MRV (MRVE3) 2T20: Lucro líquido de R$ 124 milhões

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O lucro líquido da MRV Engenharia caiu 34,6%, no segundo trimestre, para R$ 124 milhões. De acordo com o copresidente Rafael Menin, a companhia deu prioridade ao giro mais rápido dos ativos e à geração de caixa em relação às margens.

Os resultados da MRV (BOV:MRVE3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 12/08/2020.

Ebitda – lucro antes de antes de juros, impostos, depreciação e amortização – caiu 9,9%, para R$ 232 milhões. A margem bruta caiu de 30,7%, de abril a junho de 2019, para 28,4%.

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receita líquida do período subiu 5,2% no comparativo ano a ano, para R$ 1,64 bilhão.

No segundo trimestre, a MRV gerou caixa de R$ 214 milhões.

Maiores esforços comerciais para manter o ritmo de vendas durante o período mais agudo da pandemia de Covid-19 no Brasil pressionaram o lucro da MRV no segundo trimestre, embora a companhia tenha indicado normalização recente e aceleração dos lançamentos na segunda metade do ano.

As vendas líquidas contratadas subiram 37,6%, para 1,82 bilhão de reais, refletindo entre outros fatores a normalização nos repasses pela Caixa Econômica Federal referentes ao programa habitacional federal Minha Casa Minha Vida.

“A Caixa fez alguns ajustes operacionais que agilizaram os repasses e entendo que isso vai se estender para os próximos trimestres”, afirmou Menin.

Num período em que a pandemia comprometeu tanto o andamento de vários empreendimentos como a parte burocrática, com cartórios fechados, em função das medidas de isolamento para conter o avanço da pandemia, a MRV se concentrou nas vendas.

Com isso, os lançamentos no trimestre caíram 47,9% ano a ano, para 942 milhões de reais.

Segundo Menin, com a gradual flexibilização das medidas de isolamento, praticamente todas as obras da empresa estão operacionais e por isso a companhia pretende intensificar significativamente o volume de lançamentos no segundo semestre.

O executivo afirmou que a meta da MRV é de diversificar suas fontes de receitas nos próximos trimestres, dobrando a participação conjunta dos produtos para classe média baixa, da área de loteamentos e da unidade focada na locação de imóveis construídos, para 25% em 2021.

Menin afirmou ainda que não vê aumento da concorrência na sua principal área de negócios de imóveis populares com a onda de construtoras planejando buscar recursos no mercado acionário para financiarem seus planos de expansão. Atualmente, são 13 empresas brasileiras na fila de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

“Elas são na maioria especializadas em imóveis de mais alto padrão”, disse ele.

Menin descartou a hipótese de a MRV também emitir ações para financiar planos de crescimento. “Não faz parte da nossa agenda buscar recursos no mercado”, concluiu.

O chamado custo dos imóveis vendidos e serviços prestados subiu 8,7%, para 1,17 bilhão de reais. Além disso, as despesas comerciais subiram 11,7%, para 160 milhões de reais, mostrando maiores esforços feitos para venda, incluindo descontos. Assim, a margem bruta caiu 2,3 pontos percentuais, para 28,4%.

“Mas tivemos ganho de market share no período”, disse à Reuters o presidente-executivo da MRV, Rafael Menin, sem dar detalhes.

Inadimplência

O copresidente da construtora MRV, Eduardo Fischer, afirmou que os níveis de inadimplência da companhia nos meses de junho e julho estão praticamente iguais aos níveis pré-pandemia.

“Nós vimos que a inadimplência veio caindo em maio, junho e julho e já está parecida com o comportamento pré-covid. Nós tínhamos feito uma correção no provisionamento e no critério de provisão, mas o atual patamar do PDD foi por crescimento vegetativo sem mudança no critério”, disse Fischer.

A MRV afirmou também que espera manter as margens nos próximos trimestres, por volta de 28% a 28,5%, e espera por um aumento delas, da ordem de 3 pontos percentuais, para o ano de 2021. “Mais para o fim do ano, não adianta esperar um aumento abrupto, vai ser gradual”, disse o também copresidente Rafael Menin.

Menin disse que devido à pandemia e a retração econômica, os descontos dados impedem a empresa de ampliar as margens nos imóveis.

Investimento em faixa acima do Minha Casa

A MRV Engenharia – conhecida por sua atuação no Minha Casa, Minha Vida – estima que o segmento de imóveis para venda com preço logo acima dos do programa habitacional vai responder, em 2021, por 25% do Valor Geral de Vendas (VGV) lançado e vendido, ante a fatia atual de 13%. Quando isso acontecer, seus lançamentos anualizados de imóveis financiados com recursos de poupança ficarão perto de R$ 2 bilhões.

“Os lançamentos do segmento logo acima do Minha Casa, Minha Vida já somam quase R$ 1 bilhão anualizado”, afirma o copresidente da MRV, Rafael Menin. Nas estimativas do executivo, apenas Cyrela, Even Construtora e Incorporadora e EZTec vendem mais produtos financiados com recursos da poupança do que a companhia. “Talvez a MRV passe a ser a segunda, no segmento, em 2021, atrás apenas da Cyrela”, avalia o copresidente.

No consolidado de todos os segmentos, a MRV é a maior incorporadora do país, com destaque para o programa habitacional, do qual é a principal participante.

De janeiro a junho, a MRV lançou R$ 2,025 bilhões, com queda de 30,2% na comparação anual. “A companhia vai lançar, consistentemente, mais no segundo semestre”, diz o copresidente. Menin espera que não haja grande disrupção do novo programa habitacional, a ser anunciado pelo governo, em relação ao Minha Casa, Minha Vida. No segmento de imóveis acima dos enquadrados no programa, as expectativas positivas resultam da queda dos juros.

O executivo reconhece que a concorrência poderá crescer, nos mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro, devido à nova onda de abertura de capital de incorporadoras, mas ressalta que a MRV está presente em 168 cidades. “Teremos mais 166 cidades sem aumento da concorrência”, diz. No fim de junho, o banco de terrenos da incorporadora correspondia ao VGV potencial de R$ 52,6 bilhões.

No segundo trimestre, o lucro líquido da MRV teve queda de 34,6%, para R$ 124 milhões. A receita líquida aumentou 5,2%, para R$ 1,64 bilhão. A margem bruta caiu de 30,7%, de abril a junho de 2019, para 28,4%. De acordo com Menin, a companhia deu prioridade ao giro mais rápido dos ativos e à geração de caixa em relação às margens. “A recuperação de margem ocorrerá mais para 2021”, diz Menin. No trimestre, a empresa gerou caixa de R$ 214 milhões.

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