Maduro comemora venda de US$ 735 milhões em Petro, o Bitcoin lastreado em petróleo

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Até agora, o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, afirmou que o país havia arrecadado uma receita de US $ 735 milhões no primeiro dia da pré-venda da Petro, criptomoeda lastreada em reservas de petróleo da Venezuela lançada ontem. Apesar de uma falta de provas da operação, o anúncio foi feito em uma ruidosa transmissão de tevê em cadeia nacional, na qual o próprio Maduro declarou que o país “deu um passo gigante no século XXI”. As informações são do site especializado Coindesk.

O governo da Venezuela revelou pela primeira vez o projeto de criar a Petro em dezembro, anunciando uma agência governamental dedicada para supervisionar o desenvolvimento do projeto e construir um ecossistema para ele dentro do país. Em antecipação à venda, o governo publicou um edital, um guia do comprador e, mais recentemente, regras para criar bolsas de criptomoedas na Venezuela. Trata-se, portanto, da primeira moeda digital totalmente regulada por um governo, proposta totalmente diferente da dos criadores do Bitcoin, que queriam uma moeda independente de nações ou países.

Lastro em barris de petróleo

“São 20h32 de 20 de fevereiro e alcançamos uma intenção de compra na pré-venda da ordem de 4,777 bilhões de iuanes, 596 milhões de euros, US$ 735 milhões”, afirmou Maduro no lançamento da sua oferta inicial.

Essa criptomoeda venezuelana está respaldada por 5,342 bilhões de barris de petróleo e seu preço está sujeito ao valor do barril venezuelano, que nos últimos dias oscilou em volta dos US$ 60.

Empresa russa dará suporte tecnológico das bolsas digitais

O chefe do Executivo lembrou que desde a meia-noite de segunda-feira a Petro está em 30 dias de pré-venda, que seguirão 15 dias de compras e anunciou que o governo assinou dois acordos, com uma empresa russa e outra venezuelana, relacionados com o suporte e a segurança da plataforma tecnológica onde ocorrerão as compras e vendas.

A iniciativa provocou uma série de tweets em apoio – e em oposição – à idéia, impulsionada por uma hashtag dedicada, #AlFuturoConElPetro (que se traduz em “para o futuro com o petro”).

Por exemplo, um defensor do governo tweetou: “A nova era econômica para a Venezuela começa. A criptomoneda recém-nascida chamada el petro tem muitos desafios à frente, mas sua armadura será o potencial para a progressiva regularização da economia”.

Opositores criticam lançamento em meio a crise da dívida

Talvez sem surpresa, membros da Assembléia Nacional do país – que é controlada por partidos políticos em oposição a Maduro – atacaram o movimento, inclusive em declarações emitidas apenas algumas horas após o evento de transmissão de terça-feira.

Entre aqueles que assumem uma postura pública contra o petro, Marialbert Barrios, um deputado da Assembléia Nacional que perguntou: “Quem, em perfeitas condições mentais compra uma criptomoeda de um governo que não paga a dívida externa, com uma economia em hiperinflação?”

O impulso da Assembléia ocorre em meio a uma aguda disputa política entre as forças da oposição e o governo Maduro. De acordo com a Reuters, espera-se que os partidos da oposição boicotem as próximas eleições presidenciais em abril, que eles argumentam que serão fraudadas a favor de Maduro.

O deputado Rafael Guzman chamou a criptomoeda de “fraudulenta”, reiterando argumentos passados de que ele irá alimentar atividades ilegais.

“[O] petro é um mecanismo fraudulento, ilegal e inválido para que o governo continue seus negócios sombrios e lavagem de dinheiro, porque não se sabe de onde esses recursos virão”, escreveu ele.

Chapa branca

Em contraste com as denúncias da Assembleia controlada pela oposição, vários departamentos dentro do governo venezuelano usaram suas presenças de mídia social para impulsionar agências que promovem a Petro.

Entre eles está o SENIAT, autoridade fiscal e de receita da Venezuela, que afirmou que os residentes podem usar o petro para pagar seus passivos tributários, entre outras coisas.

“O estado aceitará o pagamento de impostos nacionais, taxas, contribuições e serviços públicos com a Petro”, escreveu a agência.

Mariana Ribera da Infocentros, que opera uma rede de centros de TI em toda a Venezuela, também comemorou o movimento no Twitter.

“Esta iniciativa nos oferece uma infinita gama de opções e oportunidades no mercado nacional e internacional, abrindo novos horizontes que não têm limites”, escreveu ela.

Outros tweets em apoio à mudança incluem os dos consulados venezuelanos em Hong Kong e Vancouver.

A conta oficial do Twitter da Maduro mostrou várias publicações relacionadas no último dia, incluindo uma da quarta-feira à tarde que reproduziu imagens da transmissão de terça-feira.

Negociadores de moedas virtuais mostram preocupação

No entanto, os políticos de oposição na Venezuela não são os únicos que estão de novo contra a ideia de Maduro. Enquanto o ceticismo expresso pelos legisladores da oposição venezuelana poderia ser visto através da lente da crise política em curso no país, as críticas apresentadas pelos membros da comunidade local de bitcoin e criptomoedas são mais incisivas e focadas no fato de que o governo Maduro provavelmente manterá um controle significativo sobre a Petro que está criando.

Em um post em um grupo local do Facebook, um comentarista escreveu que é “realmente preocupante” que o governo exerça um controle tão grande, especialmente considerando o incentivo de grande alcance para que as pessoas comecem a usá-lo.

O medo, segundo ele, é que o governo terá “o poder absoluto de manipular e adulterar os blockchains da Petro à vontade”.

Outros alegam que a Petro não é muito uma criptomoeda descentralizada. “Isso é o que torna a Petro mais um compromisso de dívida e não uma criptomoeda em si, além do perigo desses caras por trás desse projeto”, escreveu um membro da comunidade.

Outro observador ofereceu uma visão mais ampla, postando no tópico do Facebook:

“A tirania é isto: um monopólio do poder nas mãos de uma classe política que só se preocupa com seu espaço”.

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