Varejo deve investir mais em fundos neste ano, avalia Anbima

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A oferta de papéis isentos deve diminuir este ano enquanto a demanda por fundos tende a aumentar, com os investidores de varejo e varejo de alta renda ainda buscando proteção na renda fixa, a exemplo do ano passado, afirma o diretor comitê de Varejo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcos Daré. “Os fundos devem ser a vedete deste ano”, afirma.

Segundo ele, houve um aumento da procura por Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) no fim do ano passado e no início deste depois que foi divulgada a proposta do governo, feita por intermédio do senador Romero Jucá (PMDB), de acabar com a isenção desses papéis. “Por conta do receio de tributação da LCI e LCA, a demanda cresceu muito em dezembro e janeiro pois os investidores queriam garantir a vantagem tributária”, afirma Daré.

“Depois que a proposta foi retirada, a procura acalmou um pouco, mas ainda é grande, afirma o executivo, acrescentando, porém, que o lastro para a emissão desses papéis, que são empréstimos para empresas imobiliários e do agronegócio, hoje é “limitadíssimo”, em virtude da recessão econômica. ”Talvez estejamos chegando no limite”, diz, lembrando que a falta de lastro e de papéis acaba reduzindo os juros pagos aos investidores. Hoje, as taxas estão em torno de 101% a 103% do CDI bruto.

Para Daré, assim como as LCI e LCA, também os CDB devem passar a pagar juros menores, uma vez que, com o desaquecimento econômico, os bancos não precisam captar tanto para emprestar e vão pagar juros menores. “Os CDB e outros investimentos de tesouraria dos bancos devem ficar na prateleira este ano”, diz.

E o que vai restar para os investidores serão os fundos de investimentos. “É um investimento fácil de ter no portfólio e a taxa de juros alta ajuda a melhorar o desempenho”, afirma Daré. “Cada vez mais a aplicação em fundos deve ganhar a predileção dos investidores, ainda mais com o crescimento da oferta dos fundos simples”, diz.

Os fundos simples foram criados pela CVM no ano passado para permitir que os bancos criassem carteiras de renda fixa mais conservadoras, concentradas em títulos públicos, mas com custos mais baixos, distribuídos pela internet e sem tanta burocracia para o investidor aplicar, o que permitiria manter um custo de taxa de administração também mais baixo. Poucos bancos de varejo, porém, já lançaram essas carteiras. No Bradesco (BOV:BRAP3 E BOV:BRAP4), onde Daré comanda a distribuição de varejo, a expectativa é lançar a carteira neste mês, com valores baixos, a partir de R$ 50, R$ 100. “Ainda estamos definindo a taxa de administração, mas ela deverá ser atrativa”, diz.

Para Daré, o fundo simples é uma oportunidade de fazer chegar um produto nobre ao maior número possível de investidores. Para isso, porém, o fundo terá de definir uma taxa de administração que permita remunerar bem o cliente, mas também cubra os custos de distribuição.

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