Produção industrial brasileira cai 0,8% em Março de 2015

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Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2015 – O setor industrial brasileiro, em março de 2015, voltou a mostrar um quadro de menor ritmo produtivo, expresso não só no segundo resultado negativo consecutivo na comparação com o mês imediatamente anterior, mas também no perfil disseminado de taxas negativas nesse mês, já que todas as grandes categorias econômicas e a maior parte das atividades apontaram redução na produção. Vale destacar que, com o resultado de março de 2015, o total da indústria encontra-se 11,2% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013.

Ainda na série com ajuste sazonal, permanecem os sinais de menor intensidade da atividade industrial que ficam evidenciados na evolução do índice de média móvel trimestral, que prossegue com a trajetória descendente iniciada em outubro do ano passado.

No confronto com igual mês do ano anterior, a produção industrial permaneceu em queda, com o índice mensal de março de 2015 apontando o décimo terceiro resultado negativo consecutivo, mas que teve intensidade de queda menor do que a verificada no mês anterior, influenciada em grande parte pelo efeito calendário, já que março de 2015 teve três dias úteis a mais do que igual mês do ano anterior.

No índice para o fechamento dos três primeiros meses de 2015, o total da indústria recuou 5,9% e acentuou o ritmo de queda frente aos resultados do terceiro (-3,5%) e quarto (-4,1%) trimestres de 2014, todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior.

Variação Mensal da Produção Industrial

A redução de 0,8% da atividade industrial na passagem de fevereiro para março mostrou resultados negativos em todas as quatro grandes categorias econômicas e em 14 dos 24 ramos pesquisados. Entre os setores, a principal influência negativa foi registrada por veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 4,2%, sexto mês seguido de queda na produção, acumulando nesse período perda de 19,4%.

Outras contribuições negativas importantes sobre o total da indústria vieram das atividades de máquinas e equipamentos (-3,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,1%), de bebidas (-4,9%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,2%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-6,7%) e de metalurgia (-1,3%). Por outro lado, entre os dez ramos que ampliaram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global foi assinalado por produtos alimentícios, que avançou 2,1%, eliminando assim o decréscimo de 0,4% observado em fevereiro último.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, bens de capital, ao recuar 4,4%, e bens de consumo duráveis (-3,1%) mostraram as reduções mais acentuadas em março de 2015, influenciadas, respectivamente, pela menor produção de caminhões e automóveis, ainda afetadas pela concessão de férias coletivas em várias unidades produtivas. Com os resultados desse mês, o primeiro segmento repetiu a magnitude de queda observada em fevereiro último; e o segundo assinalou a sexta taxa negativa consecutiva com perda acumulada de 13,3% nesse período. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) e de bens intermediários (-0,2%) também registraram resultados negativos em março de 2015, com o primeiro apontando o sexto mês seguido de recuo na produção e acumulando nesse período perda de 5,8%; e o segundo repetindo o ritmo de queda verificado no mês anterior (-0,2%).

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria apontou recuo de 0,6% no trimestre encerrado em março de 2015 frente ao nível do mês anterior, após também assinalar resultados negativos em novembro (-0,5%), dezembro (-1,0%), janeiro (-0,9%) e fevereiro (-0,9%).

Variação Anual da Produção Industrial

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 3,5% em março de 2015, com perfil disseminado de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 26 ramos, 46 dos 79 grupos e 53,3% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que março de 2015 (22 dias) teve três dias úteis a mais do que igual mês do ano anterior (19).

Entre as atividades, as de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 12,7%, e a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,8%), exerceram as maiores influências negativas na formação da média da indústria, pressionadas em grande parte pela redução na produção de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, automóveis, reboques e semirreboques, autopeças e carrocerias para caminhões e ônibus, na primeira; e de gasolina automotiva, óleo diesel, óleos combustíveis, naftas para petroquímica, querosenes para aviação e asfalto de petróleo, na segunda.

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-22,7%), de metalurgia (-9,4%), de bebidas (-11,1%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,5%), de máquinas e equipamentos (-3,3%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,4%), de produtos de borracha e de material plástico (-3,0%) e de produtos de minerais não- metálicos (-2,7%).

Por outro lado, ainda na comparação com março de 2014, entre as dez atividades que aumentaram a produção, o principal impacto foi observado em indústrias extrativas (8,9%), impulsionado, em grande parte, pelos avanços nos itens minérios de ferro pelotizados e óleos brutos de petróleo.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de capital (-12,4%) e bens de consumo duráveis (-6,6%) assinalaram, em março de 2015, as reduções mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,1%) e de bens intermediários (-2,1%) também apontaram resultados negativos nesse mês, mas ambos com intensidade de queda menor do que a média nacional (-3,5%).

O setor produtor de bens de capital, ao recuar 12,4% em março de 2015, assinalou a décima terceira taxa negativa consecutiva no índice mensal, mas com intensidade menor do que a verificada no mês anterior (-25,3%). Na formação do índice desse mês, o segmento foi influenciado pelos recuos observados na maior parte dos seus grupamentos, com claro destaque para a redução de 18,5% de bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado, principalmente, pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques e reboques e semirreboques. As demais taxas negativas foram registradas por bens de capital de uso misto (-17,7%), para construção (-20,1%), agrícola (-12,5%) e para energia elétrica (-3,9%), enquanto o grupamento de bens de capital para fins industriais (3,4%) apontou o único resultado positivo em março de 2015.

Variação da Produção Industrial Acumulada em 2015

No índice acumulado para o período janeiro-março de 2015, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 5,9%, com perfil disseminado de taxas negativas, já que as quatro grandes categorias econômicas, 23 dos 26 ramos, 64 dos 79 grupos e 66,6% dos 805 produtos pesquisados apontaram recuo na produção.

Entre os setores, o principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (-20,7%), pressionado, em grande parte, pela redução na produção de aproximadamente 92% dos produtos investigados na atividade, com destaque para os recuos registrados por automóveis, caminhões, caminhão- trator para reboques e semirreboques, carrocerias para caminhões e ônibus, autopeças e reboques e semirreboques. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-27,0%), de máquinas e equipamentos (-8,2%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-17,2%), de metalurgia (-6,5%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-13,9%), de produtos de metal (-7,6%), de produtos alimentícios (-1,8%), de produtos de minerais não-metálicos (-5,7%), de outros produtos químicos (-3,7%), de bebidas (-5,3%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,9%) e de produtos têxteis (-6,7%).

Por outro lado, entre as três atividades que ampliaram a produção, a principal influência foi observada em indústrias extrativas (10,3%), impulsionada, em grande parte, pelo crescimento na extração de minérios de ferro pelotizados e de óleos brutos de petróleo.

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para o primeiro trimestre de 2015 mostrou menor dinamismo para bens de capital (-18,0%) e bens de consumo duráveis (-15,8%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de bens de capital para equipamentos de transporte (-24,7%), na primeira, e de automóveis (-16,1%), na segunda. Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-5,9%) e de bens intermediários (-2,8%) também assinalaram taxas negativas no índice acumulado no ano, com o primeiro repetindo a magnitude de queda observada na média nacional, e o segundo apontando o recuo mais moderado entre as grandes categorias econômicas.

Em bases trimestrais, o setor industrial, ao recuar 5,9% nos três primeiros meses de 2015, assinalou a quarta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e teve a queda mais acentuada desde o período julho- setembro de 2009 (-8,1%), ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. A redução no ritmo produtivo no total da indústria na passagem do último trimestre de 2014 (-4,1%) para os três primeiros meses de 2015 (-5,9%) também foi observada entre as grandes categorias econômicas, com bens de consumo duráveis (de -9,1% para -15,8%) e bens de capital (de -11,6% para -18,0%) apontando as principais perdas entre os dois períodos e permanecendo no ínicio de 2015 com os resultados negativos mais acentuados.

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