Copom deve cortar juros para 7,5%; importante será o comunicado, diz economista

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decide hoje a nova taxa de juros básica da economia, a Selic. A reunião termina hoje à tarde e o anúncio deve sair às 18h30, novo horário de divulgação por conta do Horário de Verão. A expectativa unânime do mercado é que os juros serão cortados em 0,75 ponto percentual, de 8,25% para 7,5%.

Uma redução menor que o 1 ponto percentual da reunião passado, mas dentro do indicado pelo próprio Copom e pelas declarações de integrantes da direção do BC, de que a partir deste mês o ritmo de corte seria menor. Assim, o mercado trabalha agora com uma redução de 0,75 ponto neste mês e 0,50 ponto em dezembro.

E há dúvidas sobre fevereiro, quando o Copom pode “raspar o tacho” e aplicar mais um corte de 0,25 ponto. O relatório Focus mostra que a maioria do mercado espera que o corte pare em 7% ao ano, ou seja, em dezembro.

O corte na reunião de hoje está mais ou menos dado, afirma José Pena, economista-chefe da Porto Seguro Investimentos. “Será uma surpresa gigantesca se vier algo diferente de 0,75 ponto”, explica. A questão não é o corte em si, mas a sinalização que o comunicado que acompanha a divulgação vai trazer, diz Pena. Ele lembra que, no comunicado da reunião anterior, o Copom falou que estava em uma fase que recomendava desacelerar o corte dos juros. “Então a expectativa é se ele manterá a sinalização de que a redução do passo vai continuar na reunião seguinte ou indicar alguma interrupção”, diz.

O mais provável, porém, é que o comunicado mantenha as indicações do anterior, e o Copom deixe para mudar o recado para o mercado na reunião de dezembro. “A discussão hoje é se dezembro será a última ou se ainda haverá algo em fevereiro”, afirma Pena. “Mas são três meses até fevereiro ainda, e muita coisa pode acontecer até lá, então o mais provável é que ele se manifeste sobre fevereiro apenas em dezembro e deixando uma possibilidade em aberto”, explica.

Um corte de 0,25 ponto também pouco impacto teria sobre os efeitos da política monetária, que já reduziu os juros de 14,25% ao ano para 8,25% e pode levar a taxa para 7% em dezembro. “Juros de 7% ao ano já seriam um recorde de baixa para a Selic, e cair para 6,75% não faria grande diferença em termos de efeitos de política monetária”, diz. Outra questão é que a taxa de fevereiro estará mais vinculada à inflação de 2018 do que a deste ano, que está praticamente fechada em 3% para o IPCA.

Já a inflação de 2018 ainda está sujeita a muitas incertezas. “Nunca tivemos uma recessão como esta, e temos ainda o cenário muito benéfico lá de fora, de economias desenvolvidas se recuperando gradualmente, sem criar inflação e sem precisar puxar os juros ou reduzir acentuadamente a liquidez internacional”, destaca. Com isso, os preços das commodities seguem estáveis e favoráveis aos países emergentes e o dólar se manteve entre R$ 3,15 e R$ 3,20.

Mais recentemente, as incertezas aumentaram com a expectativa da votação na Câmara dos Deputados do pedido do Supremo Tribunal Federal para processar o presidente Michel Temer e seus principais ministros. Mesmo que o presidente tenha poucas chances de ser derrotado, a votação menor que no primeiro pedido feito pela Procuradoria Geral da República poderá deixar o mercado preocupado.

Ela demonstrará uma força política menor para o presidente e tornará mais difícil a aprovação da reforma da Previdência, fundamental para o país reduzir o déficit público e manter o teto de gastos. O mercado, afirma Pena, vê uma chance mínima de aprovação da reforma, e ainda assim apenas parcial, ainda neste governo. “Mas se for aprovada uma idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para os homens os mercados já reagirão muito bem”, espera.

Outro fator importante que está mexendo negativamente com mercado, e fez o dólar comercial subir para mais de R$ 3,20 esta semana, é a possível substituição da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Janet Yellen. O presidente americano Donald Trump deve definir se mantém Yellen ou se indica um novo presidente.

Há dois nomes circulando, o ex-diretor do Fed, Jerome Powell, mais alinhado com Yellen, e o economista de Stanford, John Taylor, criador da Curva de Taylor, uma teoria que tenta antecipar as necessidades de alta das taxas de juros pelos bancos centrais. Pena observa que, se Taylor for escolhido, a expectativa é de uma alta mais forte dos juros nos EUA que deverá afetar bolsas e todos os mercados. “Aí termos bolsa caindo aqui, juros e dólar subir, acima de R$ 3,20”, diz.

O melhor cenário para os mercados seria a rejeição da denúncia contra Temer por uma boa margem, dando esperança para a aprovação da reforma da Previdência. E, se a reforma for aprovada, mesmo que desidratada, e a indicação do presidente do Fed for razoável para os mercados, a bolsa deve subir e os juros e o dólar aqui devem cair. “Temos pouca coisa ou nada de aprovação da Previdência nesses preços, então não seria difícil o Índice Bovespa atingir 80 mil pontos e os juros mais longos recuarem”, diz. O dólar recuaria novamente para menos de R$ 3,20.

 

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