Suzano (SUZB3) 2T20: Prejuízo líquido de R$ 2,06 bilhões

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O Ebitda ajustado da Suzano, de R$ 4,18 bilhões, subiu 35% e, em dólares, foi o mais alto da indústria no mundo, ao câmbio médio de R$ 5,39. O resultado final, porém, foi afetado pelo impacto negativo da valorização de 5% do dólar frente ao real na dívida em moeda estrangeira e nas operações de hedge, levando a Suzano a prejuízo de R$ 2,06 bilhões.

Os resultados da Suzano (BOV:SUZB3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 13/08/2020.
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O prejuízo no intervalo é explicado justamente pelo impacto negativo da variação cambial na marcação a mercado da dívida em moeda estrangeira, que pressionou a linha financeira. A companhia encerrou o trimestre com resultado financeiro líquido negativo de R$ 5,7 bilhões.

O efeito da valorização de 5% do dólar frente ao real entre a abertura e o fechamento do trimestre teve impacto negativo de R$ 2,9 bilhões na linha financeira. Já o resultado das operações com derivativos ficou negativo em R$ 1,78 bilhão.

As vendas de celulose saltaram 25% na comparação anual, para 2,78 milhões de toneladas, e foram decisivas para o aumento de 20% das vendas totais da companhia, para 3 milhões de toneladas. Em papel, houve recuo de 22% nas vendas, afetadas pela redução de consumo decorrente das medidas de combate à pandemia de covid-19, para 235 mil toneladas.

A Suzano deu continuidade à estratégia de redução de estoques, com mais 220 mil toneladas de baixa no segundo trimestre.

No intervalo, a geração de caixa operacional da Suzano teve expansão de 51%, para R$ 3,37 bilhões. Já a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda em dólar, recuou de 4,8 vezes em março para 4,7 vezes em junho.

Teleconferência

A demanda doméstica de papel começou a dar sinais de recuperação e, após as paradas comerciais nas unidades de Mucuri (BA) e Rio Verde (SP), todas as linhas de produção estão operando normalmente neste momento, disse o diretor de papel da Suzano, Leonardo Grimaldi, nesta sexta-feira.

“Temos visto melhora na demanda, depois da queda acentuada em abril, e as vendas domésticas têm crescido, mas ainda abaixo dos volumes vistos no ano passado”, disse o executivo, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do segundo trimestre.

Especificamente para o terceiro trimestre, os gastos menores do governo e o adiamento da campanha eleitoral devem afetar o consumo de papéis no país, mas a recuperação vista nos últimos meses justifica a manutenção das operações normais nas fábricas, acrescentou.

“O segundo trimestre foi muito desafiador, porque a demanda foi fortemente impactada pela covid-19. Com a parada comercial, redirecionamos a celulose para outros mercados e produtos e não houve ruptura no suprimento de papel”, disse Grimaldi.

As vendas menores afetaram os resultados da unidade de negócios, mas o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) por tonelada subiu 11% na comparação anual, a R$ 1.348, amparado pela redução de custos, pelo impacto positivo do câmbio e pelo direcionamento de maior volume de produção para o mercado externo.

“O cenário ainda é desafiador, com incertezas sobre a retomada da demanda de papéis de imprimir e escrever”, comentou Grimaldi.

De acordo com o diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal, a companhia vai produzir e vender mais fibra neste ano em comparação ao visto no ano passado, mesmo em um ambiente de preços ainda fraco. “Vamos manter o foco em custos e alocação de volumes. Estamos confiantes de que a estratégia comercial seguirá trazendo resultados positivos”, disse o executivo.

Aníbal lembrou que o segundo trimestre teve um início forte, com a aceleração da demanda por papéis para fins sanitários (tissue) na esteira da pandemia de covid-19, mas o encerramento do período foi marcado pela queda na demanda de papéis especiais e de imprimir e escrever. Ainda assim, a Suzano garantiu nova redução de estoques, elevando a 1,9 milhão de toneladas o volume de fibra que estava em estoque e foi vendido em 12 meses. “Hoje nossos estoques estão no nível mínimo, então esse volume [de vendas] não é sustentável”, comentou Aníbal.

De acordo com o executivo, a diferença de preços entre fibra curta e fibra longa, acima de US$ 100 por tonelada, beneficia a demanda pela fibra curta, e as paradas para manutenção em fábricas devem retirar 450 mil toneladas da oferta no segundo semestre, considerando-se apenas as fábricas no Brasil. Por outro lado, a demanda global deve seguir crescendo, puxada especialmente pelos segmentos de tissue e de embalagens

“O terceiro trimestre é sazonalmente mais fraco, e há questões geopolíticas e incertezas geradas pela covid-19. Diante disso, esperamos uma demanda mais fraca na Europa”, comentou.

Na China, a produção de papel já começou a se recuperar, após um início de ano fraco, e os estoques de produto final nos clientes da Suzano estão no nível normal, embora nos portos, o volume de celulose estocado pela companhia esteja abaixo do normal. “A temporada de alta na China está se aproximando, então há expectativa de alta na demanda”, afirmou.

O custo caixa de produção de celulose nos próximos trimestres deve ficar em linha com o visto nos seis primeiros meses do ano, disse o diretor de operações de celulose da Suzano, Aires Galhardo. No segundo trimestre, o custo caixa caiu R$ 98 por tonelada, para R$ 599 por tonelada, influenciado principalmente pelo menor custo de madeira.

Oferta de Ações

De acordo com o diretor de finanças e relações com investidores da Suzano, Marcelo Bacci, o processo de desalavancagem financeira da companhia está avançando conforme o esperado, apesar dos preços fracos da celulose. “Mas estamos sendo beneficiados pelo câmbio na receita”, disse o executivo, em teleconferência com analistas.

Diante disso, a Suzano não vê “nenhuma necessidade” de uma oferta de ações. “[O mercado] não deve esperar por isso nos próximos trimestres, especialmente porque não há necessidade”, afirmou, ao ser questionado por um analista se a Suzano poderia recorrer a uma operação dessa natureza para acelerar o processo de desalavancagem.

Fonte Valor Econômico

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