Suzano (SUZB3) 3T20: Prejuízo Líquido de R$ 1,16 bilhão

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Suzano encerrou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 1,16 bilhão, 66,5% abaixo da perda líquida registrada um ano antes. Mais uma vez, a desvalorização do real entre a abertura e o fechamento do trimestre teve impacto negativo na parcela da dívida em moeda estrangeira e no resultado com derivativos, o que explica a perda na última linha do balanço.
Os resultados da Suzano (BOV:SUZB3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 29/10/2020.

Ebitda ajustado – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – teve crescimento de 58%, a R$ 3,78 bilhões, impulsionado também pela boa performance operacional da companhia. A margem Ebitda ajustado chegou a 51%, comparável a 39% um ano antes sem considerar o volume vendido de celulose da Klabin naquele período.

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A receita líquida da Suzano foi de R$ 7,471 bilhões, ao passo que no terceiro trimestre do ano passado o resultado foi de R$ 6,600 bilhões, registrando uma alta de 13%.

As vendas de papel e celulose ficaram relativamente estáveis no terceiro trimestre em 2,85 milhões de toneladas. No segmento de celulose, as vendas somaram 2,53 milhões de toneladas, recuo de 1%, enquanto as vendas de papel aumentaram 2% para 319 mil toneladas.

A produção, contudo, mostrou um forte avanço de 17% na comparação anual. A Suzano processou um total de 2,53 milhões de toneladas de celulose (+21%) e 296 mil toneladas de papel (-5%).

O preço médio da celulose recuou 14% em dólar na comparação anual para US$ 454 a tonelada, contra US$ 527 a tonelada no 3T19. O preço em real, contudo, recuou apenas 3% com a desvalorização da moeda frente ao dólar.

O resultado financeiro líquido da companhia foi negativo em R$ 4,22 bilhões, comparável a R$ 6,49 bilhões também negativos um ano antes. A variação cambial teve efeito negativo de R$ 1,6 bilhão e o resultado das operações com derivativos foi negativo em R$ 1,3 bilhão.

A geração de caixa operacional da Suzano alcançou R$ 2,85 bilhões, 88% acima do registrado um ano antes.

A dívida líquida da Suzano era de R$ 68,7 bilhões, equivalente a 5,1 vezes o Ebitda em 12 meses. Em dólares, a alavancagem financeira estava em 4,4 vezes, comparável a 4,7 vezes três meses antes. Ainda em dólares, a dívida líquida foi reduzida de US$ 12,4 bilhões para US$ 12,2 bilhões.

Teleconferência 

O presidente da companhia, Walter Schalka, disse, em teleconferência sobre os resultados da companhia, que algumas incertezas em relação às novas ondas de covid-19 em outros países podem prejudicar os negócios no ano que vem.

Os investimentos para este ano, no entanto, estão mantidos. Ainda não há decisão sobre os valores em 2021. A expectativa para 2020 é que fiquem entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,3 bilhões. Se tudo correr bem, a Suzano planeja uma expansão orgânica, com uma nova fábrica, mas ainda não há data para que isso ocorra, segundo Schalka. “Dada a nossa disciplina financeira, estamos sendo mais cautelosos na aprovação de novos investimentos”.

A companhia só deverá voltar a fazer investimentos de crescimento quando a alavancagem estiver abaixo de 2,5 vezes a relação dívida líquida e a geração de caixa. Apesar da redução na comparação com o trimestre anterior, o resultado ainda está bem longe disso (5,1 vezes).

De acordo com a Suzano, a demanda por papéis sanitários continuou demonstrando crescimento acima da média histórica em mercados como América do Norte e Europa. Papéis para embalagens continuaram tendo desempenho positivo, acompanhando os novos hábitos de consumo, como o e-commerce.

Há expectativa em relação aos negócios com a China. No terceiro trimestre, a rápida retomada das atividades econômicas no país favoreceu, de acordo com a empresa, o gradual aquecimento da demanda por papéis de imprimir e escrever, especialidades e, especialmente, por papéis sanitários. E os preços aumentaram US$ 20 (cerca de R$ 114,7) em outubro, para US$ 470 a tonelada. “Os novos contratos já foram fechados com esse valor”, finalizou Schalka.

VISÃO DO MERCADO
BTG Pactual
Para o BTG Pactual, mesmo com um ciclo desfavorável no mercado de papel e celulose, a empresa continua entregando resultados mais fortes do que o esperado, o que aumenta a confiança na melhoria da operação da empresa e torna “uma questão de tempo” a redução da dívida, hoje em R$ 16,4 bilhões.
Credit Suisse
O Credit Suisse destacou que os resultados foram acima do esperado, principalmente em função dos maiores volumes de celulose comercializados (8% acima da projeção dos analistas), enquanto os volumes comercializados de papel também surpreenderam positivamente (24% além do esperado).
O Credit Suisse manteve a avaliação de outperform para a Suzano, que classificou como a melhor escolha no universo de papel e celulose, à medida que tem a maior alavancagem para se beneficiar de uma recuperação do preço da celulose. O banco definiu preço-alvo de R$ 65, frente os atuais R$ 50,17.
Itaú BBA
O Itaú BBA também reforçou a recomendação das ações da Suzano como outperform, com preço-alvo de R$ 59. O banco afirmou que os resultados do lucro Ebitda são 14% superiores às suas estimativas, e 17% acima do consenso. Para o banco, a produção e as vendas da celulose são o maior destaque dos resultados, e a redução das vendas em “meros” 9% entre o segundo e o terceiro trimestre é um sinal positivo. Os preços da celulose caíram em US$ 12 por tonelada, mas o banco afirmou que está otimista quanto à recuperação no curto prazo.
Morgan Stanley

O Morgan Stanley afirmou que o Ebitda ajustado de R$ 3,909 bilhões da Suzano foi bem acima de sua estimativa de R$ 3,297 bilhões. E que o caixa das operações, de R$ 3,24 bilhões está acima da estimativa de R$ 2,42 bilhões, devido a resultado operacionais mais altos, aliados a menor capital de giro. O custo das mercadorias vendidas foi de R$ 991 por tonelada, 7% abaixo da estimativa do banco. E o preço médio realizado da celulose, de R$ 454 por tonelada, foi 4% superior à previsão do banco. Por outro lado, o preço médio realizado da exportação de papel foi de R$ 727 por tonelada, 7% abaixo da previsão do banco. O Morgan Stanley diz esperar que a companhia gere um forte fluxo de caixa nos próximos anos, com queda da dívida líquida frente o lucro Ebitda, até 2023.

Avalia ainda, que o preço da celulose está em seu piso, com expectativa de altas a partir do quarto trimestre de 2020. O banco avaliou as ações como overweight, com preço-alvo de R$ 59.

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