Credit Suisse recomenda venda de ação da Petrobras com preço-alvo de US$ 1

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Sob pressão da forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, os papéis da Petrobras (NYSE:PBR E NYSE:PBR.A) negociadas nos Estados Unidos, os chamados ADR (American Depositary Receipts, ou recibos de ações), receberam recomendação de “venda” do Credit Suisse, com preço-alvo de US$ 2 e potencial recuo para até US$ 0,30. Como cada ADR é composto por dois papéis da estatal, na prática cada ação está sendo avaliada em US$ 1, ou R$ 4,04.

A ação preferencial (PN, sem voto) da estatal era negociada a R$ 5,67, em queda de 6,90% hoje na BM&FBovespa. Ou seja, a cotação está 40% acima do preço justo estimado pelo CS. Mas, pelo cenário mais pessimista, de US$ 0,30, o papel poderia cair até R$ 0,60, ou US$ 0,15.

Segundo relatório do banco suíço, a companhia informou que realizará um desinvestimento de cerca de US$ 43 bilhões, além de cortes de custos de US$ 12 bilhões, levando em consideração uma valorização para US$ 80 o barril do tipo Brent, preços locais da gasolina 10% maiores que no mercado internacional, um real estável, suas metas de produção mantidas até 2020, uma diminuição de US$ 15 bilhões em investimentos em quatro anos sem impacto na produção, nenhum novo projeto executado e nenhuma nova perda de dinheiro, como aquelas investigadas pela Lava Jato. O Credit não acredita que todas essas variáveis possam ocorrer ao mesmo tempo, como projeta a Petrobras.

Entre os questionamentos do CS está a venda de ativos. Para o banco, é improvável que a empresa consiga vender tanta coisa sem que haja perda de valor para o acionista, ainda mais em um momento de queda forte no barril de petróleo, o que reduz ainda mais o valor a ser pago pelos compradores por esses ativos.

Apesar do improvável cenário considerado pela companhia, os analistas também acreditam que o preço do petróleo pode ter uma recuperação acentuada. A equipe da casa espera que o barril do Brent suba e seja vendido a US$ 58 ainda este ano e a US$ 75 em 2020. Hoje o Brent está cotado a US$ 31,12.

Sobre o ambiente econômico no Brasil, o documento aponta que a percepção de risco sobre o mercado de ações local ainda é relevante, pressionado pela deterioração dos fundamentos. No entanto, essa avaliação pode mudar, a depender da melhoria das condições políticas e econômicas, levando à valorização da moeda brasileira, a um recuo das taxas de juros, uma inflação mais baixa e uma diminuição na percepção de risco do país.

Quando analisados os futuros acertos em dividendos da empresa com acionistas até 2020, o CS lembra que o cumprimento estará assegurado pela determinação societária brasileira de que 25% do lucro da estatal deve ser distribuído aos investidores, mesmo que nesse meio tempo a petroleira esteja tentando resolver seus problemas de financiamento.

Assinam o texto os analistas Andre Natal e Regis Cardoso.

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