Azul (AZUL4) 3T20: prejuízo líquido de R$ 1,23 bilhões

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A Azul divulgou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 1,23 bilhão, ante um prejuízo de R$ 550,5 milhões no mesmo intervalo de 2019. O prejuízo líquido ajustado, que exclui eventos não recorrentes, ganhos e perdas com marcação a mercado e variação cambial, foi de R$ 1,22 bilhão, ante um lucro de R$ 145 milhões um ano antes.

Os resultados da Azul (BOV:AZUL4) referente a suas operações do terceiro trimestre de 2020, foram divulgados no dia 16/11/2020.

O Ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – teve queda de 78%, para R$ 198,3 milhões.

A receita líquida da companhia teve queda de 73% no terceiro trimestre comparada com o mesmo intervalo de 2019, totalizando R$ 805,3 milhões. A receita com transporte de passageiros teve queda de 78,4%, para R$ 624,5 milhões. A receita com transporte de cargas, por sua vez, cresceu 26,6% no período, para R$ 180,8 milhões.

Outras informações do Balanço

O RASK (Receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos) reduziu 20,3% durante o trimestre na comparação anual, para 24,86 centavos de real.

O desempenho da companhia foi afetado pelos impactos da pandemia de covid-19, que afetou o setor aéreo como um todo. Do lado positivo, a companhia foi beneficiada por um ganho não recorrente de R$ 424,1 milhões no terceiro trimestre. Esse ganho está relacionado à renegociação dos contratos de arrendamento de aviões, que incluiu postergação de pagamentos, descontos e modificações contratuais.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 1 bilhão no trimestre, queda de 6,4% na comparação anual, como resultado da depreciação média de 35,4% do real no período.

A Azul informou que espera chegar em dezembro ofertando voos para 113 destinos, uma recuperação quase completa em relação aos 116 destinos atendidos antes da pandemia. Até dezembro, a companhia espera atingir uma oferta equivalente a 80% do nível registrado no ano passado.

Em setembro, a capacidade ofertada pela companhia no país representava 49% da oferta pré pandemia. Em 76% das rotas ofertadas, a Azul tem exclusividade de oferta.

A companhia acrescentou que o acordo de compartilhamento de voos com a Latam Airlines está em operação, com 151 rotas combinadas e sem escalas.

A frota operacional da Azul atingiu 139 aviões em setembro. A frota contratual de passageiros era composta por 165 aeronaves. Dos 26 aviões que não estão na frota operacional, 13 estão subarrendados para a TAP, 12 Embraer E-Jets estavam em processo de saída da frota e um A320neo estava em processo de incorporação na frota.

A Azul atingiu no terceiro trimestre uma liquidez imediata de R$ 2,3 bilhões, ante R$ 2,25 bilhões no segundo trimestre. A liquidez imediata inclui caixa e equivalentes de caixa, aplicações financeiras de curto prazo e contas a receber. Em relação ao ano passado, houve redução de 20,1% na liquidez imediata da companhia.

A liquidez total, que inclui aplicações financeiras de longo prazo, depósitos em garantia e reservas de manutenção e ativos disponíveis, totalizou R$ 6,95 bilhões, ante R$ 6,64 bilhões no segundo trimestre.

Sobre o pagamento de arrendamentos, a expectativa da Azul é que sejam pagos R$ 324 milhões, um montante 60% menor comparado com o plano original.

A Azul encerrou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 14,77 bilhões. O valor está 37,4% acima do que foi registrado no mesmo período de 2019. Em relação ao segundo trimestre deste ano, no entanto, houve uma redução de 6,8%.

O endividamento líquido foi equivalente a 11,3 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançado pela Azul no trimestre. Esse índice era de 3 vezes no ano passado e de 6,4 vezes no segundo trimestre de 2020.

A dívida bruta somou R$ 17,96 bilhões, com aumento de 19,6% em relação a 2019 e redução de 4,8% quando comparada ao segundo trimestre deste ano.

A companhia reduziu o seu passivo de arrendamento de aviões em 8,4%, passando de R$ 13,1 bilhões para R$ 12,0 bilhões, graças a negociações feitas com arrendadores. Essa queda foi parcialmente compensada pela depreciação do real frente ao dólar.

O prazo médio da dívida da Azul, excluindo passivos de arrendamento de aviões, era de 3,1 anos, com custo médio de 5,2%, sendo 4,2% para a porção em reais e 5,6% para a dívida em dólares.

O prejuízo financeiro líquido ficou em R$ 1,04 bilhão, com redução de 6,4% em relação ao mesmo intervalo de 2019. A despesa financeira aumentou 78,5%, para R$ 575,7 milhões, resultado da depreciação média de 35,4% do real e do aumento no passivo de arrendamento relacionado com a adição líquida de 14 aeronaves em nossa frota durante os últimos 12 meses.

A Azul registrou uma perda cambial não-caixa de R$ 542,6 milhões, em queda de 42,4% na comparação anual, relacionada principalmente com a depreciação do real, o que resultou em um aumento de arrendamentos capitalizados e da dívida denominada em moeda estrangeira.

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Teleconferência

A companhia Azul agarrou algumas oportunidades no mercado para se financiar e, depois de um terceiro trimestre difícil, avança com planos para a retomada do negócio no Brasil. Entre as janelas de oportunidade estão o mercado doméstico em constante melhora, com aposta de ganho no segmento corporativo no ano que vem. A base para esse otimismo está em uma posição de caixa privilegiada: são R$ 4 bilhões disponíveis depois de a empresa levantar R$ 1,745 bilhão em debêntures conversíveis. “Conseguimos suportar a nossa operação por mais de cinco anos”, apontou o presidente da empresa, John Peter Rodgerson, em teleconferência.

A segunda onda de covid-19 no Brasil ainda é uma incógnita, mas a aposta dos executivos é que ela não deverá ser um problema por aqui. Mesmo assim, a empresa tem outros US$ 100 milhões que pode levantar com uma emissão complementar de debêntures garantida pelos investidores âncora Knighthead Capital Management (o mesmo que colaborou com a recuperação judicial da Latam) e a Certares Management LLC.

A empresa tem um ano para decidir se levanta ou não o recurso adicional, mas Rodgerson disse que o cenário favorável o torna cada vez menos necessário. Já o BNDES está oficialmente fora da mesa, segundo o executivo. “Não precisamos de recursos do BNDES. Já informamos que não vamos usar”.

Depois de uma intensa renegociação com arrendadores de aeronaves e outros parceiros, a empresa conseguiu uma economia de R$ 8,4 bilhões entre março 2020 e dezembro 2021. A aérea negociou também redução de salário temporária com funcionários. Apenas no que diz respeito aos arrendamentos operacionais, a companhia estima um pagamento de aproximadamente R$ 324 milhões no quarto trimestre, uma queda de 60% na comparação com o plano original.

Com o mercado mais favorável, a empresa projetou uma queima de caixa média por dia de R$ 1,5 milhão no quarto trimestre, sem amortização de dívida programada. A conta anterior da empresa apontava para um gasto por dia R$ 2,5 milhões nos últimos três meses deste ano. A empresa pode até gerar caixa no primeiro trimestre de 2021, embora isso não signifique ainda uma retomada para o terreno positivo, disse o diretor vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da aérea, Alexandre Wagner Malfitani.

A Azul espera operar em dezembro mais de 80% da capacidade doméstica do ano passado. Em termos de malha, até dezembro, espera voar para 113 destinos, uma recuperação quase completa em comparação aos 116 destinos atendidos antes da crise. “Estimamos que entre 70% e 80% da nossa demanda corporativa deve voltar entre junho ou julho do ano que vem”, disse o diretor vice-presidente de Receitas da Azul, Abhi Manoj Shah.

O executivo falou que as empresas estão adotando políticas individuais para definir quando retomar as viagens corporativas. “Em setores como o financeiro a demanda está mais fraca, mas no setor de óleo e gás estamos com uma boa recuperação (na casa de 50%)”, comentou. A volta dos clientes corporativos, disse, tem acontecido com mais força, sobretudo na região Norte e Nordeste.

No mercado internacional, a postura é de cautela. “Nosso foco é o doméstico hoje. O único mercado que estamos prontos para abrir quando chegar uma autorização dos Estados Unidos é o de Orlando”, disse Shah. “Não esperamos nenhum crescimento internacional no ano que vem. Vamos continuar conservadores no segmento internacional e voar o widebody (aviões maiores) domesticamente”, afirmou.

A empresa tem dez modelos Airbus na sua frota com capacidade entre 242 e 298 lugares. A frota operacional de passageiros no fim do trimestre era de 139 aeronaves, crescimento de 6,1% no ano.

VISÃO DO MERCADO

BB Investimentos

De acordo com Renato Hallgren, analista do BB Investimentos, a companhia apresentou um balanço neutro. Os destaques positivos ficaram por conta da preservação de liquidez, com R$ 2,3 bilhões em caixa ante os R$ 2,25 bilhões no trimestre passado e o crescimento de 40% no faturamento de transporte de cargas.

“Ainda que o setor aéreo seja um dos mais impactados negativamente pelo isolamento social (Covid-19), a Azul vem conseguindo explorar o crescimento no mercado de cargas, que foi impulsionado principalmente pelo setor do e-commerce”, argumenta.

Por outro lado, o próprio cenário aéreo ainda passa por muitas turbulências. Houve uma redução de 69% da demanda de passageiros medida pelo indicador RPK (Revenue Passenger Kilometers ou Passageiros‐Quilômetros Pagos transportados).

Com isso, a receita líquida apresentou queda de 73,4% em relação ao ano passado e o prejuízo ficou em R$ 1,6 bilhão.

“A partir do primeiro trimestre de 2021, teremos maior visibilidade com relação à retomada na demanda por voos corporativos, bem como do nível de utilização da frota da Azul”, conclui.

O analista Renato Hallgren cita ainda a desvalorização do dólar frente ao real, que favorece a performance financeira das aéreas. Porém, a valorização do petróleo neutraliza esse efeito cambial. Ou seja, mais um fator para o sobe e desce dos papéis.

BB Investimentos mantém a recomendação neutra da Azul, com preço-alvo de R$ 30,00 para o final de 2021.

Bradesco BBI

A Azul, segundo avaliação de analistas do banco Bradesco BBI, está bem posicionada para superar a crise provocada pela pandemia. Tem caixa suficiente para cinco anos de operação, com base na queima de caixa atual. Em novembro, a Azul captou R$ 1,7 bilhão em debêntures conversíveis em ações, com vencimento em 2025, valor que se soma ao caixa de R$ 2,3 bilhões, no fim de setembro.

Além do alívio na liquidez, diz o analista Victor Mizusaki, do Bradesco BBI, a Azul divulgou perspectivas de melhora operacional no quarto trimestre. A aérea fechar dezembro com 70% da capacidade que operava em 2019, ante previsão feita anteriormente de 60%. No mercado doméstico, espera atingir 80% do nível pré-pandemia.

BTG Pactual 

O BTG Pactual avaliou que os investidores não devem se preocupar com o balanço financeiro da Azul, já que os valores já havia sido antecipados, principalmente por conta da pandemia.

De acordo como BTG, o foco da empresa agora é na gestão de liquidez, que deve alavancar os valores da empresa.

Na visão deles, o plano de gestão da aérea foi executado com sucesso, gerando mais R$ 8 bilhões em economia de caixa entre março de 2020 e dezembro de 2021, acima dos R$ 7 bilhões originalmente previstos, impulsionados por liquidez imediata, incluindo caixa e equivalentes, curto os investimentos a prazo e contas a receber e o passivo de arrendamento caiu 8% no trimestre para R $ 12,8 bilhões, como resultado de renegociações de contratos, incluindo diferimentos de pagamentos, descontos e alterações contratuais e uma recuperação mais rápida do que o esperado.

BTG Pactual mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 26,00. 

Citibank

A equipe do Citi apontou o resultado da Azul como neutro. O prejuízo por ação ajustado no terceiro trimestre foi de R$ 3,57, contra uma estimativa da casa de prejuízo por ação de R$ 2,88. Mas o Citi destacou que a capacidade doméstica prevista da Azul de 80% para dezembro – sendo que 76% das rotas da empresa são exclusivas – traz conforto para o cenário de retomada.

Safra

Já o Safra mantém uma visão cautelosa para a Azul, em meio a previsões nada positivas para retomada da economia no mundo por conta de uma segunda onda da covid-19. O analista Luiz Peçanha disse considerar as perspectivas muito negativas e ainda imprevisíveis para o setor de aviação civil. “Apesar dos esforços da empresa para enfrentar os impactos de curto prazo da fraca demanda, as perdas devem continuar a se acumular devido aos altos custos de correção das empresas. Em caso de recuperação da demanda mais rápida do que o esperado, a postergação de custos deve manter as margens pressionadas, postergando sua recuperação financeira”.

VISÃO TÉCNICA


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