorporação de impostos tarifas e fretes, sendo definidos apenas pelas práticas comerciais usuais. O instituto coleta, aproximadamente, cinco mil preços por mês.

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