Anbima: em maio, fundos têm maior resgaste líquido desde 2008

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O setor de fundos brasileiro teve em maio seu primeiro resgate líquido mensal do ano, de R$ 2,5 bilhões, segundo o Boletim de Fundos de Investimento divulgado hoje pela Associação Brasileira das Entidades do Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). De acordo com a entidade, o resultado foi o pior para o mês em oito anos. Em 2008, os fundos registraram perdas com os primeiros sinais da crise mundial iniciada nos EUA pelo subprime, quando os saques dos fundos de investimentos totalizaram R$ 9 bilhões.

O vice-presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, frisou em nota que “o resultado foi influenciado pelo pagamento do imposto de renda semestral no final do mês, o come-cotas, e pelo resgate concentrado em um único fundo da classe renda fixa, no volume de R$ 4,9 bilhões”. O come-cotas é cobrado em maio e novembro e incide sobre o ganho dos fundos de renda fixa e multimercados com característica de renda fixa. Ele é uma antecipação do imposto que deveria ser pago no resgate da aplicação e corresponde a 15% nos fundos de longo prazo e 20% nos de prazo mais curto. Como o nome diz, ele é cobrado em cotas de cada investidor, o que diminui o valor da aplicação, mas não interfere no valor das cotas.

Os piores resgates ocorreram nos fundos com apostas no Índice Bovespa (10,09%), os cambiais (4,18%) e na baixa valorização do IMA‐Geral (0,42%), pressionados pelo recuo dos preços dos títulos públicos de longo prazo.

Cambiais lideram em rentabilidade

Para reforçar o quadro pessimista, pela primeira vez em três meses, os fundos de renda fixa tiveram rentabilidade menor que os demais segmentos da indústria. Por conta do recuo dos preços dos papéis do governo, os fundos de renda fixa duração alta soberano ganharam apenas 0,32%. Na análise anual, no entanto, sua rentabilidade ainda soma 8,19% até maio, para um CDI de 5,50%, e 12,09% em 12 meses.

Na ponta positiva, os fundos cambiais garantiram a melhor rentabilidade da indústria em maio, com avanço de 5,23%. Também puxados pela divisa americana mais forte, os produtos com estratégias de renda fixa dívida externa e multimercados com investimentos no exterior cresceram 2,78% e 2,34%, respectivamente. Já nos fundos de ações, apenas as aplicações em investimento no exterior subiram, mesmo assim, tímido 0,39%.

Investidores

Em maio, a distribuição de patrimônio líquido na indústria por investidor ainda foi liderada pelos grandes investidores, chamados institucionais, com 39,2% do mercado, seguido pelo varejo, 16,3%, pelo private (alta renda), 14,3%, pelo corporate (empresas), 14%, pelo poder público, 9%, e por estrangeiros, 7,2%.

Acompanhe a rentabilidade de todos os tipos de fundos locais e dos seus indicadores em maio e no ano:

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Fonte: Anbima

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