Dólar e juros sobem com incerteza política e Tesouro Direto suspende negócios

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O dólar sobe em relação ao real hoje, em movimento contrário ao mercado externo, no qual a moeda americana recua em relação a outras de emergentes. A moeda americana sobe 0,21%, para R$ 3,92 para venda no mercado comercial, do atacado.

Já no varejo, o dólar turismo sobe 0,25%, para R$ 4,08 para venda. Já o Índice Bovespa acentuou sua queda e perdia às 12h15 1,24%, com 73,817 pontos.

Já os juros voltaram a subir, e os papéis do Tesouro Direto corrigidos pela inflação e juros no final (NTN-B Principal) pagavam 5,83% ao ano mais IPCA, para 5,76% ao ano ontem. O Tesouro Direto suspendeu os negócios hoje das 10h20 às 11h10, por conta da alta dos juros.

Ontem, ele suspendeu das 11 horas ao meio-dia.   No mercado futuro da B3, os contratos de DI para janeiro de 2019 projetam 6,90% para a Selic deste ano, ante 6,84% ontem, mostrando que o mercado aumentou a aposta que o BC vai elevar os juros até dezembro. Hoje, a Selic está em 6,5% ao ano.

Cenário político, ata do Fomc e payroll preocupam

A alta é provocada por fatores políticos internos, explica José Raymundo Faria Júnior, diretor técnico da Wagner Investimentos. A situação da candidatura de Geraldo Alckmin, do PSDB, preocupa devido aos sinais de falta de apoio e de tração.

Já o Índice Bovespa e os juros futuros dão sinais de que a melhora destes ativos pode estar próxima do fim. Além disso, o mercado estará muito atento à ata do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano, que sai hoje no começo da tarde, e nos dados de emprego (payroll) nos EUA. Hoje, a consultoria ADP divulgou dados do setor privado, que vieram abaixo do esperado pelos analistas, 177 mil vagas criadas, para 185 mil esperadas.

Centrão prefere Ciro?

Segundo jornais, líderes do Centrão (DEM, PP, PRB, Solidariedade e PSC) e Alckmin jantaram ontem e indicaram ao presidenciável que deverão fechar apoio com Ciro Gomes, do PDT, argumentando que a Lava Jato atrapalha a aliança com o PSDB, que tem índice de rejeição maior que o do PT. Alckmin é visto como a opção preferida do mercado como candidato de centro para continuar as reformas fiscais no próximo governo. Já Ciro Gomes, além do temperamento instável, é um crítico do teto de gastos e tem uma reforma da Previdência questionada por analistas por demandar recursos da dívida externa para seu financiamento.

Dólar mais longe dos R$ 3,80

Faria Junior diz que os gráficos indicam a consolidação da tendência de alta do dólar por aqui e as chances da cotação voltar para a faixa de R$3,80 ainda existem, mas a cada dia ficam menores. “Se a ata do Fomc não vier ‘pesada’ (hawk) e o payroll amanhã seguir o ADP (mais fraco), poderemos ter alívio no mercado externo”, avalia.

Além disso, há disposição da União Europeia em negociar as tarifas comerciais com o presidente americano Donald Trump. “Restará saber se este alívio irá reverberar por aqui em meio às dúvidas políticas e à ausência de atuação do Banco Central”, diz. Desde meados da semana passada, o BC tem feito somente a rolagem diária dos contratos de swap cambial que vencem em agosto, sem oferta extra, e também sem oferecer linhas externas, que equivalem à venda de dólar físico.

Os preços atuais, segundo Faria Júnior, são razoáveis para vendas, já que a tendência segue de alta. Compras podem ser iniciadas a partir de R$ 3,88 e é preciso que a cotação caia abaixo desse valor para uma queda  maior do dólar, que poderia voltar em direção a R$ 3,80.

 

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