Juros dos empréstimos para pessoa física caem 0,53% em agosto, com destaque para veículos

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Por Sandra da Motta

As taxas de juros cobradas dos consumidores pessoas físicas recuaram em agosto frente ao mês anterior, da média de 7,58% para 7,54% ao mês (de 140,31% para 139,24% ao ano). Segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a maior retração nos juros desses financiamentos foi registrada no Crédito Direto ao Consumidor (CDC) de veículos, da média de 2,15% para 2,11% ao mês (28,48% ao ano) — uma redução de 1,86%, mais que o dobro da queda da taxa média, que foi de 0,53%.

“O financiamento de veículos é uma modalidade sujeita a forte concorrência, inclusive entre os bancos de montadoras, além de contar com o bem (automóvel) em garantia, dando maior segurança aos bancos”, avalia Roberto Vertamatti, diretor de economia da Anefac. “Foi a modalidade de crédito que registrou queda mais acentuada em agosto, entre as linhas voltadas para as pessoas físicas”, destaca.

Para Vertamatti, a tendência é de novo recuo em setembro, como reflexo da necessidade de escoar a produção de automóveis, além da recente queda na Selic (juro básico da economia) que, com o recuo dos índices de inflação, tende a cair dos atuais 8,25% ao ano para casa dos 7,25% ou menos até o final de 2017.

Segundo a Anefac, a pesquisa de juros de agosto apontou a nona redução consecutiva da taxa média e a décima redução em dois anos.

Juro cai para pessoa física, menos no cartão e empréstimo pessoal de bancos

Das seis linhas de crédito pesquisadas, quatro reduziram suas taxas de juros no mês de agosto (juros do comércio, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos e empréstimo pessoal-financeiras) e duas elevaram suas taxas (cartão de crédito e empréstimo pessoal-bancos). A taxa média registrada, de 139,24% ao ano, é a menor desde novembro de 2015.

Taxa média para pessoa jurídica cai para 4,41% ao mês ou 67,84% ao ano

Das três linhas de crédito para as empresas pesquisadas pela entidade, todas reduziram suas taxas de juros no mês. A taxa de juros média para pessoa jurídica apresentou uma queda de 0,04 ponto percentual em agosto (0,78 ponto percentual no ano), correspondente a uma redução de 0,90% no mês (1,14% em doze meses). A taxa passou 4,45% ao mês (68,62% ao ano) para 4,41% ao mês (67,84% ao ano) em agosto de 2017. Trata-se da menor taxa de juros desde janeiro/2016.

Descompasso: juros continuam altos em comparação com a Selic

Considerando todas as elevações e reduções da Selic promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve no período (março/2013 a agosto/2017) uma elevação da taxa de

2,00 pontos percentuais (elevação de 27,59%), de 7,25% ao ano em março/2013 para 9,25% ao ano em agosto/2017.

Nesse período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 51,27 pontos percentuais (elevação de 58,28%), de 87,97% ao ano em março/2013 para 139,24% ao ano em agosto/2017.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica também continua o descompasso: houve uma elevação de 24,26 pontos percentuais (elevação de 55,67%), de 43,58% ao ano em março/2013 para 67,84% ao ano em agosto/2017.

Perspectivas de mais baixas

A Anefac lembra que, a partir de outubro de 2016, o BC começou a flexibilizar a politica monetária com a redução da Selic. “Tendo em vista a melhora das expectativas quanto à redução da inflação, bem como na melhora fiscal, deveremos ter novas reduções da taxa básica de juros, o que reduz o custo de captação dos bancos e possibilita novas reduções das taxas de juros nas operações de crédito”, avalia a entidade.

Destaca, entretanto, que diante do cenário econômico atual, que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência por conta da recessão econômica em curso, bem como o desemprego elevado, pode crescer o risco de novas elevações das taxas de juros, tanto para pessoas físicas como para as empresas.

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