Bolsas se recuperam após reações negativas a atentados em Paris e incertezas econômicas

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As bolsas de valores sobem na Europa e nos Estados Unidos, recuperando-se depois de um aumento da aversão ao risco no início do dia em meio às reações por conta dos atentados terroristas em Paris. O mercado tenta avaliar os efeitos da tragédia sobre a economia mundial. O aumento da aversão ao risco fez o ouro e o dólar subirem e os juros americanos recuarem no começo do dia. As bolsas na Ásia fecharam em baixa, com o Nikkei, da Bolsa de Tóquio, recuando 1,04% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,72%. Na contramão, o CSI 300, da Bolsa de Xangai, subiu 0,48%. O ouro chegou a subir 1,32%, mas recuou e tinha alta há pouco de 0,11% em Nova York.

Aéreas em baixa

Há o receio também do impacto dos atentados no turismo na Europa, especialmente na França. Empresas aéreas e de viagens sofriam o impacto das ações terroristas. As ações da Air France caíram quase 7% e as da empresa Aeroportos de Paris, 3,5%. As da Lufthansa e da British Airways recuaram mais de 2%, segundo agências internacionais.

Petróleo sobe, mas perde força

O petróleo também subiu pelo receio que os ataques franceses às bases do Estado Islâmico aumentem a tensão no Oriente Médio e atrapalhem a produção. A alta beneficiou as empresas petrolíferas nas bolsas. Mas o clima negativo durou pouco e o petróleo voltou a cair. O barril do tipo Brent, negociado em Londres, perdia há pouco 1,75%, vendido a US$ 43,69. Já o WTI, de Nova York, recuava 1,03%, para US$ 40,32.

Os mercados se acalmaram ao longo da manhã diante da visão de que, depois do impacto inicial, as ações terroristas tentem a perder força em pouco tempo e não chegam a comprometer as empresas e a economia.

Ibovespa em alta

No mercado brasileiro, o Índice Bovespa abriu em queda, mas, às 13h45, já estava novamente em alta, de 0,54%, aos 46.761 pontos. O índice é puxado pelas ações do Itaú Unibanco e da Petrobras. O papel preferencial (PN, sem voto) subia 1,70%, enquanto outros bancos caíam. Bradesco PN perdia 0,3%, enquanto Banco do Brasil ON (papel ordinário, com voto) recuava 0,06%. As units (recibos de ações) do Santander perdiam 0,27%. As ações do Bradesco estavam em baixa repercutindo o anúncio do banco de um aumento de capital de R$ 3 bilhões, passando de R$ 43,1 bilhões para R$ 46,1 bilhões, por meio de subscrições dos atuais acionistas a partir de 4 de janeiro do ano que vem. O banco também aprovará em assembleia amanhã a compra do HSBC, considerada cara pelo mercado.

Novos boatos, agora com Canuto

No Brasil, prosseguem os boatos sobre saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Hoje, na Turquia, a presidente Dilma Rousseff foi clara na defesa do  ministro, afirmando que ele “fica onde está” e que ela nem sempre concorda com as posições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que Levy estaria com “prazo de validade vencido”. As especulações sobre a troca de Levy pelo ex-presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, perderam um pouco de fôlego diante das declarações de Meirelles em eventos, indicando uma política de ajustes parecida com a do atual ministro. No fim de semana, surgiram ainda especulações trazendo de volta o nome do diretor do Fundo Monetário Internacional, Otaviano Canuto, que já foi cotado para a Fazenda antes da confirmação de Levy.

Petrobras sobe 5%

Já Petrobras tinha alta de 5,69% no papel ON e de 3,85% no PN. Hoje, o Ministério Público Federal anunciou que pode pedir o cancelamento da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, por irregularidades no processo de aquisição denunciadas na Operação Lava Jato. Hoje também, os funcionários do Sindipetro Norte Fluminense, responsável por 65% da produção da petroleira, rejeitaram a proposta do Sindicato de encerrar a greve.

Vale em baixa

Já as ações da Vale estão em queda, ainda com os desdobramentos do desastre provocado pelo rompimento das barragens de rejeitos da Samarco em Minas Gerais. As ações ON da mineradora, que é dona de 50% da Samarco, caíam 0,98% e as PNA, 1,25%. Além do desastre humano e ambiental, a perspectiva é que a empresa tenha mais dificuldades em renovar e aprovar novas concessões. O desastre provocou também a retomada do Código de Mineração no Congresso, o que pode criar barreiras mais amplas para toda a atividade.

Maiores altas e baixas do índice

As maiores altas do Ibovespa eram lideradas por Petrobras, seguidas pelas PNB da geradora de energia Copel, com 1,88%, das PNA da petroquímica Braskem, com 1,84% e das ON do frigorífico Marfrig, com 1,80%. As maiores quedas eram das PN da Metalúrgica Gerdau, com 4,10%, seguidas das ON da empresa de milhagem da Gol, a Smiles, com perda de 3,94%, das ON da Localiza, com 2,76% e das PN da Gol, com -2,51%. A empresa aérea sofre os mesmos efeitos de suas parceiras europeias, do receio de uma queda no turismo a partir dos atentados.

BM&FBovespa e Cetip sobem

As ações da BM&FBovespa estão em alta, depois de a empresa anunciar que fez oficialmente uma oferta pelo controle da concorrente Cetip e detalhar as condições da operação. A ação ON da bolsa sobe 0,67% enquanto a da Cetip ganha 1,20%, negociada a R$ 38,70, bem perto dos R$ 39 oferecidos pela BM&FBovespa.

Europa se recupera

Na Europa, os índices das principais bolsas estão em alta, com exceção do CAC, de Paris, mais afetado pelos atentados e pelo receio de novas ações terroristas, o que pode comprometer o fluxo de turistas para o país. O índice regional Stoxx 50 tinha alta de 0,22%, o Financial Times, de Londres, 0,53% e o DAX, de Frankfurt, 0,42%. O CAC, de Paris, que chegou a cair 1% na abertura,  intercalava pequenas altas e baixas, girando em torno da estabilidade.

EUA têm alta

No mercado americano, o Índice Dow Jones subia 0,17%, enquanto o Standard & Poor’s 500 ganhava 0,34% e o Nasdaq, 0,13%. Autoridades americanas acompanham os desdobramentos de Paris com medidas de maior controle e segurança, uma vez que os terroristas do Estado Islâmico prometem ataques também aos EUA.

Enquanto isso, prossegue a expectativa de alta dos juros americanos já em dezembro.  Os papéis de 10 anos do Tesouro americano pagavam 2,26%, ante 2,27% na abertura.

Juros e dólar em queda no Brasil

No mercado de juros futuros, a taxa projetada para os contratos de DI para janeiro de 2016 estão em ligeira queda, a 14,22%, ante 14,23% na sexta-feira. O contrato até janeiro de 2017 projetava 15,52%, ante 15,60% na sexta-feira. Para 2018, a estimativa estava hoje em 15,75%, ante 15,84% ontem. Para janeiro de 2019, a estimativa estava em 15,77%, a mais alta da série, mas que está abaixo dos 15,84% de sexta. E, para 2021, a projeção recuou para 15,56%, ante 15,64% da semana passada.

O mercado subiu as projeções para a inflação neste ano, para mais de 10%, e para o ano que vem, para 6,5%, mas continua mantendo a estimativa dos juros.

No mercado de câmbio, a moeda americana abriu em alta, mas perdeu força e passou a cair, 0,28%, para R$ 3,823 na venda no mercado comercial. No turismo, a moeda americana estava em alta de 0,24%, vendida a R$ 4,04.

 

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