Moody’s vê bancos menores sofrendo mais com fintechs, mas espera mais concorrência

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Startups de tecnologia financeira são numerosas no Brasil e estão se aproveitando de uma população jovem e conectada aos smartphones para atrair clientes. O Brasil tem 404 fintechs – eram apenas 54 três anos atrás-, o número mais elevado na América Latina. Mas estas companhias enfrentam desafios relacionados à captação de recursos que limitarão o ritmo de crescimento dessas empresas, enquanto, em resposta, os grandes bancos aceleram suas estratégias digitais próprias, afirma, Moody’s Investors Service em um novo relatório. Já os bancos de menor porte, com menos recursos, tendem a sofrer mais a concorrência das fintechs. O resultado final, porém é um aumento geral da concorrência e da eficiência do sistema, acredita a agência de rating.

As transações bancárias online cresceram rapidamente nos últimos anos e agora totalizam 57% de todas as transações dos bancos no Brasil”, afirma Ceres Lisboa, vice-presidente sênior da Moody’s. “Esta tendência, junto com a inovação em outros serviços, reflete o aumento da demanda do consumidor por transações eletrônicas em um ecossistema em expansão de produtos e serviços online”, complementa a analista.

As fintechs brasileiras estão focando em produtos, serviços e nichos de mercado nos quais os grandes bancos comerciais não conseguem ou não têm disposição para fazer negócios. Embora ágeis, estas companhias são majoritariamente pequenas e ainda não lucrativas e a volatilidade política e econômica, combinada com modelos de negócios ainda não testados, tem dificultado investimentos de terceiros nestas fintechs nos últimos anos, firma Ceres.

Embora a transformação digital estimule a concorrência, a escala e a natureza de longo prazo do relacionamento de grandes bancos com seus clientes permitirão que as instituições tradicionais persigam inovações próprias e mantenham fortes vantagens competitivas, acredita a analista.  No entanto, as coisas não serão fáceis para bancos menores e com orçamentos reduzidos. Por conta da limitação de recursos disponíveis, será mais difícil para estes bancos inovar e permanecer competitivos no curto prazo.

Para a Moody´s, o Banco Central do Brasil está promovendo um ambiente competitivo por meio de um arcabouço regulatório mais leve para as fintechs que estão entrando nos mercados de crédito. A regulação permite a inovação ao mesmo tempo em que possibilita ao BC manter a supervisão de tecnologias emergentes.

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