CMN libera R$ 14 bi de compulsório da poupança, mas cautela deve limitar empréstimos

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O Conselho Monetário Nacional (CMN) extinguiu na sexta-feira à noite a exigibilidade adicional de depósito compulsório de 5,5% sobre depósitos de poupança. A medida se insere no âmbito da Agenda BC+ e tem como objetivo continuar o processo de simplificação da estrutura de compulsórios no sistema financeiro brasileiro. Os compulsórios são valores recolhidos ao Banco Central (BC) para limitar o valor que os bancos podem emprestar e, dessa maneira, controlar a oferta de crédito na economia. Agora, os bancos poderão emprestar esse dinheiro para a compra da casa própria ou para construtoras, dentro das regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) ou aplica-lo no mercado, de acordo com a oportunidade.

Dá com uma mão, tira com outra

A extinção da exigibilidade adicional deve provocar alguma expansão monetária que será compensada com o fim de outra medida, essa favorável aos empréstimos, prevista para junho próximo, explica a LCA Consultores. Trata-se da possibilidade de cumprir até 18% da exigibilidade do compulsório sobre depósitos de poupança usando financiamentos contratados nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A LCA estima que o resultado líquido combinado do fim dos dois mecanismos tenha um efeito expansionista residual de, aproximadamente, 3% dos recolhimentos compulsórios de poupança no Banco Central, o que corresponde a quase R$ 14 bilhões.

Sem grandes ofertas de crédito

Apesar dessa liberação, a oferta de crédito imobiliário não deve crescer muito, avalia o BTG Pactual. Para o banco, o mercado está muito líquido e os bancos estão receosos para emprestar. “Não vemos esse dinheiro vindo para o mercado tão cedo”, diz o banco em relatório. De qualquer maneira, é uma boa notícia no médio prazo, pois dá mais liberdade para as instituições financeiras, explica o BTG.

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