Após saída de Brandão, Conselho do Bradesco pode ser ampliado; Trabuco vê retomada do crédito

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A saída de Lázaro de Mello Brandão da presidência do Conselho do Bradesco foi anunciada de surpresa ontem, durante reunião dos conselheiros, no fim da tarde, no Prédio Vermelho da Cidade de Deus. Aos 90 anos, 75 de banco, Brandão, que sucedeu o dono e fundador do Bradesco, Amador Aguiar, anunciou, ao lado do sucessor, Luiz Carlos Trabuco Cappi, para os demais seis conselheiros, que deixaria o cargo que exerceu por 27 anos. “Foi no fim da reunião, que começou às 5 da tarde, e depois que nós tratamos dos demais assuntos ele anunciou a saída”, diz Carlos Alberto Rodrigues Guilherme, que ocupará o lugar de Trabuco na vice-presidência do conselho.

Surpresa relativa, já que a sucessão já era aguardada desde março deste ano, e não ocorreu porque o processo de integração do recém-comprado HSBC não estava concluído, explica Guilherme. “A sucessão já vinha sendo esboçada em março, e o Trabuco já despontava como candidato forte, mas não havia condições, estava um pouco em dúvida, por isso prorrogamos a decisão”, explicou Brandão, que entrou no banco quando ele ainda era a Casa Bancária Almeida e Cia, em Marília, em 1942, transformada no Banco Brasileiro de Descontos no ano seguinte.

A sucessão de Trabuco na presidência executiva do banco deve ser definida até março, explica Brandão, que deixa claro que o nome sairá dos atuais diretores. “O nome não está escolhido e será definido até março, quando ocorre a assembleia anual de acionistas e vai ser alguém egresso do quadro de funcionários”, afirma. “Como temos de mandar o nome para aprovação do Banco Central 30 dias antes, vocês devem saber antes também”, disse. Na assembleia será escolhida toda a nova diretoria executiva do banco, acrescenta Trabuco.

Além da mudança na presidência, Brandão disse que o conselho também será ampliado. “Além da pessoa para o lugar de Trabuco devemos ter mais conselheiros”, disse. Trabuco explicou que a ideia é que o Conselho ganhem funções mais específicas de controle e acompanhamento das operações do banco, como já ocorre hoje. “O conselho tem de ter uma renovação para perpetuar o nível de qualidade e de trabalho de fiscalização”, afirma Brandão. “Hoje, os conselheiros, que são funcionários de carreira, já fazem um papel de acompanhamento das operações do banco de acordo com a área em que atuavam”, explica Carlos Guilherme. “A ideia é ampliar esse acompanhamento para as diversas áreas do banco”, diz.

Controles de risco e auditoria, por exemplo, poderiam ser áreas que poderiam ser incluídas no conselho, acrescenta Trabuco. “O acordo de Basileia 3 exige um conselho mais protagonista, e pelo tamanho e complexidade do banco faz sentido ter mais gente”, explica. “Hoje, por exemplo, as operações de crédito acima de R$ 1 bilhão são analisadas pelo conselho”, diz.

Trabuco destacou o papel de Brandão no crescimento do banco, ao suceder Amador Aguiar e pacificar todos os acionistas. Ele destacou ainda a cultura do banco, de privilegiar a “prata da casa”, e a busca do consenso. “Somos um banco com uma cultura feita por bancários que buscam progredir na carreira e que cria uma igualdade de oportunidades e um comprometimento muito grande dos funcionários”, diz.

Trabuco diz que está otimista com a retomada do crescimento do país e que a aposta do banco é que esse crescimento trará uma mobilidade social importante para as classes de baixa renda. “Por isso queremos estar presentes em todos os segmentos de renda, pois acreditamos que vamos conseguir captar essa oportunidade de crescimento da renda”, diz.

Mesmo no curto prazo, ele vê um aumento do consumo das famílias puxando o crescimento do país. “Estamos vendo há três anos a renda crescendo mais que o consumo das famílias, o que criou uma poupança para ampliar o consumo”, diz. “A despeito de todos os problemas da economia e da política, o crescimento está acontecendo”, diz, acrescentando que “a economia está descolada da política”. Isso se reflete na melhora da confiança, dos números de emprego e de consumo. “O balanço operacional das empresas está bem ajustado, a geração de caixa proporcionalmente ao custo financeiro é maior então a economia está indicando que vai avançar”, explica.

Trabuco estima que é possível um crescimento do PIB no ano que vem de 2,9% a 3% do PIB, o que terá impacto relevante no crédito. “Esse avanço vai levar o crédito a crescer mais significativamente”, afirmou, evitando quantificar o aumento dos empréstimos.

 

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